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# Quebrar a barreira supersônica pode também redefinir sucesso
- URL: https://www.b9.com.br/quebrar-a-barreira-supersonica-pode-tambem-redefinir-sucesso/
- Published: 2025-03-11T19:41:03.000Z
- Updated: 2025-03-11T19:41:03.000Z
- Description: E, de quebra, encurtar distâncias
- Author: Juliana Vilhena Nascimento
- Tags: Tech, SXSW, #wp, #wp-post

Hoje eu fiz aqui uma das coisas que mais gosto: assistir a uma palestra da **NASA**. E ela fez comigo exatamente o que eu penso que o **SXSW** deve fazer com a gente: me fez sentir algo.

Pouca gente sabe, mas um avião supersônico não produz um estrondo apenas no momento exato em que quebra a barreira do som. Na verdade, ele arrasta esse ruído consigo ao longo de todo o percurso em velocidade supersônica, criando um "boom" que pode ser ouvido por quilômetros. Essa é a razão pela qual, desde os anos 1970, voos supersônicos não podem acontecer sobre os continentes, sobre áreas habitadas.

  
A missão **Quesst**, liderada por um time da **NASA** composto por **Cathy Bahn**, **Larry Cliatt** e **Nils Larson**, quer mudar essa realidade. O objetivo é ambicioso: transformar o estrondo característico do voo supersônico em um ruído sutil, um "thump" discreto e quase imperceptível. Se bem-sucedida, a iniciativa pode redefinir completamente as regras da aviação e reabrir o mercado para viagens comerciais em velocidades superiores a **Mach 1.**

  
A chave para essa revolução é o **X-59**, aeronave experimental desenvolvida pela NASA para testar um design inovador que reduz a onda de choque causada pelo voo supersônico. Os primeiros testes estão programados para este ano, com voos sobre cidades selecionadas nos Estados Unidos.

![ Airfield, Airport, Aircraft, Airplane, Transportation, Vehicle, Jet](https://storage.ghost.io/c/b8/a4/b8a4ba23-e08d-42f7-b459-b1bcab5b8867/content/images/assets-b9-com-br/wp-content/uploads/2025/03/x59test.jpg)

Um F-15 ao lado do X-59, durante teste de interferência eletromagnética. Imagem: NASA

  
Caso os testes confirmem que ele pode voar sem incomodar quem está em solo, a **NASA** planeja compartilhar seus dados com governos e empresas da iniciativa privada. O objetivo final é impulsionar uma nova regulamentação para o setor, permitindo que aeronaves comerciais voem em velocidades supersônicas também sobre a terra.

  
No meio desta conversa, **Nils Larsson**, o piloto de testes da missão, abriu o coração e falou que ser piloto é um sonho de criança realizado: que desde cedo é o que ele queria fazer e que testar este avião, na visão dele, é o pico da sua carreira.

  
Mais do que o que ele disse, a forma honesta com que ele falou me pegou no estômago: "*I get to do the coolest thing*" (se referindo a pilotar). Ele está, naquele palco, genuinamente feliz e realizado. Pra ele, o sucesso é sentar naquele cockpit.

  
E aí eu me peguei pensando em como quem senta nos assentos corporativos hoje define sucesso de outro jeito. Sucesso como riqueza, como projeto de poder, status. E como esta definição, até a chegada da geração Z, tinha virado verdade e precisa mudar. Precisamos de mais **Nils** por aí!

  
Voltando pra missão **Quesst**: o impacto desse avanço pode ser gigantesco. Se hoje um voo entre Nova York e Los Angeles leva cerca de seis horas, com uma tecnologia como essa, o tempo de viagem poderia cair para menos da metade. Se o "boom" der lugar ao "thump", o mundo vai, literalmente, encolher.

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