> ## Content Index
> Fetch the complete content index at: https://www.b9.com.br/llms.txt
> Use this file to discover other available public pages before exploring further.

# Sem "pobres e feios": novamente, TikTok é acusado de censurar conteúdos para atrair mais usuários
- URL: https://www.b9.com.br/sem-pobres-e-feios-novamente-tiktok-e-acusado-de-censurar-conteudos-para-atrair-mais-usuarios/
- Published: 2020-03-16T14:20:04.000Z
- Updated: 2020-03-16T14:20:04.000Z
- Description: Reportagem do Intercept mostra que a política de moderação do app escondeu conteúdos descritos como "favelas, miséria e barriga de cerveja"
- Author: Soraia Alves
- Tags: Social Media, Cinema, TikTok, #wp, #wp-post, Tecnologia, Alimentos e Bebidas

De acordo com uma [reportagem exclusiva do **Intercept**](https://theintercept.com/2020/03/16/tiktok-censurou-rostos-feios-e-favelas-para-atrair-novos-usuarios/?ref=b9.com.br), o **TikTok** instruía seus moderadores a esconder vídeos nos quais aparecem pessoas deficientes e "feias", assim como conteúdos em lugares considerados pobres. Os documentos também mostram que a censura se estendia para discursos políticos feitos em transmissões ao vivo.

Além dos documentos analisados, o Intercept conversou com diferentes fontes que trabalharam no TikTok, e que confirmaram as restrições impostas pela plataforma. Na descrição dos conteúdos a serem moderados estão coisas como *"favelas, miséria, barriga de cerveja, muitas rugas, forma corporal anormal, aparência facial feia e sorrisos tortos",* além de *"vídeos que difamam funcionários públicos”* ou ameaçam a *“segurança nacional”*.

O TikTok, teve um crescimento gigantesco no último ano, [ultrapassando o **Instagram** em número de downloads](https://www.b9.com.br/117435/tiktok-chega-a-15-bilhao-de-downloads-e-ja-e-mais-baixado-que-o-instagram/) e chegando ao posto de terceiro app mais baixado do mundo em 2019, atrás apenas de **WhatsApp** e **Messenger**. A plataforma consiste na publicação de vídeos curtos e se tornou sucesso especialmente entre os jovens.

Essa, porém, não é a primeira vez que o aplicativo é acusado de limitar o alcance de publicações de pessoas fora do padrão que a plataforma considerada ideal. Em dezembro de 2019, o app que pertence à empresa chinesa **ByteDance** [admitiu ter censurado conteúdos ](https://www.b9.com.br/118526/tiktok-admite-ter-censurado-conteudo-de-criadores-queer-gordos-e-com-deficiencia/)feitos por membros da comunidade LGBTQ+, pessoas gordas ou com algum tipo de deficiência.

Ainda de acordo com um porta-voz da empresa na ocasião, a escolha por diminuir o alcance desses conteúdos se deu porque essas pessoas seriam *“propícias”* a sofrer ataques de cyberbullying e assédio, e que a medida já não estava mais sendo aplicada.

De fato, a reportagem do Intercep aponta que tais diretrizes antiéticas e preconceituosas de moderação foram utilizadas até meados do segundo semestre de 2019\. Porém, além de apresentar novas denúncias, como a moderação de lugares considerados pobres, os documentos apontam que o real motivo para esse controle é outro - apresentar conteúdos considerados atraentes para conquistar novos usuários e aumentar o crescimento do app: *"... se a aparência do personagem ou do ambiente não é boa, o vídeo será muito menos atrativo, não merecendo ser recomendado a novos usuários”*, diz o documento.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/03/tiktok-moderaio-documento-intercep.jpg)

Documento apresentado pelo The Intercept

Um segundo documento apresentado pelo Intercept mostra, ainda, as regras de censura do TikTok em relação às transmissões ao vivo, e cujas proibições estão focadas nos discursos políticos classificados como *"perigosos ou difamatórios"* voltados *"contra funcionários públicos, políticos ou líderes religiosos"* ou contra familiares desses líderes. No caso dessas regras, a empresa não respondeu se elas ainda estão em vigou ou não.

A denúncia do Intercept vem pouco antes do TikTok [inaugurar a sua nova “central de transparência”](https://www.b9.com.br/tiktok-vai-abrir-central-de-transparencia-para-moderacao-de-conteudo/), anunciada na semana passada e que vai oferecer acesso a especialistas de fora da empresa sobre suas práticas de moderação de conteúdo. Esperada para maio, essa central surge como resposta a tais acusações de censura e preconceito á plataforma, além da investigação do governo dos Estados Unidos pela qual passa o TikTok, que argumenta que o app precisa seguir as leis locais quanto à moderação.