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# Influenciadores Artificiais: marcas já usam influenciadores não reais em seus projetos
- URL: https://www.b9.com.br/influenciadores-artificiais-marcas-ja-tem-usado-influenciadores-nao-reais-em-seus-projetos/
- Published: 2018-08-23T16:32:53.000Z
- Updated: 2018-08-23T16:32:53.000Z
- Description: Dior, Prada, Diesel e Supreme já apostam em editoriais com modelos virtuais, mesmo os contratos sendo tão caros quanto o de celebridades
- Author: Soraia Alves
- Tags: Criatividade, Social Media, Diesel, dior, prada, Supreme, #wp, #wp-post

O que define um influenciador digital? A grosso modo, um influenciador é alguém popular dentro de uma ou mais plataformas digitais. Essa popularidade vem pelas mais diversas razões, quase sempre devido ao conteúdo produzido, o nicho representado, o papel de liderança... Ou seja, pela influência gerada dentro de uma comunidade de pessoas.

Mas e se isso for aplicado a uma persona criada digitalmente e que não existe "no mundo real", ela também seria um influenciador? Tecnicamente sim, e marcas como **Dior, Prada** e **Supreme** já estão usando desses influenciadores artificiais em seus projetos.

Um dos casos mais conhecidos [é o da modelo ](https://www.b9.com.br/shudu-real-virtual-e-o-paradoxo-da-enganacao/)**[Shudu Gram](https://www.b9.com.br/shudu-real-virtual-e-o-paradoxo-da-enganacao/).** Criada pelo fotógrafo britânico Cameron-James Wilson, que pretendia apenas um modesto projeto de arte, Shudu é sul-africana e modela para a **Fenty Beauty**, marca de cosméticos da cantora **Rihanna**.

Com 140 mil seguidores no[ **Instagram**](https://www.instagram.com/shudu.gram/?hl=pt-br&ref=b9.com.br), a modelo virtual já recebeu propostas de outras empresas que a querem como garota propaganda, mas, segundo Wilson, novos contratos só serão assinados se mantiveram a originalidade da modelo.

https://www.instagram.com/p/BkZ4vailHfo/?utm\_source=ig\_web\_copy\_link

Embora seja "a primeira supermodelo digital do mundo", como apresenta a descrição em seu perfil, Shudu é superada em números por outra influenciadora artificial, **Miquela Sousa**: 19 anos, de Los Angeles, com pai e mãe definidos, modelo de campanhas para marcas como **Supreme, Prada** e **Diesel**, e ativista de causas sociais. Sua conta no Instagram soma mais de 1,3 milhões de seguidores.

Miquela é a criação virtual de **Trevor McFredies** e **Sara Decou**, que ela chama de pais, mas que na verdade são os fundadores da startup [**Brud**](https://docs.google.com/document/d/1V5N5tcfm7wBuUshgrmIOz9ijAO-VRqvkUbGRu0uKdI8/edit?ref=b9.com.br), um estúdio transmídia especializado na criação de narrativas comandadas por personagens digitais. A modelo é, por sinal, o projeto de maior sucesso da startup.

https://www.instagram.com/p/Bl\_6AI6lSkb/?utm\_source=ig\_web\_copy\_link

É claro que a questão sobre a influência de um "não humano" sobre pessoas reais é levantada, mas para as empresas que já trabalham com esses influenciadores artificiais, o esquema não é nada diferente do já usado com os reais. Há sempre uma equipe de pessoas trabalhando por traz dos perfis famosos que acompanhamos nas redes sociais, e com os personagens virtuais é a mesma coisa.

Outro ponto interessante é que tudo é muito claro, ninguém está sendo enganado: marcas e público sabem que esses influenciadores não são pessoas reais. Mesmo que apenas como um ponto em sua descrição no Instagram, Miquela mostra em seu perfil que não é humana - *"19/LA/Robot"*. É bem verdade que grande parte dos seguidores da modelo pode não ter se atentado à descrição, mas ela está lá.

Do ponto de vista financeiro, o contrato com um influenciador artificial não sai, necessariamente, mais barato que o de um influenciador comum. Nos Estados Unidos, os preços cotados para as campanhas com personagens virtuais variam de US$ 5 mil a US$ 100 mil, dependendo da tecnologia necessária para o projeto, o nível de detalhes gráficos e outras especificidades do acordo.

A vantagem, porém, é que a empresa contratante tem menos trabalho e dores de cabeça. Não há questões de horário em agenda, exigências pessoais e tantos outros pontos que envolvem a negociação com influenciadores reais, principalmente com celebridades. Basicamente, a marca encomenda o ensaio, por exemplo, e o recebe pronto.

https://www.instagram.com/p/BmTdRuKll0\_/?utm\_source=ig\_web\_copy\_link

Para o público, pouca coisa muda, já que os influenciadores artificiais mantém idealizações e padrões inalcançáveis como a maioria dos perfis de famosos reais. Nada novo! Ainda assim, casos como o de Shudu levantam outros tipos de questionamentos, como o espaço ocupado por uma modelo negra virtual, criada por um homem branco, quando tantas modelos negras reais não conseguem a mesma visibilidade.

A aposta, no entanto, é que o número de influenciadores artificiais seja cada vez maior, assim como o número de campanhas nas quais eles aparecerão. Afinal, grande parte do engajamento nesses perfis é gerado justamente pela curiosidade do público em ver mais desses não humanos.

- **Leia também:** [Shudu: Real, virtual e o paradoxo da enganação](https://www.b9.com.br/shudu-real-virtual-e-o-paradoxo-da-enganacao/)