> ## Content Index
> Fetch the complete content index at: https://www.b9.com.br/llms.txt
> Use this file to discover other available public pages before exploring further.

# Meta gastou US$ 145 bilhões em IA e agora precisa que você goste dela
- URL: https://www.b9.com.br/meta-filme-pro-ia-ceticismo/
- Published: 2026-07-23T17:22:05.000Z
- Updated: 2026-07-23T17:46:21.000Z
- Description: Filme de 60 segundos produzido pelo time interno estreia com mídia paga em TV e marca a primeira grande declaração da nova CMO
- Author: Carlos Merigo
- Tags: Meta, Criatividade, inteligência artificial, #video

A Meta estreou nesta quinta (23) um manifesto de 60 segundos em defesa da IA, com mídia paga em redes sociais, streaming e TV aberta. O filme responde diretamente ao clima anti-IA que tomou o discurso público, e o tom escolhido foi o desafio. 

> "Pode nos chamar de otimistas, de sonhadores, pode nos chamar do que quiser \[*call us whatever the hell you want*\], mas estamos apostando nas pessoas. E gostamos dessas chances"

A peça intercala a narração com áudios de arquivo de pânicos tecnológicos do passado, vozes antigas alertando sobre telefones e outras novidades que um dia pareceram ameaçadoras. O argumento embutido é conhecido, presente em toda defesa de tecnologia desde a prensa de Gutenberg. Já tiveram medo antes, e o medo passou.

A trilha escolhida é *"Five Years"*, de David Bowie — a faixa que abre *Ziggy Stardust* narrando o dia em que a humanidade descobre que a Terra tem exatamente cinco anos até o fim. Colocar uma canção apocalíptica para embalar um manifesto de otimismo tecnológico é uma escolha ou muito consciente ou muito reveladora. 

Na leitura generosa, a Meta pescou o que a música tem de humano (o narrador vagando pelas ruas, registrando cada rosto enquanto o tempo acaba). Na outra, a marca comprou o pathos de Bowie sem ler a premissa: o relógio da canção corre para o fim do mundo, e *"cinco anos"* é justamente o prazo favorito das previsões sobre superinteligência que o filme existe para acalmar.

Zuckerberg acompanhou o lançamento com [post próprio](https://www.facebook.com/zuck/), reciclando a missão histórica da empresa (*"dar às pessoas o poder de compartilhar, conectar e moldar seu mundo"*) para o novo contexto. E o filme carrega uma segunda estreia. 

Denise Moreno, CMO há três semanas — veterana de 17 anos que entrou na empresa em 2009 como sua primeira profissional de e-mail marketing —, [assinou o lançamento](https://www.linkedin.com/posts/activity-7486005929423888385-pqX8?utm%5Fsource=share&utm%5Fmedium=member%5Fdesktop&rcm=ACoAAAFa5cgBZW9F3yNXlh9BbQaY-wP2pcxfHBo) no **LinkedIn** como primeiro grande movimento da gestão. *"É fácil sentir que o futuro caminha para menos conexão e menos agência. Estamos tomando outra posição"*, escreveu.

Há uma frase do roteiro que merece pausa. O narrador abre acusando *"algumas pessoas"* de querer nos convencer de que a IA vai nos deixar menos conectados. *"Vocês nos deixaram menos conectados"* é a acusação que a Meta ouve há quinze anos — sobre o feed, sobre o algoritmo, sobre o celular na mesa do jantar. A empresa está usando como escudo contra o ceticismo em IA exatamente a crítica que a persegue desde muito antes de IA generativa existir. O *"22 anos e 3,5 bilhões de pessoas depois, estamos dobrando a aposta"* convoca como credencial o mesmo histórico que boa parte do público aprendeu a olhar com desconfiança.

O marketing de IA, pelo visto, deixou de vender produto. O filme da Meta anuncia zero features, zero modelos, zero apps — e nisso ele é irmão gêmeo da campanha que a **Anthropic** lançou na recentemente, [*"There's Hope in Hard Questions"*](https://www.b9.com.br/anthropic-medo-ia-claude-hard-questions/), que abre com uma casa em chamas e a pergunta *"dá pra confiar na IA?"*. 

As duas peças disputam a mesma coisa, que é como o público deveria *se sentir* sobre a tecnologia. A Anthropic escolheu monetizar a dúvida; a Meta escolheu monetizar o otimismo. 

O motivo econômico da campanha tem cifra. A Meta deve gastar cerca de US$ 145 bilhões (por volta de R$ 730 bilhões) em infraestrutura de IA só neste ano — parcela relevante dos mais de US$ 700 bilhões que as big techs despejam na tecnologia em 2026\. Data center gera resistência das comunidades vizinhas, óculos com câmera geram desconfiança, conteúdo sintético no feed gera fadiga. Para o investimento se pagar, o público precisa no mínimo tolerar IA. O filme não vende nada porque o produto dele é... permissão.