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# "Falling Skies": O futuro depois do fim
- URL: https://www.b9.com.br/falling-skies-o-futuro-depois-do-fim/
- Published: 2011-07-05T15:20:36.000Z
- Updated: 2011-07-05T15:20:36.000Z
- Author: Fábio M. Barreto
- Tags: Cultura, aliens, ficção, steven spielberg, televisão, TNT, #wp, #wp-post

##### Nova série da **TNT**, **"Falling Skies"**, discute o futuro da Humanidade após uma indefensável invasão alienígena. Eles chegaram, nós perdemos e o que vai acontecer num futuro em que pequenos grupos rebeldes são a última esperança da nossa raça? Noah Wyle pode ter as respostas!

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Pessimismo social e racial tem sido um tema muito debatido pela Ficção Científica na TV e, curiosamente, na grade da **TNT** nos últimos anos. **"Battlestar Galactica"** explorou esse conceito de forma moderna e dramática com seus dilemas e, de certa forma, preparou o caminho para a chegada de novos produtos como **["Falling Skies"](http://www.fallingskies.com.br/?ref=b9.com.br)**, série produzida por Robert Rodat e estrelada por Noah Wyle, - finalmente voltando à TV e, dessa vez, como protagonista principal - e Moon Bloodgood.

A dupla faz parte de um grupo de sobreviventes do ataque alienígena que devastou as grandes cidades humanas e desestruturou o mundo conhecido. Sem muito orçamento para efeitos exagerados ou grandes batalhas, "Falling Skies" aposta em seu apelo dramático e na identificação do público com seu elenco para ser bem-sucedida. E essa aposta é arriscada demais, ainda mais nos dias de hoje.

A razão é simples: hábito de público. Ou seja, o público atual está habituado a um nível de investimento e tecnologia tão grande em produções de Ficção Científica que, confrontado com algo menos grandioso, pode repelir a ideia. "Falling Skies" enquadra-se nesse cenário. Embora permeado pela “presença constante” da ameaça alienígena, a série é um “drama humano”, como classifica o produtor Robert Rodat, em entrevista exclusiva ao **B9**, que também conversou com Noah Wyle, Moon Bloodgood e o co-produtor executivo Mark Verheiden.

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*“A pergunta: o que faríamos em caso de uma invasão de longo prazo, diferente do cenário de *"Guerra dos Mundos"*, por exemplo? Sempre me deixou curioso”*, comenda Rodat, desde sua primeira reunião com o núcleo que, eventualmente, produziria a série. Quando Steven Spielberg se envolveu, como produtor executivo, as peças não poderiam ter se encaixado de forma melhor, afinal, ele ainda é o diretor mais apaixonado pelo assunto em Hollywood.

> *“Spielberg tinha uma ideia clara, uma raça alienígena que matava os adultos e raptava as crianças”*

Se a presença do todo-poderoso não fosse o suficiente, a realidade da produção definiu seu futuro. *“Quando sentimos as limitações orçamentárias, focar tudo isso nas relações humanas definiu os rumos e facilitou um aspecto da produção: menos tela verde e mais cenários elaborados, e reais”*, lembra Verheiden, que veio da linha de produção de "Battlestar Galactica" e suas derivadas.

Ou seja, quer dizer que os alienígenas não estão lá? Mentalmente sim, fisicamente nem tanto. De forma engenhosa, "Falling Skies" apresenta a invasão pelos olhos e desenhos de uma criança, que registra a evolução da derrocada humana numa introdução barata e criativa. Nos primerios episódios, o foco está nos grandes cenários e cidades devastadas, nas naves inimigas e em alguns robos de combate - a linha de frente dos E.T.s.

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Seguindo os bons paradigmas da Ficção Científica, "Falling Skies" consegue manter sua narrativa alimentada pelos problemas que causamos a nós mesmos. Com um grupo tão grande e heterogêneo, histórias não faltam, mas a ausência dos alienígenas pode ser fator negativo no início da jornada, porém, isso é estratégico. Robat e Verheiden entraram numa saia justa durante a entrevista quando nossa reportagem, aparentemente, jogou uma bomba atômica no grande segredo do programa.

###### | Spoilers a partir parágrafo seguinte! |

Os alienígenas são apresentados gradativamente por conta do orçamento, claro, mas também pela razão da invasão. Uma criatura morta aparece em segundo plano no piloto e só vemos o robô de combate e algumas naves e essa peculiaridade levantou uma teoria: e se esses seres não são os verdadeiros invasores e estão fazendo o trabalho sujo para alguém mais forte? Alguém que, possivelmente, tem laços com a raça humana? Rodat ficou branco e Verheiden desconversou, mas não tiveram escolha.

*“Cadeias evolutivas estão entre os temas da série e DNA também; esse é o tom que queremos seguir ao longo dos primeiros dez episódios da primeira temporada \[piloto + 9\]”*, diz Rodat. "Falling Skies" é praticamente uma série de guerra com roupagem ficcional, uma “alegoria” como define Verheiden, que vai discutir conflito entre povos e o efeito da necessidade de uma recriação da Humanidade, depois que a guerra aniquilou tecnologia, comunicações e as estruturas das grandes cidades.

*“Gostei da perspectiva de trabalhar em algo tão grande como Falling Skies, com tantos cenários, ramificações e, novamente, muitos personagens”*, analisa Noah Wyle, em seu primeiro papel como protagonista na TV desde o fim de **"Plantão Médico"**. Ele vive Tom Mason, um professor convertido em soldado, que se divide entre a responsabilidade como pai e as demandas de seu grupo, militarmente liderado pelo severo Weaver, vivido por Will Patton (**"Duelo de Titãs"**).

> *“Fiquei curioso para criar esse mundo pós-guerra no qual toda nossa preparação e sensação de segurança deixaram de existir. Hoje em dia é tudo tão fácil, não é? Acreditamos que nada disso possa acabar, mas e se acabar? O que fazer? Apertar o botão de reiniciar foi interessante”.*

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Bastante atraído pela combinação “papel principal + Steven Spielberg”, Wyle sentiu segurança suficiente para dar a cara a tapa novamente. *“Depois de Plantão Médico, fiquei na posição incomum de poder escolher muito bem qualquer papel; e acabei recusando muita coisa na TV \[tentou o cinema com afinco\]. Agora pareceu o momento certo, num gênero que me deixa desconfortável o suficiente para precisar aprender demais e valorizar muito os arcos de crescimento dos personagens”*, avalia.

Desde 2009, Wyle fez apenas dois filmes pequenos e ficou fora do radar. *“E também foi um jeito de transformar minha incapacidade de ter uma carreira no cinema em algo legal, do tipo ‘esperei o projeto certo para poder continuar na TV’”*, descontraí, gargalhando, ao se auto-criticar por ter falhado na tentativa de migrar para a telona.

Tom Mason é o meio termo entre os civis e os militares. Mesmo no piloto, já se pode notar raízes de preconceito entre as duas “castas” sociais e alguns dos núcleos e desafios previstos para os personagens de "Falling Skies". Interessante notar que, mesmo com essa raça alienígena altamente tecnológica e dominante lá fora, o maior problema enfrentado por essa comunidade é um pequeno grupo de humanos violentos e mal-intencionados. *“Em meio a essas situações de vida e morte, reagimos em extremos. Infelizmente, um deles é muito negativo e desprezível; é nessas horas que as pessoas boas realmente se revelam”*, comenta Wyle, que contracena – e deve fazer par romântico – com a ex-Laker Girl Moon Bloodgood (**"Exterminador do Futuro: A Salvação"**), habituada a armas e filmes de ação.

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Mas, desta vez, Moon é uma veterinária que se transformou em médica oficial desse núcleo de sobreviventes. *“Ensinei vários truques com as armas para Noah e foi interessante mudar de lado nessa série, normalmente preciso treinar bastante para cenas de ação e usar os cabos de proteção”*, conta Moon, que, recentemente, esteve no filme **"Faster"**, com Dwayne Johnson.

*“Esse tipo de série reforça uma coisa menos comum do que imaginamos, mas extremamente necessária: o fato de que as mulheres não são, ou pelo menos não querem ser, meras coadjuvantes ou interesses amorosos. Ver valor dramático no que podemos fazer é algo motivador”*, pontua Moon, que dá vida a Anne Glass, personagem que foi onde muitas outras já estiveram ao fazer autópsia num ET. *“Fazer cara de nojo é bem simples, ainda mais com toda aquela gosma que eles colocam dentro do bicho. Até que fiquei bem séria considerando a situação!”*, sorri a atriz.

"Falling Skies" tem uma premissa interessante, a chancela de Steven Spielberg e status de superprodução da TNT \[que parece tentar reenergizar sua grade com o espírito dos áureos tempos de seus fantásticos filmes originais na década passada\], com direito a estréia mundial e tudo mais, mas trilha o sempre complicado caminho da ficção científica. Se mesmo "Battlestar Galactica" com sua qualidade incontestável foi relegada aos sábados em sua última temporada no canal, como manter algo totalmente novo e inferior – visual e dramaticamente – no topo?

O nível de Galactica é alto demais para comparação, aliás. **"Stargate Universe"**, recentemente cancelada pelo **SyFy**, apostou num começo gradativo e estratégico assim como "Falling Skies" e pagou com a vida no final da segunda temporada.

Não há muita paciência no espectador, bombardeado por opções mais aceleradas ou engraçadinhas. Cada vez mais, acertar o tom e o ritmo se faz necessário para fazer sucesso na TV. O piloto da série gera interesse, mas peca pela velocidade e a natureza hollywoodiana de sua produção: todos os principais sobreviventes, especialmente os jovens, são bonitos e sorridentes; saídos diretamente dos catálogos de beldades holllywoodianas. A Ficção Científica já exige suficiente em termos de “suspensão de realidade” para arriscar com meros detalhes.

Caso seus objetivos sejam alcançados e a TNT encontre um horário adequado em sua programação – curiosamente, a estreia brasileira aconteceu simultaneamente nos canais TNT e **Space**, onde "Battlestar Galactica" terminou seus dias - "Falling Skies" pode ser uma alternativa marcante entre o pensamento arrojado da ficção e a profundidade do drama social. Com sucesso e mais orçamento, quem sabe a guerra não seja apresentada num futuro próximo. De qualquer forma vale assistir e tentar desvendar o segredo dos verdadeiros mandantes do ataque que acabou com o mundo que conhecemos.