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# Os melhores álbuns nacionais de 2020
- URL: https://www.b9.com.br/os-melhores-albuns-nacionais-de-2020/
- Published: 2020-12-21T19:40:56.000Z
- Updated: 2020-12-21T19:40:56.000Z
- Description: Confira a lista do B9 com os álbuns nacionais que foram destaques em 2020
- Author: Soraia Alves
- Tags: Cultura, retrospectiva, #wp, #wp-post

Os impactos da pandemia de Covid-19 na indústria cultural foram enormes, e para os artistas brasileiros não foi diferente. Com a falta de apoio e investimento na cultura nacional, não é surpresa que a situação dos artistas independentes ficou ainda mais delicada, mesmo com a criação de ajudas emergenciais como a **[Lei Aldir Blanc](https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2020/06/30/lei-aldir-blanc-entenda-pacote-de-r-3-bilhoes-para-cultura-com-auxilio-de-r-600-para-artistas-informais.ghtml?ref=b9.com.br)**.

Com tanta dificuldade, é natural que o número de lançamentos nacionais em 2020 tenha sido um tanto menor. Ainda assim, muitos trabalhos de qualidade chegaram ao público e com uma grande diversidade musical. Confira, então, a lista do **B9** com os álbuns nacionais que foram destaques em 2020.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/arthur-melo-adeus.jpg)

### 10\. Arthur Melo - "Adeus"

A arte simples e delicada da capa de *"Adeus"* é uma boa amostra do que encontramos no terceiro álbum de **Arthur Melo**. De sonoridade branda, porém rica em elementos, o disco foi criado no período pré isolamento social, mesmo que traga justamente a temática de solidão e saudade. Totalmente produzido por Arthur, "Adeus" carrega um universo de sentimentos e pesares, bem representado na faixa *"De Lá pra Cá / Tráfego"*, que através de uma descrição de um dia comum, nos dá uma visão muito mais desiludida do ordinário. *"E tudo isso só esperando o carnaval chegar"*, canta Arthur sobre suas expectativas, mas em 2021 nem carnaval deve ter. A espera será ainda mais longa.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/pabllo-vittar-111.jpg)

### 9\. Pabllo Vittar - "111"

Embora *"111"* não seja inovador como **Pabllo Vittar** prometeu, o álbum traz um posicionamento mais seguro da cantora, que explora canções em português, espanhol e inglês, parcerias que passam por **Psirico**, **Ivete Sangalo, Jerry Smith, Thalia** e **Charli XCX**, e especialmente uma gama maior de influências musicais, ainda que a base pop tecnobrega se mantenha forte, como no hit *"Amor de Que"*. É impossível não citar *"Rajadão"* como sendo a maior experimentação de Pabllo até agora, que além de explorar todo o potencial vocal da cantora, traz uma interessantíssima mistura de influências do gospel brasileiro e da música eletrônica.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/lucas-boombet-nem-tudo-e-close.jpg)

### 8\. Lucas Boombeat - "Nem Tudo É Close"

*"LGBT resiste! LGBT insiste! LGBT persiste / Quando seu pai olha pra sua cara / E diz que prefere seu filho no crime"*. Os versos que estão na faixa *"Guerreiros e Guerreiras"* sintetiza o trabalho de **Lucas Boombeat**: resistência. Para além das letras diretas e que expressam muito das experiências pessoais do cantor, o trabalho direcionado pelo produtor musical **Vibox** também é uma representação de todas as influências musicais de Lucas, que se autodefine como *"um mistura de bicha com maloqueira"*. Do trap ao reggae, tudo é bem dosado em *"Nem Tudo É Close"*, que ainda traz uma estética visual inspirada na série **"Pose"**.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/rico-dalasam-Dolores-Dala-Gurdio-do-Alivio.jpg)

### 7\. Rico Dalasam - "Dolores Dala Guardião do Alívio"

*"Dolores Dala Guardião do Alívio"* é um EP de apenas 5 faixas, mas é o suficiente para colocar **Rico Dalasam** entre os destaques de 2020\. Extremamente íntimo e confessional, o álbum traz reflexões significativas, como em *"Vividir"*: *"São tantos os pedaços / Soltos pelo mundo / Juntos num abraço"*. O disco realmente é marcado por sensibilidade, ainda que não poupe críticas como na maravilhosa *"Braille"*: *"Pra que tanto número, se a alma flopa? /Não tem guarda-sol, quando o corpo frita / Eu tô no Brasil e pra muitos aqui / O futuro é um caminhão-pipa"*. Um trabalho conciso e primoroso.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/Tata-Aeroplano-Delirios-Liricos.jpg)

### 6\. Tatá Aeroplano - "Delírios Líricos"

Com faixas longas, algumas beirando os 7 minutos, *"Delírios Líricos"* é o sexto e belíssimo álbum de **Tatá Aeroplano**. Com arranjos detalhistas, o trabalho traz referências diversas da música brasileira, que na maior parte do tempo nos lembra a fase anos 70 de **Roberto Carlos**. Canções como *"Amoras na Beira do Rio"* trazem uma melancolia reconfortante, enquanto a calmaria de *"Delírios Líricos"* (faixa-título) abre espaço para uma psicodelia inesperada. Outro destaque é "*Ressurreições"*, que nos moldes de composições do **Nando Reis** ressalta a mensagem simples e certeira *"só o amor é capaz de matar o medo"*.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/mahmundi-mundo-novo.jpg)

### 5\. Mahmundi - "Mundo Novo"

**Marcela Vale** entrega mais um trabalho cheio de particularidades e ternura. Depois do ensolarado *"Para Dias Ruins"*, de 2018, **Mahmundi** explora novas estéticas em *"Mundo Novo"*, menos sintéticas e mais acústicas. É, de fato, um novo passo na carreira da cantora, mas que consegue se conectar com o pop oitentista dos trabalhos anteriores enquanto explora mais elementos da MPB. A delicadeza das letras é sempre um destaque nas canções de Marcela, principalmente porque combinam de forma poética com sua voz. Bons exemplos disso são as faixas *"Convívio"* e *"Nós de Fronte"*. Porém, é em *"Sem Medo"* que a nova estética de Mahmundi chama mais a atenção, afinal, como ela mesma diz: *"Tudo é pra aprender, tudo é pra evoluir"*.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/marcelo-d2-Assim-Tocam-Os-Meus-Tambores.jpg)

### 4\. Marcelo D2 - "Assim Tocam Os Meus Tambores"

Criado durante o período de isolamento social, *"Assim Tocam Os Meus Tambores"* tem um processo de produção diferenciado. O álbum foi gravado através de mais de 150 horas de transmissões pelo **Twitch**, o que permitiu a colaboração de muitos artistas como **Baco Exu do Blues, Juçara Marçal, BK, Criolo, Russo Passapusso, Jorge Du Peixe, Don L** e **Djonga**. O resultado da produção é curioso, além de colocar **Marcelo D2** ao lado da nova cena do rap nacional, o que ajuda não só a revigorar a imagem de D2, mas também trazer novas sonoridades ao seu trabalho. Essas sonoridades, no entanto, são plurais indo da poesia declarada com Criolo em *"Tambor, o Senhor da Alegria"* ao resgate do manguebeat em *"Malungoforte"*, que traz um sample de *"A Praieira",* da **Nação Zumbi**. *"Assim Tocam Os Meus Tambores*" é um refresco bem-vindo à obra de Marcelo D2.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/letrux-letrux-aos-prantos.jpg)

### 3\. Letrux - "Letrux Aos Prantos"

As letras debochadas e extremamente criativas de **Letícia Novaes** estão de volta em seu segundo álbum, uma produção mais rebuscada que a do álbum anterior *"Letrux Em Noite de Climão"*. O trabalho traz muitos fragmentos das desilusões amorosas de Letícia, mas também é uma exposição de ansiedades e medos que dá um tom muito mais introspectivo às canções. Essas reflexões fazem de *"Letrux Aos Prantos"* o dia seguinte dos excessos vividos no disco anterior. É uma boa sequência, pesada e ressacuda como um domingo. O jeito é reclamar da vida (*"Eu Estou Aos Prantos"*) e reviver tudo de novo (*"Déjà-vu Frenesi"*).

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/jup-do-bairro-corpo-sem-juizo.jpg)

### 2\. Jup do Bairro - "Corpo Sem Juízo"

Ouvir o primeiro disco de estúdio de **Jup do Bairro** é uma experiência incrível. Enquanto a voz grave denuncia racismo, transfobia e desigualdade social, a sonoridade passeia por influências do rock ao funk. *"Corpo Sem Juízo"* é um álbum que nos arranca diversas reações. É fácil rir com os versos *"Na saída já sacava um Halls /Dar uns beijinho no escadão, hum, nada mal /Com as meninas era mais legal / Pois eu sempre ficava com brilho labial",* de *"O Corre"*. Já em *"Luta Por Mim"*, o sentimento é de aflição ao ouvir *"Virei postagem na sua rede social / 'Cê lamentou e escreveu sobre a repressão policial / Sua hashtag foi o ponto final"*. O trabalho todo tem pontos interessantíssimos, como o hard rock da parceria com **Deize Tigrona** e a ótima "*All You Need Is Love*" com **Rico Dalasam** e **Linn da Quebrada**.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/djonga-historis-da-minha-are.jpg)

### 1\. Djonga - "Histórias da Minha Área"

Desde a emblemática capa, cujo conceito visual lembra a estética de *“To Pimp a Butterfly”* de **Kendrick Lamar**, *["Histórias da Minha Área"](https://www.b9.com.br/djonga-historias-da-minha-area-critica-review/)* é um soco no estômago que mantém o "rap raiz" de **Djonga** e retrata a violência contra a população negra nas periferias brasileiras. As 10 músicas do álbum mantém batidas e arranjos mais simples em meio às variações de flow, além de influências bem sutis de outros gêneros, com um pouco mais de ousadia em faixas como *“Mania”* (feat **MC Don Juan**) e *“Oto Patamá”*. A crueza dos arranjos, no entanto, são embalos perfeitos para Djonga apresentar crônicas sobre "sua área”, que é mais uma situação social que um espaço físico.

Com produção de **Coyote Beatz**, “Histórias da Minha Área” é um retrato de um Brasil elitista que prega meritocracia, marginaliza a favela, e é tão egoísta quanto incapaz de promover qualquer mudança positiva para quem tem menos. A cada um só cabe ser o protagonista de sua própria história, como o próprio rapper. A nós também cabe ouvir Djonga e só aprender.