> ## Content Index
> Fetch the complete content index at: https://www.b9.com.br/llms.txt
> Use this file to discover other available public pages before exploring further.

# Efeitos Especiais: O futuro feito à mão
- URL: https://www.b9.com.br/efeitos-especiais-o-futuro-feito-a-mao/
- Published: 2011-05-02T16:27:10.000Z
- Updated: 2011-05-02T16:27:10.000Z
- Author: Fábio M. Barreto
- Tags: Cultura, Cinema, JJ Abrams, star trek, #wp, #wp-post

##### Numa inversão de valores impensável anos atrás, enquanto romances e dramas entram pesado no uso de efeitos especiais, CGI e motion capture, é na Ficção Científica – sempre tão dependente de elementos inovadores – que se encontra o último reduto de efeitos feitos de forma mais caseira, artística e, por vezes, improvisados.

![](https://www.b9.com.br/content/files/www-b9-com-br/wp-content/uploads/2011/05/star1.jpg)

A câmera de J.J. Abrams passeia pelo casco da **USS Enterprise**, revelando cada contorno da nave icônica em **"Star Trek"**. Como a embarcação está no estaleiro da Federação, há muitas luzes ao redor, por conta das equipes de construção e outros elementos. É um deslumbre visual na tela.

Se o campo de visão do espectador se abrisse cerca de 10% além do tamanho da imagem, o que se veria eram membros da equipe de iluminação segurando lanternas e apontando para locais pré-determinados da nave do Capitão Kirk.

Seguindo o mesmo princípio, a maior parte das estripulias desvairadas de Christopher Nolan em **"A Origem"** não foi obra dos computadores, mas sim de uma série de efeitos práticos construídos sob medida para construir aquele mundo de sonhos.

![](https://www.b9.com.br/content/files/www-b9-com-br/wp-content/uploads/2011/05/inception.jpg)

Tudo lindo e maravilhoso, certo? Porém, apostar nesse pensamento foi uma das razões do cancelamento de **"Stargate Universe"**, última série da franquia, que mantinha um cenário fixo em Vancouver, com tudo construído, inclusive o próprio stargate, que operava de forma mecânica exceto por seu efeito de ativação.

Conversamos com J.J. Abrams e visitamos o set de "Stargate" para entender os motivos dessa inversão de valores.

Se uma das grandes facilidades da Hollywood moderna é poder substituir qualquer background, em qualquer filme, os estúdios não perderam tempo e aplicaram essa fórmula econômica e, teoricamente, imperceptível a qualquer filme com orçamento suficiente para justificar o trabalho de pós-produção.

Ou seja, o casal romântico do filme pode estar tomando café nas ruas de Paris, mas, na verdade, estão num estúdio em Burbank e você nem vai notar a diferença. Nada de mais, afinal de contas, a imagem já é manipulada pela edição e outros elementos desde o corte foi descoberto há muito tempo e a ilusão é parte do cinema.

Aí é que está a questão: fazer filmes é um negócio caro, logo, é mais barato mandar uma equipe pequena filmar o cenário desejado do que levar todo o circo e os atores milionários para onerar a produção desnecessariamente. Falei com um dos técnicos de **"Tron – Uma Odisséia Eletrônica"**, há uns dez anos, num simpósio no **Itaú Cultural**, e ele me disse: o dia em que qualquer filme puder acontecer em qualquer canto do mundo, ou do universo, sem sairmos do estúdio, aí teremos a grande revolução da computação. Bom, aconteceu.

A transformação da Ficção Científica em reduto dos efeitos old style tem razão de ser: prática e a crescente necessidade de trazer realidade aos filmes e séries. Ou seja, evitar aquele sentimento fake da nova trilogia de **"Guerra nas Estrelas"**, que tinha mais CGI e background falseta que vídeo game pirata da Santa Efigênia! *“Estar em outra galáxia, linha temporal ou período histórico não implica necessariamente na desconexão visual”*, analisa o diretor J.J. Abrams a nossa reportagem.

> *“Ao mesmo tempo em que o olho humano reconhece facilmente imperfeições numa animação ou a falta de fluidez no movimento de um personagem inserido por computador, ele também percebe rapidinho quando há elementos reais na composição e isso faz a diferença”.*

J.J. fez questão de utilizar cenários reais para o interior da Enterprise (filmado dentro de uma cervejaria) e usar lanternas e outras fontes de luz reais para geral tal empatia com o público: *“Esse gênero já correu risco demais e seria um desrespeito aos fãs fazer algo semelhante a um vídeo game ou algo desrespeitoso à série”*.

![](https://www.b9.com.br/content/files/www-b9-com-br/wp-content/uploads/2011/05/star2.jpg)

O resultado do "Star Trek" de Abrams foi grande aceitação de público, especialmente dos não-trekkers, que ajudou o filme a conquistar a maior bilheteria da franquia no cinema e seu primeiro **Oscar** – por Maquiagem.

*“Tudo que você vê no nosso cenário é real, palpável”*, garante Brad Wright, homem-chave da franquia televisiva "Stargate", cuja última representante – "Stargate Universe" – foi cancelada precocemente pelo **SyFy Channel**. *“Tivemos um começo de série lento por causa de alguns erros de ritmo e tudo ficou ameaçado”*, adiantava o criador meses antes do facão encerrar quase duas décadas de "Stargate" ininterruptamente no ar com três séries.

*“O universo de Stargate percorre tantas civilizações, planetas, povos e estilos que nunca pudemos correr riscos desnecessários com o visual e sempre foi preciso manter o público identificado com o visual e isso se consegue permitindo aos atores que interajam com o cenário e mostra que ‘realmente estão ali’”*, explica.

![](https://www.b9.com.br/content/files/www-b9-com-br/wp-content/uploads/2011/05/starbrad.jpg)

De fato, caminhar pelos corredores da nave Destiny, ver e tocar em suas paredes visualmente enferrujadas, mas construídas com madeira, metal e tintas especiais, era o ponto mais fraco do seriado. Por mais que o drama faltasse, o cenário garantia certa veracidade ao contexto. E estamos falando de uma nave deixando os confins do Universo!

Versatilidade era a palavra de ordem no set de Vancouver, com uma quantidade limitada de corredores servindo como diferentes partes da mesma nave graças a painéis removíveis, paredes com três ou quatro configurações diferentes e salas multiuso para representar aposentos, dispensas, consoles operacionais e várias outras opções solicitadas pelo roteiro. *“Isso permite muita flexibilidade, reduz custos e não baixa o padrão de realismo”*, comenta Wright.

*“Gosto de me imaginar num set de Star Trek e andar de uma seção da nave para a outra; mesmo sabendo que os lugares não tem ligação prática \[com cenários construídos em diferentes pontos do país, em alguns casos\], a sensibilidade é a mesma, a resposta sensorial é a mesma”*, explica J.J. Abrams, que também está aplicando sua teoria dos efeitos práticos em **["Super 8"](http://www.super8-movie.com/?ref=b9.com.br)**, cuja premissa em si parte do uso de equipamentos analógicos – uma câmera Super 8, no caso – para registrar eventos fora do comum.

![](https://www.b9.com.br/content/files/www-b9-com-br/wp-content/uploads/2011/05/super8.jpg)

> *“Só consigo me ver num ambiente se ele é real o suficiente, caso contrário, saio do filme ou troco de canal para ver outra coisa. E se penso assim como o que assisto, como exigir menos do que produzo?”.*

Mais uma vez, o cinema autoral da Ficção Científica sendo colocado à prova com seus grandes nomes e franquias de sucesso. George Lucas errou e desagradou, Michael Bay se perdeu no meio de tanta parafernália visual que desistiu de pensar em roteiro, entretanto, ainda há esperança no espaço, a nossa eterna fronteira final.

Se o futuro depende de uma lanterna improvisada ou uma sala gigante com um portal estelar não sei, mas, aposto, ele vai ser definido por quem ousar sonhar sem tirar o pé do chão. Quando o assunto é FC, In JJ we trust!