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# Pesquisa sobre diversidade na publicidade mostra que Brasil ainda precisa quebrar estereótipos
- URL: https://www.b9.com.br/pesquisa-sobre-diversidade-na-publicidade-mostra-que-mercado-brasileiro-ainda-precisa-quebrar-estereotipos/
- Published: 2018-12-12T17:34:20.000Z
- Updated: 2018-12-12T17:34:20.000Z
- Description: Mesmo evoluindo, mercado nacional ainda precisa se conectar com os consumidores de forma mais relevante
- Author: Soraia Alves
- Tags: Brasil, Criatividade, brasil, #wp, #wp-post

A agência **Heads**, em parceria com a **ONU Mulheres**, divulgou uma nova edição de sua pesquisa sobre a representatividade de gênero e raça na publicidade brasileira. A sétima edição do estudo **"TODXS – Uma análise da representatividade na publicidade brasileira"** mostra que, apesar de estar em evolução, o mercado nacional ainda precisa quebrar estereótipos e se conectar com os consumidores de forma mais relevante.

As propagandas exibidas na TV e os posts de marcas nas redes sociais, apesar de estarem em um notório processo de evolução e mudanças, ainda reforçam estereótipos e continuam a não representar a real diversidade de raças e gêneros da nossa sociedade.

A agência monitorou todos os comerciais veiculados nos canais de televisão (aberta e fechada) de maior audiência no país durante uma semana (de 23 a 29 de julho de 2018). Nas 2.149 inserções analisadas foi possível perceber que há de fato um impacto perceptível das discussões sobre equidade de raças e gêneros na publicidade brasileira, apesar de ainda estarmos distantes do ideal de representatividade na propaganda.

O dado que melhor sinaliza essa evolução é o número de protagonistas negras, que chegou a 25% de participação nas peças publicitárias, maior percentual visto pelo estudo até hoje. Já quando falamos sobre protagonistas homens e negros, os dados ainda são muito baixos.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2018/12/unnamed-5.png)

Quando olhamos os coadjuvantes, o percentual de negros é bem mais representativo, podendo ser maioria em alguns casos. Isso significa que a diversidade ainda fica em segundo plano e o protagonismo continua majoritariamente branco.

Até a pesquisa anterior, as histórias que empoderavam mulheres negras estavam restritas a demonstrar autoestima e domínio sobre seu destino. A onda recém lançada, porém, mostra as mulheres negras sendo protagonistas por novos e amplos aspectos, como sendo reconhecidas por seus talentos, empreendendo, etc. Além disso, há uma maioria de mulheres negras anônimas protagonistas em relação às celebridades - dado considerado pela agência como positivo pois normatiza a presença de negras em situações de consumo.

Esses dois fatores em conjunto significam um salto qualitativo na representação das mulheres negras na publicidade brasileira.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2018/12/unnamed-4.png)

Para Isabel Aquino, diretora de planejamento da Heads e responsável pelo estudo, o público *"recebe, em média, 5 mil mensagens publicitárias por dia. Mesmo não memorizando todas essas mensagens, inevitavelmente acumulamos conteúdos e informações que impactam a nossa maneira de enxergar e entender o mundo. A realidade social em que vivemos e os dados do estudo mostram que ainda estamos distantes de um ideal de equidade"*, explica.

A pesquisa também traz dados sobre as representações e seus papéis nos filmes: os segmentos de produtos de limpeza, telecomunicações, alimentos, beleza e cosméticos e produtos farmacêuticos utilizam totalmente ou quase totalmente da imagem da mulher. No caso dos homens, os segmentos responsáveis por usar suas imagens são sites e aplicativos, seguradoras, entretenimento, combustíveis, construção e eletrônicos.

Já os setores das indústrias farmacêuticas, bebidas alcoólicas, automóveis e educação foram identificados como aqueles com nenhuma ou praticamente nenhuma presença de negros em suas comunicações.

Essas informações deixam clara a persistência dos estereótipos no mundo da publicidade e também mostram que apesar de a questão estar sendo amplamente discutida, o avanço ainda acontece em um ritmo muito lento.

Outro dado interessante é a análise sobre quantos protagonistas negros tem traços negróides (cabelo crespo, pele mais escura, nariz e lábios grossos). Dentre os homens negros protagonistas, o percentual foi ótimo: 70%. Já entre as mulheres, os números não são os melhores: apenas 47%, menos da metade. Ou seja, a maioria das protagonistas negras são mulheres de tom de pele mais claro, com traços finos e cabelo liso ou alisado.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2018/12/unnamed-6.png)

Essas, e outras informações do estudo, ajudam a identificar as mudanças pelas quais a publicidade está passando. *"Há uma evolução no pensamento das marcas, mas ela ainda não acontece na velocidade em que se espera. Existe uma grande oportunidade para as marcas contribuírem com a discussão e, ao mesmo tempo, criarem valores e incrementar o negócio. Nada vai mudar se as pessoas não mudarem seus pensamentos, pré-conceitos e julgamentos"*, completa Isabel.