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# Em ano de tributos do pop à disco music, Miley Cyrus faz de "Plastic Hearts" sua homenagem ao rock
- URL: https://www.b9.com.br/plastic-hearts-miley-cyrus-critica-review/
- Published: 2020-12-01T22:50:23.000Z
- Updated: 2020-12-01T22:50:23.000Z
- Description: Com álbum pop rock, cantora explora melhor fase de sua carreira camaleônica de altos e baixos
- Author: Soraia Alves
- Tags: Cultura, pop, rock, #wp, #wp-post

Desde que se despediu de Hannah Montana, **Miley Cyrus** se transformou em uma cantora pop com uma postura de "faço o que bem quero", e isso inclui vivenciar as mais diversas fases em sua carreira. Da era "drogas, nudez e twerk" de *"Bangerz"* à fase "sosseguei, casei e abracei o country novamente" de *"Younger Now"*, Miley está sempre muito diferente de um álbum para outro. É natural, portanto, que a Miley Cyrus pós divórcio apresente uma outra facete da cantora em *"Plastic Hearts"*. A surpresa, porém, é que o novo caminho talvez seja o que mais combinou com ela até agora: o rock.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/12/miley-cyrus-plastic-herts-album-cover.jpg)

Antes de qualquer coisa, é preciso entender que "Plastic Hearts" não tem nada que você já não tenha ouvido antes, assim como alguns dos melhores lançamentos de 2020 (**Dua Lipa, Kylie Minogue** e **Jessie Ware**), que revisitaram as décadas passadas do pop, em especial a disco music. O trabalho de Dua Lipa, que inclusive leva o nome de *["Future Nostalgia"](https://www.b9.com.br/dua-lipa-future-nostalgia-review/)*, é o melhor exemplo de que não é preciso "inventar a roda" para entregar um álbum de qualidade. É isso que Miley Cyrus também faz em "Plastic Hearts", porém sua homenagem vai para o rock, mais especificamente para a vertente pop rock, um dos nichos de maior popularidade.

Os grandes acertos de "Plastic Hearts" acontecem justamente quando a produção usa do mote "repaginar com classe o que já ouvimos um dia". É o caso do indiscutível hit *"Midnight Sky"*, que desde a primeira audição nos transporta para *"Edge of Seventeen"*, de **Stevie Nicks**. Não à toa, o disco também traz um remix das duas canções, num raro caso de remix que dá certo.

> Outro acerto inquestionável é a parceria com **Dua Lipa,** *"Prisioner"*, uma referência clara à *"Physical"*, de **Olivia Newton-John**. Já os covers de *"Heart of Glass"* (**Blondie**) e, especialmente, *"Zombie"* (**The Cranberries**) são as verdadeiras pérolas do álbum por toda a intensidade vocal e instrumental aplicada nas canções.

"Plastic Hearts" passeia por tudo aquilo que o pop rock sempre flerta: punk, glam rock, country, o rock farofa dos anos 1980, as baladas "love metal". A faixa de abertura, *"WTF Do I Know"*, é um exemplo de punk adolescente que combinou demais com a voz rouca e estridente de Miley. Mas é claro que nesse passeio também há deslizes, como o dueto bem fraco com **Billy Idol** em *"Night Crawling"*. A música até lembra *"White Wedding"*, do próprio Idol, mas é totalmente dispensável.

> A parceria com **Joan Jett**, *"Bad Karma"*, também ficou bem abaixo do que poderia ser, ainda que a produção de **Mark Ronson** (apenas nessa música) traga um vigor com a bateria marcada.

*"Gimme What I Want"*, faixa que lembra o rock alternativo do **Nine Inch Nails**, deixa ainda mais evidente uma forte característica do álbum todo: como grande parte do pop rock, esse é um disco plástico. Isso quer dizer que todas as influências do rock se mantém apenas na superfície, não há profundidade ou grandes explorações. Mas esse é o objetivo, essa é a dosagem do pop rock. É ouvir *"Angels Like You"* e pensar em **Guns N' Roses** e seus momentos mais cafonas. Ou ainda se lembrar da dramaticidade de **Bon Jovi** ouvindo *"Never Be Me"*.

Assim como outros lançamentos do universo pop em 2020, "Plastic Hearts" é um resgate daquilo que já ouvimos e já gostamos - ou não. Miley Cyrus não inventou nada aqui, apenas abraçou acordes de guitarras, baixo e bateria, e um visual saído do filme **"The Runaways"**. E tudo bem. Ela não é Stevie Nicks ou Joan Jett, ela só está mirando em seus ídolos enquanto fala da nova vida de solteira, do quanto odeia a monogamia e sobre como se sente livre, inclusive para ter sua fase rockeira por quanto tempo quiser.

O rock ganhou seu tributo em 2020, e nós lembramos que ele sempre dá um ótimo match com o pop. Além disso, agora também sabemos que Miley Cyrus nasceu para cantar um bom rock, coisa que ela mesma percebeu: *"Eu nasci para fazer o álbum que acabei de lançar!"*.

\[notadocritico\]