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# Com painel objetivo, Paramount retorna à CCXP apostando na nostalgia
- URL: https://www.b9.com.br/paramount-retorna-a-ccxp-apostando-na-nostalgia/
- Published: 2018-12-07T12:52:13.000Z
- Updated: 2018-12-07T12:52:13.000Z
- Description: De volta ao evento após um ano de hiato, estúdio apostou em “Bumblebee” para cativar atenção do público e trouxe conteúdos de “Rocketman” e “Cemitério Maldito” (além de uma espiadinha no filme do Sonic)
- Author: Pedro Strazza
- Tags: Brasil, Cultura, CCXP, paramount, sonic, #wp, #wp-post, Paramount+, Entretenimento

2017 não foi um bom ano para a **Paramount Pictures**. Um dos estúdios mais tradicionais de Hollywood, ela embalou uma sequência de fracassos no ano passado que incluíram **"Transformers: O Último Cavaleiro"**, o último capítulo da série dirigido por Michael Bay que acabou tendo sua bilheteria seriamente afetada pela má reputação agremiada à franquia e seu realizador ao longo dos anos. A situação beirou tanto à crise que a empresa teve que aplicar alguns planos de contingência, que além de vender os direitos de distribuição de **"Aniquilação"** e **"The Cloverfield Paradox"** à Netflix incluiu a decisão drástica de pular a quarta edição da **Comic Con Experience**, onde sequer teve estande.

Os últimos meses, porém, foram capazes de reverter esta situação a um ponto mais equilibrado, e graças ao sucesso avassalador de projetos como [**"Um Lugar Silencioso"**](https://www.b9.com.br/um-lugar-silencioso-usa-do-horror-para-conduzir-drama/) e [o último **"Missão: Impossível"**](https://www.b9.com.br/ambicao-a-faca-de-dois-gumes-de-missao-impossivel-efeito-fallout/) o estúdio conseguiu retornar à CCXP a tempo de seu quinto ano de vida. De volta ao evento e ao **auditório Cinemark**, a Paramount fez uma apresentação contida mas extremamente focada, alinhada com um planejamento que envolvia acima de tudo o objetivo de garantir o sucesso de seus próximos projetos para evitar um novo cenário desastroso - e a chave para alcançar isso, como tudo na indústria de hoje, foi apostar todas as fichas na nostalgia do público do evento sobre marcas e produções do passado.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2018/12/Painel-Paramount-3.jpg)

(créditos: I Hate Flash)

Não à toa, o painel da empresa começou com um vídeo direto ao ponto e quase calculado de **"Rocketman"**, cinebiografia com tiques de fantasia da carreira de Elton John que será lançado no primeiro semestre de 2019\. Introduzido na peça sem nenhuma cerimônia, o diretor Dexter Fletcher deu ao público da audiência uma palhinha da voz do ator Taron Egerton sem qualquer mixagem envolvida (isso segundo ele, pelo menos) e contou à audiência uma dessas histórias mágicas onde o filme começa a ser produzido pelo encontro acidental de pessoas muito criativas - no caso ele, Egerton e o próprio músico, que há tempos tem o roteiro do projeto finalizado. A ideia deu muito certo: a performance vocal do ator para *"Don't Let the Sun Go Down On Me"* despertou aplausos entusiasmados dos presentes, aquecendo a plateia para a introdução de **Lorenzo di Bonaventura**, **Paolla Oliveira** e **Guilherme Briggs**.

### Cemitério atropelado

*"Alguns filmes e histórias são perpétuas"* foi quase que literalmente a primeira coisa que Lorenzo di Bonaventura pronunciou no palco do auditório, depois da rodada de palmas do público. Nome importante em Hollywood e um dos grandes responsáveis pela introdução e sucesso desta reencarnação da franquia **"Transformers"** nos cinemas, o produtor foi o principal convidado do estúdio para o painel deste ano e estava ali para divulgar o remake de **"Cemitério Maldito"** e **"Bumblebee"**, duas produções que acima de tudo tem nas reminiscências da audiência com o imaginário dos anos 80 sua maior aposta - o primeiro por conta da versão anterior e dirigida por Mary Lambert, o último por se passar na década e ser um "retorno às origens" da marca.

Mas ainda que os dois projetos contem com o envolvimento direto de Bonaventura, o interesse maior da Paramount era claramente com o derivado da saga dos Autobots contra os Decepticons. Depois de responder duas ou três perguntas sobre a nova adaptação do livro escrito por Stephen King - que no máximo envolveram algumas declarações gerais do nível de *"É uma história pequena com um cenário pequeno, mas temas grandes"* e *"Parecia a hora certa para explorá-la* \[a história\] *novamente"* \- e assistir na telona do espaço o trailer já lançado do longa, o produtor logo se viu juntado da dupla de dubladores do novo "Transformers" para discutir o novo momento da franquia nos cinemas. Era uma abordagem que fazia sentido aos propósitos do estúdio: enquanto "Cemitério" precisa do mistério para atrair seu espectador ao cinema, a plateia do auditório Cinemark estava ali para ser convencida de que a série estava mesmo tomando rumos diferentes do que seu viu nos últimos anos.

Neste sentido, a apresentação da Paramount foi extremamente bem sucedida em seus propósitos. Ancorado por comentários de Briggs e Oliveiras em cima de suas declarações, Bonaventura reiterou continuamente a noção de que o spin-off focado no fusca amarelo retornaria a marca a um conjunto de valores mais simples em relação ao que já foi visto. *"Nós ouvimos os fãs"* afirmou o produtor em determinado momento, que também comentou sobre como a ambientação do novo longa é uma volta à primeira geração de Transformers e a *"uma época mais inocente"*, algo que no projeto dirigido por Travis Knight é traduzido até na representação dos robôs: *"Nós queríamos dar uma nova experiência. Os robôs tem menos partes, eles se movimentam de forma mais truncada, o público poderá entender como eles se transformam e se movem!"* afirmou o executivo a certa altura.

Elogios à Knight também não faltaram, assim como comentários sobre empoderamento feminino vindos de Paolla Oliveira sobre sua personagem, uma vilã Decepticon que é a primeira do tipo nesta sequência de live-actions. A ideia que parece central à "Bumblebee" e buscou ser repassada pela Paramount à plateia do auditório é de que o longa é acima de tudo leve (*"A maior discussão que tivemos no set foi sobre qual música incluir na trilha sonora"*) e bem intencionado, distante das megalomanias de Bay e pautado nas ligações entre a jovem protagonista vivida por Hailee Stenfield e o Autobot em uma faceta mais adorável e similar ao visual do desenho animado dos anos 80\. Para coroar tudo isso, o trailer estendido exibido no painel reiterou esta proposta ao mesmo tempo que dava um pouco mais de detalhes sobre a premissa do filme, que deve mostrar um Bumblebee desmemoriado e sendo perseguido pelos Decepticons; robôs e explosões, claro, não faltaram à peça.

Mas ainda que o propósito do evento tenha sido este, a noção maior que prevaleceu na apresentação da Paramount foi a de um direcionamento maior da empresa em direção à capitalização da nostalgia, uma tendência percebida e explorada por todos os seus outros grandes rivais no mercado. A vinheta final do painel com os próximos projetos do estúdio, inclusive, pareceu um grande resgate de marcas e produções muito queridas do público, incluindo **"G.I. Joe"**, **"Clifford"**, **"Dungeons and Dragons"**, **"Dora, a Aventureira"**, **"Top Gun: Maverick"** e o filme do **"Sonic"** que ganhou seu primeiro vislumbre na CCXP - e se vale o comentário, a versão em "carne e osso" do personagem parece bastante felpudinha.