> ## Content Index
> Fetch the complete content index at: https://www.b9.com.br/llms.txt
> Use this file to discover other available public pages before exploring further.

# Petra Costa removeu armas de foto histórica em “Democracia em Vertigem” e avisou ninguém
- URL: https://www.b9.com.br/petra-costa-removeu-armas-de-foto-historica-em-democracia-em-vertigem-e-avisou-ninguem/
- Published: 2019-07-30T18:22:25.000Z
- Updated: 2019-07-30T18:22:25.000Z
- Description: Registro da Chacina da Lapa foi editado digitalmente pela produção para desfazer manipulação da polícia militar sobre o caso, mas esta informação não está presente em nenhum ponto do filme
- Author: Pedro Strazza
- Tags: Brasil, Cultura, #wp, #wp-post

[Uma reportagem lançada hoje](https://piaui.folha.uol.com.br/memoria-desarmada/?doing%5Fwp%5Fcron=1564504755.8553979396820068359375&ref=b9.com.br) (30) pela revista **Piauí** divulgou ao público um detalhe do documentário **"Democracia em Vertigem"** que passou batido na época do lançamento do filme no catálogo da **Netflix**: uma das fotografias usadas pela diretora **Petra Costa** para recontar o processo histórico e político do país foi manipulada digitalmente para apagar a presença de duas armas.

O registro, no caso, faz parte do arquivo de fotos do **Instituto de Criminalística de São Paulo** e é datada do dia 27 de dezembro de 1976 que é o mesmo dia da **Chacina da Lapa**, evento que resultou na execução de dois dirigentes do **Partido Comunista do Brasil** (PCdoB) por forças militares-policiais do Segundo Exército no bairro da Lapa. Embora a foto mostre a presença de uma carabina Winchester e um revólver Taurus, quando ela surge no filme - na altura do sexto minuto - estes dois elementos não se encontram presentes.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2019/07/democraciemvertigem2.jpg)

Reprodução da foto presente no Instituto de Criminalística de São Paulo

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2019/07/democraciemvertigem1.jpg)

Reprodução da foto, com as armas digitalmente apagadas, em "Democracia em Vertigem"

Procurada pelo veículo sobre a questão, Costa declarou que a foto foi editada para desfazer uma manipulação que a polícia militar praticou na época sobre as vítimas da chacina, no caso o jornalista Pedro Pomar (que a cineasta declara no longa ter sido mentor de seus pais) e do sindicalista Ângelo Arroyo. *"Há um debate significativo sobre a veracidade das armas nesta cena, com muitos comentários."* escreveu Costa à Piauí; *"E até a própria Comissão da Verdade trouxe evidências para as alegações de que a polícia plantou as armas após a morte de Pedro, e por isso optei por remover esse elemento e homenagear a Pedro com uma imagem mais próxima à provável 'verdade'."*.

No e-mail, Costa também afirma que se inspirou no trabalho de Werner Herzog e Joshua Oppenheimer sobre a *"busca pela verdade extática de uma história"* para realizar o ato: *"Neste caso, afirmo que a imagem da morte de Pedro foi marcada por essas armas colocadas ao redor do seu corpo após sua morte. E senti uma oportunidade para corrigir um erro percebido por muitos."*.

A posição da diretora é tão embasada quanto parece sobre as circunstâncias que cercam o assassinato de Pomar e Arroyo, incluindo aí um relatório da **Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos** que indica ainda que os corpos foram rearranjados pelos militares para legitimar os atos. O problema é que esta informação da edição não está presente em nenhum ponto do documentário, seja no momento da inserção da foto ou mesmo nos créditos finais onde a produção indica em qual arquivo a foto se encontra atualmente.

A edição digital da fotografia era desconhecida até mesmo entre parte da equipe de pós-produção do filme, incluindo aí Eduardo Escorel que trabalhou quatro meses no projeto como consultor de montagem. À Piauí, Escorel afirma que só tomou conhecimento da remoção dos elementos na época do lançamento, e à revista critica a decisão de não divulgar ao público a informação: *"Mesmo quando o documentário trabalha com elementos ficcionais, de recriações, e mesmo neste caso, o espectador precisa estar advertido sobre o que está vendo. Adulterar uma imagem qualquer e fazer essa imagem passar por algo que ela não é, acho um procedimento equivocado"* declara o montador.