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# Rituais, marcas, programadores e programados
- URL: https://www.b9.com.br/rituais-marcas-programadores-e-programados/
- Published: 2010-09-21T20:02:20.000Z
- Updated: 2010-09-21T20:02:20.000Z
- Author: Daniel Sollero
- Tags: Opinião, Eventos, Feiras e Festivais, nbc, Philips, Stella Artois, #wp, #wp-post, Alimentos e Bebidas

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2010/09/puppetteer2.jpg "puppetteer2")

Semana passada eu fui a um evento bem legal da **Stella Artois**. Super bem organizado em que a promessa era aprendermos a [tirar um chopp perfeito em 9 passos](http://www.youtube.com/watch?v=Xj8PhLXhH2w&ref=b9.com.br). O evento foi ótimo, a mini-aula também foi mas alguma coisa me pareceu ligeiramente estranha no tom da aula. Era algo voltado para os tiradores de chopp que trabalham em bares e que mostrava como deve ser o ritual da Stella Artois para servir seus clientes.

A idéia de usar/criar rituais é boa e é usada por várias marcas como **Kit Kat**, **Guinness** e por aí vai. Mas o fato de não ter adaptado o tom daquela mensagem para a audiência me chamou a atenção e causou um pequeno estranhamento do tipo *"isso não é para mim"*. Mas no final acabou se tornando. Notei que cada vez mais as interações com a marca seguem um script para se adequar ao posicionamento. Há um livro, bem visual que exibe isso de maneira clara e simples: [**We Know What You Want: How They Change Your Mind**](http://www.amazon.com/gp/product/1932857052?ie=UTF8&tag=eissoorg-20&linkCode=as2&camp=1789&creative=390957&creativeASIN=1932857052&ref=b9.com.br)

![](http://www.assoc-amazon.com/e/ir?t=eissoorg-20&l=as2&o=1&a=1932857052)

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Com isso na cabeça, ontem eu ouvi novamente o podcast da palestra do Douglas Rushkoff no **SXSW 2010** cujo título era *"Program or be programmed"*. No geral ele fala de cultura digital mas em um determinado momento ele fala que as marcas tem as suas intenções e que uma maneira de nos defendermos seria nos tornarmos programadores e reescrevermos um novo modelo.

Ele dá exemplos que uma aula de computação em escolas nos EUA antigamente dava aula de Basic e hoje dá aula de **Microsoft Office**. Ou seja, o foco mudou de ser quem escreve o código para quem usa o programa. De programador para usuário. Enfim, ele dá vários exemplos interessantes e cria 10 mandamentos para essa mudança e todos eles estão no [seu livro novo](http://www.orbooks.com/our-books/program/?ref=b9.com.br).

Mas o que isso tem a ver com publicidade? Simples. Hoje, nós, publicitários somos os programadores e acho que é por isso muitos tem uma síndrome de se achar uma entidade sobrenatural. O que ele fala faz com que as pessoas usem, comprem produtos que talvez nem estejam entre as suas prioridades naquele momento.

É uma posição confortável. Eu falo. Eles fazem. E mesmo quando dá errado, conseguimos convencer os outros de que isso fazia parte de uma estratégia para aumentar o awareness antes de aumentar as vendas. Marcas têm a suas intenções e objetivos e nós, publicitários, as ajudamos a atingir essas metas manipulando a vontade das pessoas. Acontece que as pessoas já notaram isso e vêm cada vez mais criando barreiras para impedir ou dificultar essa manipulação. Até aqui nenhuma novidade.

Mas esquecemos que outras entidades também têm os seus interesses e objetivos e muitas vezes não somos nós que preparamos isso. Na política nós, os eleitores, somos os programados. As vezes por marqueteiros/publicitários mas muitas vezes pelos interesses pessoais de nossos políticos ou de seus partidos. Somos programados pelos diversos lobbys. Depende do segmento e perfil político em que nós estamos.

Quer outro exemplo em que somos programados e vítimas da manipulação? Compra de carro. Nesse momento, boa parte de nós é levada a acreditar em uma meia verdade, uma indução. E, geralmente, essa sensação pós-compra induzida é ruim.

Ou seja, por mais super-poderosos que sejamos, sempre seremos programados em algum momento. E isso é apenas um alerta para as ferramentas que temos usado para manipular a realidade e aumentar o interesse do consumidor por um produto X. Consumidores vão aprendendo com as táticas e, mesmo inconscientemente, vão criando barreiras para filtrar essas informações viciadas que chegam nós todo dia.

A quantidade de releases sem noção que recebo aqui no **Brainstorm#9** é absurda. Pessoas que não se preocupam em ajustar o texto para ressaltar algum ponto que pode ser relevante para nós. E isso faz com que a minha lixeira fique cada vez mais cheia de informações que até poderiam ser interessantes mas que se perdem por que o formato em que elas chegam até mim foram datadas e eu já tenho um filtro para esse modelo.

Na apresentação do Matt Smith da **The Viral Factory** no **NBC2010** ele disse que não manda releases nos formatos tradicionais para os blogueiros. Ele simplesmente manda um email com um texto simples e um link. Algo como *"olha só o que eu fiz recentemente"* e se o conteúdo for legal, ele vai gerar um post e pronto. Simples. E isso faz com que tal pessoa se torne uma referência, seja mais ouvida e o isso se retro-alimente

Se nosso conteúdo não consegue burlar as barreiras anti-publicidade para chamar a atenção dos consumidores, talvez esteja na hora de mudarmos a abordagem. Ou de nos tornarmos programadores melhores e continuarmos com o ciclo que estamos hoje.