> ## Content Index
> Fetch the complete content index at: https://www.b9.com.br/llms.txt
> Use this file to discover other available public pages before exploring further.

# Participação feminina contribui para explosão do Carnaval de rua em São Paulo
- URL: https://www.b9.com.br/participacao-feminina-contribui-para-explosao-do-carnaval-de-rua-em-sao-paulo/
- Published: 2020-02-18T13:31:41.000Z
- Updated: 2020-02-18T13:31:41.000Z
- Description: Mudança no perfil dos blocos de rua e o avanço das pautas feministas ajudaram na mudança de cenário
- Author: Soraia Alves
- Tags: Brasil, Cultura, Carnaval, mulheres, são paulo, #wp, #wp-post

Este ano, pela primeira vez na história do Carnaval, o número de blocos que desfilarão na cidade de São Paulo será maior que o do Rio de Janeiro. São esperados 796 blocos nas ruas da capital paulista, de acordo com a **Secretaria Municipal de Cultura**, enquanto o RJ terá 731.

Para **Gisele Jordão**, produtora cultural e coordenadora de Cinema e Audiovisual da ESPM São Paulo, essa explosão do Carnaval paulistano deve muito à participação das mulheres: *"São Paulo mostra uma tendência de retomada dos espaços públicos durante as festividades, e muito disso é explicado pela crescente participação das mulheres"* afirma.

De acordo com produtora cultural, a mudança no perfil dos blocos de rua e o avanço das pautas feministas contribuíram para essa mudança de cenário. Hoje, o ambiente nos blocos e nas ruas é mais favorável para as mulheres do que há 10 anos*: Elas assumiram papéis de liderança e a organização de vários blocos em São Paulo"*, explica.

Há cerca de 10 blocos criados e liderados por mulheres na cidade. Dois exemplos são o **Pagu** e o **As Obscênicas**. **Mariana Bastos**, cineasta e uma das organizadoras do Pagu, conta que inicialmente a ideia era homenagear grandes cantoras brasileiras, mas que o objetivo do bloco mudou de rumo: *"Conforme amadurecemos a ideia, nos demos conta que o Carnaval também envolvia questões sociais sensíveis para as mulheres, em especial a questão da violência"*.

A arquiteta **Lara Lima**, uma das idealizadoras do bloco As Obscênicas, também destaca a violência e a falta de representatividade como os principais problemas de muitos blocos que não trazem mulheres na organização: *"O Carnaval ainda é um ambiente muito masculino e isso se reflete na organização dos blocos. Por conta dessa estrutura, as mulheres acabam não tendo voz como deveriam. Muitas mulheres chegaram até nós insatisfeitas com o ambiente do Carnaval, inclusive relatando diversas formas de abuso e assédio."*

Apesar dos problemas sociais que motivaram a formação dos blocos femininos, ambas organizadoras dizem que houve avanços nos últimos anos, especialmente pelo aumento da participação das mulheres nos blocos como o reflexo de uma movimentação social mais ampla*, "que também contempla o avanço feminino em outras áreas antes dominadas pelos homens, como a política e o mundo corporativo"*, diz Mariana.

As organizações de 31 blocos paulistanos declararam ter expectativa de público superior a 100 mil pessoas. Segundo a **SPTuris**, o público no Carnaval de rua paulistano saltou de 1,5 milhão de foliões em 2015 para 14 milhões em 2019\. No mesmo período, as mulheres ampliaram a sua fatia no total de foliões, passando de 46,9% para 54,1%.