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# Parklife: a obra-prima do Blur
- URL: https://www.b9.com.br/parklife-a-obra-prima-do-blur/
- Published: 2012-05-17T15:40:11.000Z
- Updated: 2012-05-17T15:40:11.000Z
- Author: Felipe Cotta
- Tags: Cultura, britpop, londres, reino unido, #wp, #wp-post

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2012/05/parklife_cd_cover_big.jpg)

O **Blur** está se reunindo para alguns shows na Inglaterra e vai ter a honra de fazer a apresentação de encerramento das **Olimpíadas de Londres**. Certamente uma honra para a banda, e certamente um presente para o evento e para os fãs, de ter a chance de ver mais uma vez ao vivo um dos grupos mais emblemáticos do Reino Unido nos últimos 20 anos.

> O primeiro disco do Blur é de 1991\. Era o início de uma década que foi muito generosa para o rock.

\[quoteleft\]...reafirmou a fertilidade da Inglaterra como a maior fornecedora de inovadoras e criativas bandas pop do mundo\[/quoteleft\]Começou premiando bandas consagradas (**Metallica, Red Hot Chili Peppers**) com um sucesso mundial inédito, como recompensa por suas contribuições à cultura roqueira. Depois mostrou que o rock ainda sabia se re-inventar, com o advento do grunge e do surgimento de bandas ótimas como **Soundgarden, Nirvana** e **Alice in Chains** e **Pearl Jam**.

E, finalmente, reafirmou a fertilidade da Inglaterra como a maior fornecedora de inovadoras e criativas bandas pop do mundo.

Em meados de 1994-1995, um fenômeno chamado **Oasis** conquistava o planeta com sua **Wonderwall** e trazia todos os holofotes da Terra para Londres. Naquela cidade, o povo acompanhava de perto cada lançamento dos irmãos Gallagher e de seus arqui-rivais, o Blur. Era a *“briga do momento”*. A cada single, uma banda queria superar a outra, queria mostrar que era mais criativa que a outra (essa o Blur ganhou fácil), queria mostrar que era mais amada que a outra. E, enquanto disparavam música atrás de música na conquista pelo gosto do público, injetavam uma dose cavalar de qualidade na música pop daquele país.

> Um dos frutos dessa efervescência criativa é uma pequena obra-prima chamada Parklife.

Versátil até não poder mais, Parklife é o disco que consagra a inteligência e a evolução do Blur desde a crueza de Leisure, e transforma esta numa das mais brilhantes bandas inglesas que já existiram.

As 16 músicas do álbum traçam um minucioso retrato do cotidiano britânico dos anos 90\. E, graças à esperteza lírica de **Damon Albarn** e à inacreditável e surpreendente criatividade de **Graham Coxon** para compor elegantes linhas de guitarra, o Blur fez um álbum extremamente coeso.

Com letras espertas e pegajosas, músicas como a dançante **Girls & Boys** e a vigorosa **End Of a Century** se transformaram em clássicos instantâneos entre o público jovem inglês.

> Eram, enfim, os versos que aqueles jovens queriam berrar há tempos, mas ninguém ainda havia escrito.

\[quoteleft\]É tão boa, tão provocativa que fica impossível não se render ao brilhantismo da idéia\[/quoteleft\]Finalmente eles tinham uma banda porta-voz. Uma banda que tinha traduzido fielmente seus sentimentos, que falava sobre eles, que mostrava quem eles realmente eram, que valorizava o que eles pensavam. E, assim, sentiam orgulho de gostar da banda mesmo quando eram satirizados por ela.

A música **Parklife** é uma hilária e inteligente paródia sobre a tradição e o jeito de ser do inglês. É tão boa, tão provocativa que fica impossível não se render ao brilhantismo da idéia. Só uma banda muito auto-confiante e muito segura do que está fazendo pode se atrever a cutucar o seu público desta maneira. E Parklife – a música - tornou-se um hino de sua época.

Além da faixa-título, o álbum transborda brilhantismo em músicas divertidas (**Tracy Jacks, Bank Holiday e Magic America**), em músicas épicas e densas (**This Is a Low**) e em músicas melancólicas, como **Badhead** e **To The End**. Esta última, em particular, a minha preferida do disco e talvez da banda. É um pop que chega a ser violento de tão bonito. É mais um gratificante presente da versatilidade desta banda incrível.

Apesar do inevitável discurso passional, eu garanto que você pode acreditar em mim. Parklife é um primor pop.