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# Primeiro episódio de "Falcão e o Soldado Invernal" reforça sensação de folhetim do Marvel Studios
- URL: https://www.b9.com.br/falcao-e-o-soldado-invernal-primeiras-impressoes-marvel/
- Published: 2021-03-19T19:43:20.000Z
- Updated: 2021-03-19T19:43:20.000Z
- Description: Foco do piloto em dramas cotidianos busca dar conta de premissa interessante em torno do lado humano da vida dos heróis
- Author: Pedro Strazza
- Tags: Cultura, Disney+, etica, marvel, #wp, #wp-post

É pelo menos desde **[“Guerra Civil”](https://www.b9.com.br/64671/com-profundidade-humana-capita%CC%83o-america-guerra-civil-se-coloca-um-nivel-acima-no-universo-cinematico-da-marvel/)** que se repete a piada de que o universo do **Marvel Studios** virou uma espécie de grande novela contada por meio de seus filmes, mas o paralelo nunca ressoou de maneira tão verdadeira quanto no primeiro episódio de **“Falcão e o Soldado Invernal”**. Isso porque, pelo menos na reta inicial, a segunda série do estúdio no **Disney+** é o primeiro produto do estúdio a ter na forma um elemento que se tornou recorrente no andamento dos folhetins mais populares: a sensação de cotidiano, do que é corriqueiro ao mundo daqueles personagens.

Não que outros projetos do dito MCU já não tenham surgido com a mesma característica (**[“De Volta ao Lar”](https://www.b9.com.br/75644/de-volta-ao-lar-um-homem-aranha-nunca-visto-no-cinema/)** logo surge à cabeça), mas enquanto nestes tal sensação pertencia primeiro à premissa, o seriado focado em Sam Wilson (**Anthony Mackie**) e Bucky Barnes (**Sebastian Stan**) dá todos os sinais de que enxerga na rotina parte do seu modo de operação. A estrutura epopeica de certa forma continua e aos poucos deve crescer para dar norte à história, mas o que parece interessar ao showrunner **Malcolm Spellman** e à diretora **Kari Skogland** em um primeiro momento é a noção do entreato: saem os super-heróis, entram os humanos.

Para os padrões da Marvel e mesmo com todo o investimento financeiro, afinal, o drama a princípio não poderia ser mais ordinário: enquanto o Falcão alterna a vida militar e o recebimento do “manto” do Capitão América com a busca pela reconexão com a irmã (**Adepero Oduye**), o Soldado Invernal continua a lidar com os traumas do passado armamentício dentro da esfera das pequenas ações, tentando retomar uma vida normal na medida do possível. Quando a psicóloga vivida por **Amy Aquino** diz a Bucky que ele agora é um civil, a mensagem parece direcionada também ao espectador.

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![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2021/03/kariskogland.jpg)

Kari Skogland (ao centro) conversa com Anthony Mackie e Adepero Oduye no set

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![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2021/03/zwZXMARMPljzzWzCw6YxZcGK8ip.jpg)

Embora não o exima das falhas, esta proposta explica em parte o porquê do piloto soar tão banal em tudo que se registra. O argumento de que a série prepara terreno para os próximos cinco capítulos neste ponto pode ser válido (ainda mais porque os protagonistas nem se encontram e o vilão Zemo não dá as caras), mas mesmo a ameaça da vez soa de pronto como um apêndice dos eventos do plano geral do estúdio. O antagonismo pode ser dos Apátridas, um grupo de pessoas que acredita na teoria do vilão Thanos de que menos pessoas tornam o mundo melhor, mas será o dilema dos personagens que move a história ao espelhar o fim da trajetória do Capitão América e a dificuldade de aceitar o tal *“novo mundo”* proferido pelo Máquina de Combate (**Don Cheadle**).

A direção de Skogland não mente, porém, que o maior interesse da produção está nos pequenos atos, o que é curioso dado que o episódio inaugural começa a desandar a partir daí. Mesmo sendo o primeiro projeto do Marvel Studios a jogar qualquer luz no cotidiano de seus personagens super-heróicos, a reta inicial de “Falcão e o Soldado Invernal” projeta uma sensação de redundância sobre os eventos, como se nada ali estivesse muito fora do que já é esperado pelo público.

O melhor momento, isolado, é o da reunião de Wilson e sua irmã com o banco, pois ele aproveita uma incongruência da narrativa (afinal, heróis são remunerados?) para mover o humor e o drama daqueles personagens. O restante dos 40 minutos orbita entre o aborrecimento e uma lógica de continuidade dos eventos que não necessariamente requerem um convencimento do espectador para se seguir.

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![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2021/03/TAG-101-01763_R3c.jpg)

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\[quotedireita\]Mesmo a ameaça da vez soa de pronto como um apêndice dos eventos do plano geral do estúdio\[/quotedireita\]

Essa execução já parte de uma posição de decepção não apenas porque dá sinais de que a ação (em tese o grande chamariz da série) repetirá os [resultados pífios e burocráticos de **“WandaVision”**](https://www.b9.com.br/wandavision-critica-review/) \- e neste ponto é difícil não apontar a peculiaridade do cenário de avião em queda da abertura ser evaporado sem qualquer resolução - mas porque é neste início que a produção tem mais espaço para brincar com a “vida real” dos protagonistas. Sinal disso é o encontro de Bucky no piloto: não basta apenas a situação de ver um super-herói flertando, é necessário envolvê-lo em alguma trama relacionada aos parentes de suas vítimas para deixar claro o trauma em movimento.

Discrição nunca chegou a ser algo presente nas narrativas dos filmes e séries do Marvel Studios, é sempre válido apontar - a essa altura, meio que já se espera uma falta de sutileza no trato daquilo que de fato importa às produções e ao “grande cenário”. Mas enquanto sua honestidade na premissa e na forma podem ser encarados como valores por alguns e a narrativa há de perseguir uma escala maior para justificar as tantas promessas de conexão com mais eventos do MCU, “Falcão e o Soldado Invernal” começa com a sensação ruim de dever um motivo para existir fora do fluxo da narrativa “maior”. E se uma boa novela é aquela que sobrevive a ciclos de audiência e “pulos” de episódios e histórias, a série por enquanto arrisca ser um capítulo redundante na longa trama tecida por seu estúdio.

*O primeiro episódio de "Falcão e o Soldado Invernal" está disponível no Disney+.*

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