Transcrição Mamilos 59 - Super Tuesday e Monólogo do Oscar

Capa - Transcrição Mamilos 59 - Super Tuesday e Monólogo do Oscar

Jornalismo de Peito Aberto

Essa transcrição é resultado do esforço colaborativo e do amor dos Melhores Ouvintes: Rafael Coiro, Gabriel Joseph, Tiago Rubortone Velasque, Ysabel Myrian, Marcos Ramon, Katia Kishi, Rafael Verdu, Diogo Beda e Ana Flávia Osório.

Obrigada seos lindos <3

Locutores: Cris Bartis, Ju Wallauer,Caio Corraini Joel Pinheiro, Peu Araújo e Guga Chacra

Vinheta de abertura: “Este podcast é apresentado por: B9.com.br”, segue a trilha da banda “Odilara”.

Cris Bartis: Mamileiros e mamiletes chegou a hora mais esperada da semana! Aquele momento, aquele momento delicioso de matar a saudade, de conversar com empatia e respeito sobre as polêmicas que pipocaram por aí nas timelines. Eu sou a Cris Bartis e essa é a minha cúmplice:

Ju Wallauer: Ju Wallauer

Cris: E hoje nós vamos falar sobre muita coisa legal! Tem Oscar, tem eleições americanas, tem até Facebook enquadrado! Vem com a gente!

Ju: E no som do mamilos: Caio, quem vai dar o clima do nosso papo hoje?

Caio Corraini: Olá, personas! Corri aqui novamente para trazer a vocês os responsáveis por dar mais cor ao Mamilos dessa semana. Lembrando sempre que se você quiser colaborar com o conteúdo musical deste programa, pode nos recomendar bandas ou artistas independentes no e-mail: [email protected] E hoje nós vamos ouvir a Odilara! Um quinteto mineiro que mistura o samba com diversas outras influências musicais. Então fique aí com Odilara no som do Mamilos.

Sobe som da trilha: “Mas não, não mente não… que a perna é curta e a malha te entregou! Deixa de ser bebê, samba que eu quero ver, deixa de ser bebê. Deixa de ser bebê, samba que eu quero ver, deixa de ser bebê.”

Cris: E tem é beijo. Beijo para agência Ampla de Vitório no Espírito Santo.

Ju: Para Curitiba no Paraná.

Cris: Para São José dos Campos em São Paulo.

Ju: Para Campinas em São Paulo

Cris: Para Mafê e o Billie na Alemanha! Saudade!

Ju: Beijo! Para Betim em Minas Gerais.

Cris: Uberlândia, Minas Gerais.

Ju: Itupeva em São Paulo.

Cris: E Ipú no Ceará.

Ju: E para Juliana e Geovani que vão fazer um vídeo transcrição do Mamilos EM LIBRAS.

Cris: OH, MY GOD! E falem com o Mamilos, gente! Fale conosco que a gente adora ouvir! Você pode falar no Facebook do Mamilos, a gente está no Twitter, Periscope, Instagram e Pinterest no perfil @mamilospod, tem e-mail: [email protected] e tem ainda a nossa página do Mamilos no B9, que é ótima quando vocês comentam porque aí todo mundo entra na conversa e fica muito mais gostoso.

Ju: Você pode também contribuir com esse projeto pelo Patreon (Patreon.com/mamilos). Apoia a gente!

Cris: Agora, aquele momento que a gente prova que ouve vocês! Fala que eu te escuto!

Sobe e desce som da trilha. Começa o Quadro: Fala que eu te escuto!

Cris: Primeiro comentário é do Érick Ferreira Palmas. “Sou Front-End há bastante tempo… (Bom, front-end é aquele que faz programação do site) e há um ano estou buscando formas de acessibilidade para Web. Hoje, tive uma luz com vocês! Fechei os olhos, liguei o Voice Over e revisei alguns projetos e senti diversos pontos que ainda posso melhorar. Vocês são incríveis!” Aí, adorei!

Ju: O Lucas Ferreira disse: “Cris, Ju e Caio, primeiramente obrigado por toda semana ter esse compromisso de trazer sempre o melhor conteúdo para nós, meros mortais que batalhamos diariamente contra a desinformação e a ignorância, presente até em nós mesmos. Obrigado por expandir nossos conhecimentos, por preencher o vazio em nossos corações e mostrar o outro lado da moeda sempre. Sobre o Mamilos 58: sou apenas um graduando em Design e sinto a pressão diariamente dos meus professores com aquele papo de: ‘Vocês vão mudar o mundo’ ou ‘Pensem em projetos que facilitem a vida das pessoas’. Isso, definitivamente, deve estar atrelado à minha profissão. Estou no último ano, isso significa que tenho aquele leve probleminha chamado TCC. Meu projeto tinha uma justificativa clichê, padrão que poderia sim cair no gosto da galera e seria tachado como um projeto médio. Aí, vem vocês e me dão uma chinelada na cara que me faz aprender o verdadeiro significado de incluir pessoas! Infelizmente eu não posso dizer sobre o que se trata o projeto, mas posso afirmar claramente que ele está tomando uma aparência mais ‘mamileira’. Não é a primeira vez que a palavra acessibilidade tenta entrar na minha cabeça. Confesso que é uma ideia que requer um exercício mental frequente e esse programa me fez ainda mais ter orgulho da minha profissão. Obrigado mais uma vez por tudo que vocês fazem pela gente.” Fofo né, Cris. Vocês são tão legais!

Cris: Aliás, essa semana a gente recebeu muito contato legal, a gente sempre fica com aquela estranha sensação de que deveria ter falado mais alguma coisa, enriquecido mais. E o retorno de vocês é sempre incrível! Olha só o que o Rogério Cassavara falou: “Muito bom o programa! Me fez ver as pessoas com deficiência de uma forma completamente diferente. Isso porque eu sou uma pessoa com deficiência e nunca tinha me dado conta até ouvir o programa. A minha deficiência é a incapacidade de distinguir certas cores, chamada daltonismo. Felizmente o mundo não depende tanto assim de cores e por isso a minha limitação pouco atrapalha a minha vida, tanto que a maioria das pessoas que convivem comigo nem sabem da minha limitação. Mesmo assim eu tenho os meus problemas que contorno como posso. Quando criança, minha mãe escrevia nos lápis de cor o nome das cores para que eu pudesse diferenciar. Em programas de computador que tem paleta de cores, preciso usar o recurso de manter o ponteiro do mouse sobre a cor por alguns momentos para que apareça o nome dela, só que nem todos os programas possuem isso. Olha aí o conceito da acessibilidade! E quando não tem, acaba sendo um caos, por isso achei muito interessante o conceito de que as pessoas não tem deficiência, simplesmente tem capacidades e limitações diferentes e a sociedade não pode excluir as pessoas que possuem alguma limitação. No meu caso, por pura sorte, a sociedade pouco me exclui porque a minha limitação me impede de fazer poucas coisas. Mas imagine se o nosso alfabeto e nossa comunicação fosse feita por cores?! Ferrou! Eu seria incapaz de me comunicar!”

Ju: Eu gostei muito dessa analogia porque ele conseguiu colocar um conceito que a gente estava mostrando entre capacidade e deficiência… Entre característica da pessoa, então ele nasceu assim, a característica dele é que ele não enxerga as cores. A deficiência ele só vai ter se não existirem as coisas pensando nessa característica dele. Como a maioria das coisas tem, a sociedade está um pouco mais adaptada a pessoas que têm daltonismo, ele não sente deficiência, é só uma característica.

Cris: É bem interessante! E os contatos foram ótimos! Obrigada. Vamos começar então o bloco dois? Vamos falar de Trending Topics?

Ju: Vamos!

Sobe e desce o som trilha. Começa o Quadro: Trending Topics

Ju: Primeiro, vamos apresentar quem está com a gente hoje?

Cris: Vamos!

Ju: Vamos apresentar quem é de casa já primeiro?

Cris: Começar com quem já chega e liga a televisão com o dedão do pé.

Ju: É! Já tirou o sapato… (risos)

Peu Araújo: Nem tanto! (risos)

Ju: Peu, apresente-se!

Peu: Boa noite!

Ju: Quem é você na noite?!

Peu: Eu sou Peu Araújo, sou repórter da Vice, eu sou DJ de música brasileira, pesquisador, toco no Rabo de Galo…

Cris e Ju: Pai da Betina!

Peu: Pai da Betina, que á principal função, faz dois anos… Na semana que vem. E tô aí! Agora sou um colunista sobre paternidade também.

Cris: Uiá!

Ju: Que legal! Onde?!

Peu: No A verdade é que.

Ju: Gostei!

Cris: Que demais!

Peu: É um site muito legal da Roberta Albuquerque e da Maria Flor Kalil, que é irmã da Clara, minha esposa. E me chamaram para falar a minha relação com ela e estou fazendo isso.

Cris: Que demais! Muito bom, muito bom!

Ju: Quero ler!
Quem mais está aqui?!

Cris: Tchan, Tchan, Tchan, Tchaammm! (suspense).

Ju: Temos um NOVO colaborador para apresentar para vocês! Para equilibrar a nossa balança tão desequilibrada, para trazer um ponto de vista… O quê? Mais conservador… Talvez? Mais à direita…Talvez?

Joel Pinheiro: Do lado do mal!
(Risos)

Ju: Do lado do mal?! NÃO! Jamais do mal!

Cris: Ele chegou abraçando a causa.

Ju: Quem é você?

Joel: Olá a todos, boa noite, meu nome é Joel Pinheiro. Eu gosto de me pensar filósofo, eu sou mestre em filosofia na verdade, e eu trabalho na comunicação do Partido Novo. Partido realmente novo que está surgindo aí.

Ju: Sabe de onde vocês conhecem o Joel? O Joel faz o contraponto no nosso programa de Meritocracia, eu gostei demais de falar com ele. Depois daquele contraponto a gente convidou ele para fazer parte dos colaboradores! Então sejam gentis e recebam muito bem o Joel!

Cris: Isso aí! Vamos passar aqui rapidinho para o Giro de Notícias!
Deixa eu contar aqui para vocês umas coisinhas legais que aconteceram essa semana, que a gente não vai aprofundar, mas seria legal se vocês buscassem!
Três: Como a Bela Gil reverteu um debate sobre agrotóxico apenas em um post. Estava lá a Anvisa, que costuma fazer algumas consultas públicas, e desde dezembro de 2015 ela estava fazendo uma consulta sobre o possível banimento de um agrotóxico chamado Carbofurano e no último dia de votação… Quando tudo parecia resolvido para continuar vendendo esse agrotóxico no país. Eis que entra Bela Gil em ação, faz um post pedindo para a galera ir lá e falar que “NÃO! Isso é ruim”. Com trinta minutos já tinha virado a votação. O post dela teve mais de 10 mil pessoas compartilhando, quase 8 mil pessoas comentando e, no final, a consulta ficou 70% das pessoas a favor da PROIBIÇÃO. Achei muito legal porque tem uma série de piadas sobre ela, tem aquelas brincadeiras de “Você pode substituir isso por aquilo”.

Peu: A Bela Gil é legal!

Cris: O que acontece é que ela FORMA. Você pode até não fazer, mas as pessoas respeitam ela por isso.

Ju: Acreditam nela.

Cris: Acreditam porque ela vive aquilo, ela faz para a filha dela. Então a hora que ela fala que aquilo é ruim, a galera fala “Ok, é hora de levar ela a sério!”

Ju: Eu não vou comer todos os orgânicos, eu não vou comer… churrasco de quê que ela fez?

Peu: Melancia.

Ju: Eu não vou comer churrasco de melancia, mas se ela está falando que isso é ruim, bom é que não deve ser!

Cris: Inclusive, essa substância é acusada de má formação fetal. Já foi proibida em vários países e aqui continua. Então foi super importante! Influenciador na coisa certa da palavra dessa vez.

Ju: Muito Bem, segundo a notícia, conselho de ética decide dar sequência a processo de cassação contra Cunha. Depois de cinco meses de idas e vindas a votação aconteceu na madrugada de terça para quarta e ficou empatada de 10 a 10 e coube ao presidente do conselho José Carlos Araújo do PSDB desempatar ao favor do processo, Cunha estava formalmente denunciado aos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, logo mais será a vez do STF decidir se acata ou não a Denúncia.

Cris Bartis: Caminhou depois de uma longa parada né, mas os advogados dele falaram que processo está se limitando ao que foi falado por delatores, mas não é bem isso, porque tem provas cabais, que é ele falando na comissão que ele não tinha dinheiro e depois descobriram o dinheiro, vamos ver como o STF vai julgar isso aí, visto, tão apertado né, o placar, precisou do pêndulo para resolver, aqui como a gente estava falando, sobre as eleições americanas.

Cris Bartis: Nº1, o Brasil é referência mundial em aleitamento materno. Uma revista científica Britânica, “The Lancet”, e a organização Pan-americana de saúde, reconheceram nessa quarta-feira o Brasil como referência mundial em aleitamento materno, segundo a OPAS o país tem uma posição de destaque no tema em relação ao primeiro mundo , como Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, e aí vem uma informação muito interessante, o Brasil tem na verdade aquilo que eles chamam de banco de leite humano, a rede brasileira de leite humano, é formada por 282 (duzentas e oitenta e duas) unidades, 213(duzentas e treze) estão aqui no país e ainda tem 79 (setenta e nove) espalhadas na América, na Europa e na África. Para vocês terem uma noção dessa dimensão, de 2008 a 2014, 88% (oitenta e oito por cento) das mulheres que recorreram à esse serviço foram atendidas pelos bancos brasileiros, são mais de 11 (onze) milhões de pessoas atendidas com leites colhidos pelas redes brasileiras de aleitamento, então, notícia boa.

Ju: É, eu nunca entendi essas campanhas de aleitamento materno, mas não sabia para o que era até meu filho ficar na UTI, aí entendi direitinho para o que era, assim, banco de leite é a coisa mais legal do mundo.

Cris Bartis: Vamos então para o “Trending Topics”?
Ju: Bora.

Cris Bartis: E a gente tem aqui, o tema número um, que é conversar um pouco sobre o funil da pré-candidatura americana, aconteceu ontem.
Ju: terça-feira.

Cris Bartis: terça-feira, ontem, doze Estados votaram então, meio que já estão definidos os candidatos, e a gente trouxe uma pessoa muito ilustre para conversar com a gente sobre isso.

Ju: Nós trouxemos “apenas” um correspondente internacional, não é mesmo, diretamente de Nova York.

Cris Bartis: Mamilos Internacionais.

Ju: Super normal né, graças a pressão de todos os mamileiros e também a ajuda do nosso “super-produtor executivo deluxe” (risos) Alec Duarte, nós estamos com, nada menos, do que Guga Chacra para conversar com a gente, para a gente tentar entender, “Por que Super Tuesday? ”, O que é isso, como que estava o cenário, o que essa “Super Tuesday” decide, e o que isso tem a ver com os brasileiros.

Cris Bartis: vamos lá.

Caio Corraini (editor do podcast):
Gente antes da entrevista, eu preciso avisar que a qualidade do aúdio não está das melhores, a Ju entrou em contato com o Guga pelo Skype, e ele recebeu no telefone dele nos Estados Unidos, o programa utilizado não facilitou a nossa vida e o resultado não ficou com o nível de qualidade que a gente geralmente entrega para vocês, mas o conteúdo estava muito bom, então eu resolvi tentar salvar o que eu conseguia, e o resultado vocês vão ver agora.

Guga Chacra: Meu nome é Guga Chacra, sou comentarista de política internacional da Globo News e tenho um blog de política internacional no portal do Estadão e sou mestre em relações internacionais pela Columbia, e no passado fui correspondente pelo Estadão em Nova York, no Oriente Médio e da Folha em Buenos Aires.

Ju: O que é o “Super Tuesday”, Guga?

Guga Chacra: O Super Tuesday é basicamente assim, o processo primário americano é um processo que ocorre ao longo de meses, ele começa em Iowa depois vai para New Hampshire depois ele vai para Carolina do Sul ou Nevada dependendo do partido e depois troca né, o que foi para Nevada vai para Carolina do Sul e vice-versa, e daí vem a Super Tuesday, a Super Tuesday ocorre em ao todo, em onze Estados para os Democratas, mais um território, e onze Estados para os Republicanos, então é o primeiro momento que vários Estados votam, então deixa de ser uma questão local, ele deixa de ser um interesse de só os eleitores de Iowa e New Hampshire preenchendo um demográfico muito singular e passa a ser uma votação mais nacional, porque por ser em onze Estados tem diferentes perfis demográficos votando, e a partir da Super Tuesday você começa aprestar atenção mais já na quantidade de delegados que cada um dos candidatos está acumulando, então você já começa a pensar nisso para ver em qual direção deve ir a corrida eleitoral, normalmente depois da Super Tuesday você já tem mais ou menos uma idéia de quem deve ser o candidato a presidente, quem são os favoritos seguramente, então é basicamente isso daí a Super Tuesday.

Ju: Qual era o cenário que a gente tinha antes dessa Super Tuesday, quem eram os favoritos da corrida, como que estava o prognóstico?

Guga Chacra: Do lado dos Democratas o favorito era a Hillary Clinton, ela continua favorita depois da Super Tuesday, ela ganhou em 7 Estados perdeu em 4, mas dos 7 que ela ganhou ela teve em cerca de 2/3 (dois terços) dos votos em cada um e ela mostrou que ela tem muita força entre minorias demográficas como os negros e os hispânicos que são fundamentais na primaria democrata, hoje já colocam como 95% (noventa e cinco por cento) de probabilidade da Hillary Clinton ser a candidata democrata, isso nas bolsas de apostas né, então se você apostar basicamente, se você apostar um dólar no Bernie Sanders e o Bernie Sanders ganhar você ganha vinte dólares, mas se você apostar vinte dólares na Hillary e ela ganhar você só ganha um dólar, porque está todo mundo apostando na Hillary, claro que tem uma chance de fatores externos nas primarias prejudicarem a Hillary Clinton envolvendo escândalos ligados a ela, mas não ocorrendo isso, ela provavelmente, seguramente vai ser a candidata democrata. No lado Republicano o Trump era o favorito antes da Super Tuesday e continua sendo o favorito depois Super Tuesday, ele ganhou 7 dos 11 Estados, ele perdeu 3 Estados para o Ted Cruz e perdeu 1 Estados para o Marco Rubio, só que é um pouco diferente, porque no caso da Hillary Clinton ela tem o apoio de todo o Establishment de toda a elite do partido Democrata, então de Governadores, Senadores, Deputados, os órgãos de imprensa associados aos democratas, ela é a candidata do partido mesmo, inclusive o Obama basicamente, até agora não formalmente, porque não é normal a menos que fosse o vice dele concorrendo mas como não é o vice você não declara assim apoio tão antes para não se envolver na eleição, mas basicamente ele torce pela Hillary. No caso dos Republicanos é diferente, porque o Trump não tem o apoio do Establishment do partido, até semana passada ele não tinha apoio de nenhum Governador ou Senador ou Deputado, agora ele até tem de poucos né, no caso um Governador Chris Christie, um senador e dois deputados, e o Trump até não ter apoio não seria um problema, não cairia o mundo, o Carter e o próprio Clinton não tinham apoio muito grande do partido ganharam, o problema do Trump é que figuras importantíssimas do partido republicano são abertamente contra ele, nessa quinta mesmo Mitt Romney que foi candidato do partido republicano nas últimas eleições, 2012, disse que Trump é um falso, mentiroso, um preconceituoso, uma pessoa completamente despreparada para ser Presidente dos Estados Unidos, uma política externa e uma política econômica totalmente absurdas, próximo do fascismo que é extremamente perigoso ele ser Presidente dos Estados Unidos, o John McCain que foi candidato a Presidente também pelo partido republicano, em 2008, e é um dos Senadores mais importantes dos Estados Unidos e o maior herói de guerra do Vietnã né, dos Estados Unidos na guerra do Vietnã, agora três décadas quase quatro décadas, o John McCain publicou um comunicado dizendo que concorda com tudo que o Romney disse, o John McCain abertamente brigado com o Donald Trump, Lindsey Graham que é o principal Senador republicano na área de defesa e política externa também já deixou claro que não vai votar no Trump se ele for candidato, Bob Dole outro Senador importantíssimo, mas dos mais jovens do partido Republicano também falou que não vai votar no Trump, os ataques dos adversários do Trump, contra o Trump, do Rubio, do Chris são coisas do que você nunca viu, quer dizer o Trump não faz parte basicamente para muitos republicanos o Trump não é um republicano, ele tem 1/3 (um terço) do eleitorado, a Hillary, como falei, tem 2/3 (dois terços) do eleitorado democrata, ele tem 1/3 (um terço) e mais da metade do partido republicano não suporta o Trump, a grande questão que dá vantagem ao Trump é que ele tem uma maior pluralidade, nenhum dos adversários dele conseguiu se consolidar como rival únicos né, para obter todos os votos.

Ju: Por um lado, quando você analisa alguns números, parece que o Trump consolidou a candidatura dele depois desse sucesso massivo na Super Tuesday, porque, historicamente, não lembro a quantos anos que um pré-candidato que ganha a Super Tuesday não perde a candidatura então isso é um termômetro em termos de análise histórica forte, só que por outro lado quando você vê exatamente isso que você falou, o cenário está favorável para ele porque os concorrentes dele estão dividindo os votos, se você tivesse alguém que era o que você se esperava né, que depois dessa Super Tuesday alguém retirasse a candidatura, alguém reconhecesse assim como Jeb Bush já retirou a candidatura, não tivesse mais chance, e retirasse a candidatura, e isso não aconteceu porque o resultado de novo acaba sendo favorável para o Trump nesse sentido de todo mundo ganhou alguma coisa né, mesmo quem não ganhou um Estado ficou em segundo lugar muito bem colocado e acabou não retirando a candidatura né.

Guga Chacra: Exatamente, especialmente no caso de Rubio e Kasich onde os Estados mais importantes para eles é no dia 15 de março porque o Rubio tem a Florida e o Kasich tem Ohio, o Kasich lidera em Ohio e Rubio perde na Florida neste momento do Trump, mas ele espera reverter,e a “winner takes all” já que até agora não teve a “winner takes all” né, até agora foi proporcional, e daí ele espera pegar a Florida e alavancar, o Kasich aposta a mesma coisa em relação a Ohio, eles podem eu não sei se vão reconciliar, fora que eu acho que o Kasich tem uma boa chance de ganhar Ohio porque ele é Governador de Ohio e é ultra popular, Ohio está super bem, então o Kasich talvez se fortaleza um pouco, mas a partir dali todos os Estados são “winner takes all” e o Cruz pode ganhar alguns Estados mais conservadores mas o Trump tende a ganhar mais porque ele vai ter a maior numeralidade. Daí ele espera pegar a Flórida e alavancar. O Kasich aposta a mesma coisa em relação a Ohio. Eles podem, não sei se o Webb vai conseguir a Flórida, acho que o Kasich tem uma boa chance de ganhar Ohio, por que ele é governador de Ohio e é ultra popular, Ohio ta super bem. Então o Kasich talvez fortaleça um pouco, a partir dali todos os estados são “winner takes it all” e o Chris pode ganhar alguns estados mais conservadores, mas Trump tende a ganhar mais, por que ele vai ter maior numeralidade.

Ju: Vou só fazer um parênteses, o que acontece que cê ta falando, “winner takes it all”, é que agora, até agora, os estados que já foram ganhos pelo Trump são estados que você ganha proporcionalmente, então se você teve 30% dos votos, você vai ter 30% dos delegados.

Guga Chacra: Não necessariamente 30%, por que, na verdade, as vezes o número de delegados é oito. Então lá o Kasich e o Trump tiveram o mesmo número de delegados.

Ju: O que acontece é o seguinte: as próximas vitórias dos estados em que se você ganhar você leva todos os delegados acabam tendo um peso maior, né. É por isso que o jogo ainda pode virar, no caso dos republicanos.

Guga Chacra: É, na verdade é complicado eles continuarem todos. O Trump continua como favorito. Tem que ver se esses ataques que o Gilmore e o Martin fizeram, eles não vão penetrar no eleitorado do Trump, o eleitorado do Trump, ele é um eleitorado que não é um eleitorado tradicional do partido republicano, é um outro eleitorado que ele criou. O discurso foi pros outros eleitores. Eu acho dificil, acho que o Trump ta se consolidando como candidato. A estratégia do partido republicano de que não gosta do Trump é o que eles chamam de “brokered convention”, o quê é isso? Se nenhum candidato chegar a 50% dos delegados, cê tem a primeira votação, em que os delegados têm que votar em quem foi determinado pra eles votarem, só que a partir daí, se nenhum tem maioria, você pode votar em qualquer pessoa, inclusive com quem não ta concorrendo. E daí qual que pode ser a estratégia? Tentar consolidar um desses candidatos, talvez o Kasich, que teria maior chance de ganhar da Hillary e mesmo o Rubio, ou pegar uma figura muito popular no partido republicano, que é íntegra, que não tem muita coisa contra como o Paul Ryan, que é presidente da câmara dos deputados, ele é jovem, é carismático é idolatrado, então apostar no Paul Ryan, mas isso poderia causar revolta no eleitorado do Trump, então é complicado, é uma situação… Eu diria que hoje a eleição vai ser entre Hillary e Trump e boa parcela dos republicanos tradicionais ou vai votar na Hillary, conviver com quatro anos de Hillary e colocar o Paul daqui quatro anos, o Paul Ryan teria grande chance de tirar da Hillary em quatro anos. Isso vai ser estratégia, outros não vão votar, simplesmente, mas mesmo assim ta mudando tudo! O Trump ta mudando todo o mapa eleitoral, vai ser uma eleição muito diferente, mas se fosse pra apostar hoje, eu iria pelas bolsas de apostas em Hillary contra Trump.

Ju: O que acontece é o seguinte também: os “figurões” do partido que tinham apostado dinheiro no Jeb Bush, agora eles ainda não apostaram em ninguém, né. Se esperava que depois dessa super tuesday se confirmasse o Rubio como a escolha do partido, pra o dinheiro, as atenções, os apoios concentrarem no Rubio pra ele subir, só que não vingou, né.

Guga Chacra: É, tem uma diferença grande, o Jeb Bush, primeiro ele é muito mais moderado que o Rubio, o Rubio é bem conservador pra ala mais aberta do partido republicano. Os Bush, por incrível que pareça, os Bush são considerados moderados, e o Jeb é uma figura muito moderada em questões como a imigração, teve o casamento gay, ele tem uma postura mais moderada e ele foi governador da Flórida, dois mandatos, é uma pessoa muito mais conhecida, muito mais repeitada que Marco Rubio, que é um senador jovem, ta crescendo e tal, mas não é visto ainda. É diferente, o Jeb Bush todo mundo conhece desde a epoca que o avô dele era senador, que o pai dele foi diretor da sia, foi vice-presidente dos EUA, presidente dos EUA, irmão também presidente dos EUA. Ali é o que tem mais de elite, não só do partido republicano como elite americana, embora falem do Bush tanto, eles são o que há de aristocracia americana, são da turma de quem tem dinheiro.

Ju: Por que ele representa tudo o que as pessoas tão cansadas, tudo o que as pessoas não querem mais.

Guga Chacra: Eu acho que se o Trump nao tivesse entrado, o Jeb Bush teria sido candidato. O Trump é o oposto do Jeb Bush, por que o Trump é o cafonão, é o novo rico, embora o pai tivesse dinheiro, mas eles sempre foram rejeitados pela aristocracia.

Ju: Tudo bem, ele é meio motivo de chacota, não tem a preferência de ninguém, ele não tem consistência nenhuma, ele nao tem histórico nenhum. E mesmo assim não tem niguém que conseguiu apresentar os números que ele apresenta, nao tem ninguém que conseguiu ter uma liderança aí, que conseguiu despontar como ele, eles não tão conseguindo derrubar ele. Assim, era a piada, era o Tiririca das eleições americanas “não, ridiculo, isso não vai acontecer”, ninguém nem deu bola no início, o establishment republicano nem tentou derrubar ele no início, por que achou que ele nao ia parar de pé. Ele não só parou de pé, como ta com “pinta” de que é ele quem vai ser o indicado. O partido republicano sabe que se essa estratégia de “brokered covention” for o que eles forem fazer, o Trump vai concorrer como candidatura independente, e ele vai levar com ele essas pessoas. Por que, assim, em todos os estados em que teve eleição até agora que ele ganhou, ele nao só ganhou mas ele aumentou o número de participação nas votações, então assim, ele ta trazendo gente nova pra se preocupar, pra sair de casa e querer fazer parte do processo, então essa pessoas vão com ele, se ele sair, fizer uma candidatura independente, vão com ele. Ele tem grana pra se financiar, ele vai fazer. Então ta rolando uma sinuca de bico aí, né. Por que ao mesmo tempo que ele não pode ser candidato pelo partido republicano, eles tem que conseguir ganhar do Trump por justiça, por ter voto suficiente e eles não conseguem se decidir quem vai ser o candidato, eles não conseguem fechar apoio em um cara e fazer esse cara subir a ponto de enfrentar o Trump.

Guga Chacra: Mas porque que o partido republicano tem medo dele? Por que ele não é republicano! Ele é uma coisa diferente. Os Estados Unidos por serem bipartidários acabaram abrindo espaço pra uma figura como essa. O Jean Marie Le Pen, por exemplo, ele nunca foi o candidato… na França né, mas ele foi pro segundo turno, perdeu pro Chirac né, daí até a social democrata votaram no Chirac na ocasião. Mas nos Estados Unidos não tem essa opção, por que ele vai pra um partido mas ele não tem a mesma ideologia do partido. Hoje o … deixou claro, a política econômica dele, a politica externa dele, os valores dele, não são os valores do partido republicano. O partido republicano é um partido que é conservador, o partido democrata se chama de liberal, mas que no caso é progressista nos Estados Unidos. O Trump não se encaixa em nenhum dos dois, ele é populista, demagogo, com algumas ideias facistas. O partido republicano não é isso, o partido republicano é conservador, então é outra coisa. O partido republicano tem seriedade então, por exemplo, o partido republicano não acha correto o racismo, de forma alguma, eles são contra racismo, eles não querem que fale mal de hispânico, em relação aos mulçumanos, os mulçumanos são importantíssimos no combate do terrorismo, que não tem nada contra. Uma coisa é o terrorismo. O George W. Bush, depois do 11 de setembro, no dia seguinte ele foi dar entrevista pra dizer que o islã não tinha nada a ver com o terrorismo, isso é completamente diferente do Jihad. Ele sequestrou o partido republicano, então uma coisa muito séria, ele dominou o partido republicano. E aí ele vai mudar o mapa eleitoral, por que até agora a gente sabe quais estados são republicanos e os estados que são democratas. Nessa eleição é diferente o Trump pode… o que a gente não sabe é se o Trump vai aumentar o eleitorado republicano, por que ele trouxe muita gente nova, ou se vai diminuir porque, apesar dessa gente nova que ele trouxe, ele vai perder muito eleitor. Então é a dúvida de como vai ficar o saldo do Trump no final. Pelas pesquisas ele vai perder eleitorado com o pior desempenho entre os republicanos, mas ele é populista, ele vai mudar o discurso dele nas eleições, vai fingir que é moderado e talvez roube mais eleitor democrata.
(música)

Ju: Vamos para o Trending Topics 2, então, para falar do que vocês tanto pediram, que é o dia seguinte, o dia após o Oscar. A gente já falou bastante sobre as reações que antecederam essa cerimônia, da galera protestando contra falta de representatividade, eu inclusive protestei bastante por conta de Creed, por conta de Straight Outta Compton, por conta de Beast Of No Nation. Entre outros, a galera que tava usando a hashtag #Oscarssowhite e o boicote da Jada Smith e do Spike Lee. Como resposta a isso a academia convidou, pra dar uma amenizada, pra acalmar a galera, pra falar “Não, não é bem assim, pera aí, mals aí”, o Chris Rock para ser o MC da cerimônia. E o monólogo de abertura dele, como esperado, como previsto, como intencionado – eu diria – deu o que falar. Como a gente imagina que nem todo mundo parou para ler o monólogo e para ver o monólogo, a gente vai, rapidamente, passar por esse monólogo pra vocês aqui.

Cris: “Cara, eu contei pelo menos quinze negros naquela montagem. Bem, eu estou no Oscar, também conhecido como White People Choice Awards.”

Ju: “Já pensaram que se eles tivessem indicações pra apresentar eu sequer teria conseguido esse emprego? Vocês estariam vendo Neil Patrick Harris agora.”

Cris: “Esse é o Oscar mais louco para se apresentar, com toda essa controvérsia, nenhuma indicação para negros. E as pessoas dizendo ‘Você poderia boicotar’, ‘Você deveria desistir’… Por que será que só as pessoas desempregadas que falam pra você desistir de alguma coisa?”

Ju: “Eu pensei em desistir. Eu pensei seriamente. Daí eu pensei: ‘Eles vão fazer o Oscar de qualquer jeito! Não vão cancelar porque eu desisti. E a última coisa que eu preciso é perder um trabalho pro Kevin Hart.”

Cris: “A grande questão é: por que estamos protestando? Por que nesse Oscar? É a octagésima oitava edição do prêmio. Quer dizer que essas coisas todas de não indicarem negros aconteceram pelo menos outras setenta e uma vezes. Você imagina que poderia ter acontecido nos anos 50, anos 60 – e tenho certeza de que não houve indicações – sabe por quê? Por que nós tínhamos coisas de verdade para protestar contra naquela época. Estávamos ocupados demais sendo estuprados e linchados para se importar com quem venceu na categoria melhor direção de fotografia. Quando sua avó está enforcada em uma árvore, é realmente difícil pensar em quem venceu o curta metragem de documentário estrangeiro.”

Ju: “Mas o que aconteceu esse ano? As pessoas ficaram furiosas. Spike Lee enfureceu-se, Jada Smith enfureceu-se, Will Smith enfureceu-se! Todos ficaram enfurecidos. Jada disse que não viria em protesto. Jada boicotar o Oscar é como eu boicotar a calcinha da Rihanna. Eu nem fui convidado. Taí um convite que eu não recusaria.”

Cris: “Mas eu entendo que tenham ficado furiosos. Jada, Will, eu entendo. Entendo que o Will é tão bom que nem foi indicado. Também não acho justo que Will tenha recebido vinte milhões por ‘As loucas aventuras de Jamie West.”

Ju: “Este ano as coisas vão ser um pouco diferentes no Oscar. Na parte do in memoriam vão mostrar pessoas negras que foram baleadas por policiais a caminho dos cinema. Sim eu disse isso.”

Cris: “Você quer indicar negros todo ano? Você precisa ter categorias para negros! Você já tem categorias para homens e mulheres. Pense bem: não faz sentido ter uma categoria para homens e outra para mulheres em atuação. Não tem por quê. Robert de Niro nunca pensou ‘Vou aliviar um pouco nessa interpretação para que Meryl Streep me alcance.’. Não, de jeito nenhum.”

Ju: “Se quiser atores negros indicados todo ano, apenas tenham categorias para negros, como por exemplo Melhor Amigo Negro.”

Cris: “Mas a verdadeira questão que todo mundo quer saber é: Hollywood é racista? Você precisa ir com calma aí. É um tipo diferente de racismo. Lembro de uma noite em que eu estava num evento de angariação de fundos para o presidente Obama. Vários de vocês estavam lá. E tinham uns quatro negros lá. Eu, Quincy Jones, Russell Simons, Questlove, sabe? Os suspeitos de sempre. E em certo momento, você vai tirar uma foto com o presidente, e eu disse ‘Senhor presidente, você vê todos esses roteiristas, produtores e atores? Eles não contratam pessoas negras. E eles são as pessoas brancas mais legais do mundo. Eles são liberais.”

Ju: “Hollywood é racista? Sim, mas não aquele racismo com o qual você se acostumou. Hollywood é racista de sororidade. A gente gosta de você, Rhonda, mas você não é uma Kappa. Assim é Hollywood.”

Cris: “Mas as coisas estão mudando. Temos um Rocky negro esse ano! Alguns chamam de Creed. Eu chamo de Rocky Negro. E isso é uma grande coisa. Por que Rocky se passa num mundo onde atletas brancos são tão bons quanto atletas negros. Então, Rocky é um filme de ficção científica. Tem coisas que aconteceram em Star Wars que são mais críveis do que as coisas que aconteceram em Rocky.”

Ju: “Estamos aqui para honrar atores. Estamos aqui para honrar os filmes. Tem muitos injustiçados. Um dos grandes injustiçados de quem ninguém está falando, um de meus atores favoritos é Paul Giamatti. Ele é o maior ator do mundo! Pense no que Paul Giamatti fez nos últimos anos. Ano passado ele está em ‘Doze Anos de Escravidão’ e ele odeia pessoas negras. Esse ano ele está em Straight Outta Compton e ama pessoas negras! Ano passado ele estava chicoteando a Lupita, e nesse ano ele está chorando no enterro do Eazy-E. Isso é que é abrangência! O Ben Affleck não conseguiria fazer isso!”

Cris: “O que eu quero dizer é que não se trata de boicotar as coisas. O que a gente quer é oportunidade. Queremos que atores negros tenham as mesmas oportunidades. E só. Não só de vez em quando. Leonardo di Caprio consegue um grande papel todo ano. Todos vocês conseguem grandes papeis o tempo todo. E os negros?”

Ju: “Vejam Jamie Foxx. Ele já venceu como melhor ator. Jamie Foxx mandou tão bem em Ray, que eles foram no hospital e desligaram os aparelhos de Ray Charles. ‘A gente não precisa de dois desses, né?’”

Cris: “Um dos grandes temas dessa noite não é o racismo. Você não pode mais perguntar para as mulheres o que elas estão vestindo. Pergunte mais. Você tem que perguntar mais a elas. Nem tudo é sexismo. Nem tudo é racismo. Eles não perguntam mais aos homens porque eles vestem sempre os mesmos figurinos. Se George Clooney aparece com um smoking de linho verde e um cisne saindo do seu rabo, alguém vai perguntar: ‘O que você está vestindo, George?’”

Ju: “Bem vindos ao octagésimo oitavo Oscar. Vocês querem diversidade? Nós temos diversidade! Por favor, deem as boas vindas a Emily Blunt e a alguém mais branca ainda, Charlize Theron.”
Cris: Chupa essa manga! Bom, só para levantar um pouquinho de fato aqui: 94% dos votantes são brancos, latinos são 2%, negros 2%; a idade média dos votantes é 62 anos.

Ju: Como eles percebem que assim… Essas indicações que não são representativas, eles perceberam que são um reflexo dos membros da academia. Eles precisam mudar isso, eles não vão conseguir mudar os indicados se eles não mudarem quem indica. E aí eles estão tentando mudar as regras um pouco. Então uma demonstração de que eles estão preocupados com isso é que eles mudaram um pouco as regras para você fazer parte da academia. Então, agora, se você é afiliado, a sua filiação dura dez anos. Depois, você tem que provar que você continua trabalhando, senão você sai. Se você continuar trabalhando três vezes, né, você passar por três certificações – dez anos, dez anos, dez anos -, aí você vira membro vitalício. A grande questão é que quem tá lá hoje, a maior parte são pessoas que foram indicadas, e como quem é indicado ganha membro vitalício, você não vai conseguir tirar essas pessoas. Então, um outro lado que eles estão tentando para aumentar a diversidade é buscar pessoas, no mundo inteiro, que possam se afiliar à academia. E assim: tem muita gente fazendo filme no mundo inteiro, então dá para dar uma mesclada melhor, dá pra trazer novos olhares para tentar ter mais diversidade. Assim, isso não é uma coisa pro ano que vem, nem pro outro ano, mas assim, pelo menos está no radar deles, acho que a campanha do #OscarsSoWhite esse ano incomodou o suficiente para eles pensarem em mudar as regras. Vai resolver? Não vai. Mas pelo menos já se está pensando… Isso está incomodando já.

Peu: Alguma medida foi tomada. Em alguma proporção, não talvez o que se espera, mas…

Cris: E tem também uma outra questão que é: para votar, você tem que ter visto o filme. Você vê que Glorinha, por exemplo, na sua transmissão, falou “Não vi, não posso opinar.”. E os caras do Oscar que vão votar fazem a mesma coisa: eles só votam nos filmes que eles viram. Que que isso quer dizer? Que os filmes que têm pessoas negras como protagonistas ou como grandes atuantes têm que chegar nesse público também, senão esses caras não vão assistir. E a distribuição é muito cara. Então eu estava vendo – eu não entendia direito como era o sistema – e é assim: por exemplo, no filme do Leonardo di Caprio, eles fazem uma série de eventos em Hollywood onde o Leonardo di Caprio vai. Ele tá super acessível – Leonardo de Caprio acessivão! – Mas ele está lá, pra galera ir, e o filme é… Eles martelam, fazem grandes campanhas pro filme. E aí, os filmes que a gente vê pessoas negras como protagonistas geralmente não têm tanta luz. A divulgação não é tão forte. Então isso também tem que ser melhorado. Porque esses filmes precisam chegar nas pessoas para elas terem mais critérios de avaliação. E aí o mundo se dividiu em três: as pessoas que acharam que ele nem deveria ter ido, as pessoas que acharam o discurso muito fraco, e as pessoas que falaram ‘Foi forte, foi legal, bateu colocado’, e aí começou essa discussão. Eu quero saber a opinião da mesa.

Peu: Eu meti a Glorinha aí, né? Eu não sei opinar, no sentido de que eu concordo em muito com o que ele fala. Só que assim, se você ver qualquer stand up do Chris Rock ou qualquer apresentação em que ele é mestre de cerimônias, você vê um discurso mais ácido – muitas vezes com a própria instituição que ele tá falando. Não foi uma novidade, para mim pelo menos, saber que ele ia pisar em alguns calos. Eu acho que tem uma histeria muito grande, assim. Isso acho que me incomoda muito mais. Talvez eu entraria no quarto grupo: ‘É legal, merece ser discutido, mas essa discussão parte para uma histeria que o que realmente importa é passado para trás, sabe, assim? Não importa se foi brilhante ou sei não foi. O que importa é a discussão que estava ali.

Ju: Sim, ele colocou a discussão na mesa, né? Num grande evento que, inclusive, não estava colocando negros, então beleza.

Peu: Assim, o que eu achei muito raso foi que, assim, se discutiu o discurso do Chris Rock. Se discutiu o fato de ele ter feito um discurso, e eu vi pouca discussão aprofundada sobre, de fato, o discurso que ele fez, entende? Sobre a importância e a relevância daquilo, de empoderamento, de uma série de coisas. Isso me incomodou muito, assim. Mas é um bode que eu tenho com o Oscar de alguma forma, assim. Eu prefiro mil vezes assistir a um filme a torcer por ele. Sei lá, eu acho que eu sempre tive essa característica. Eu vejo no dia seguinte, olho a lista, mas eu não fico torcendo…

Cris: Você não fez um gif para o Leonardo di Caprio…

Peu: Não… Eu achei legal que ele ganhou, de alguma forma… Sei lá, era quase obsessivo isso… Não sei se tanto para ele, mas para as pessoas em volta.. Essa histeria me incomoda muito mais do que a premiação de fato.

Joel: Oscar é uma chatice, né? Acho que ninguém vai discordar que, no final das contas é muito chato. Mas o discurso do Chris Rock, especificamente, eu achei o ponto alto da cerimônia. Eu não sei se você mencionou nas primeiras posições possíveis, as reações ao discurso dele, teve muita gente no Brasil, o próprio Pablo Villaça, Lola, que acharam que o discurso dele reforçou o preconceito, que era um discurso realmente reacionário que ele fez ali, e acho que perderam totalmente o ponto, eu achei o ponto alto porque acho que ele soube provocar as falsidades ou as hipocrisias ou os dois lados, não tinha, não tava ali pra tomar um lado, claro, não é nada muito profundo também, é nos limites de um cerimônia como essa, você não vai ter, e nem deveria ter… mas acho que ele soube ser ácido e soube provocar os dois lados com coisas verdadeiras ali. Então achei, realmente, acho que ele foi o ponto alto e contraponto que faço pra ele, que foi o ponto mais negativo mais chapa branca, mais insosso da cerimônia que foi o discurso da presidente da academia, que também é negra e que leu ali um discurso sobre diversidade, “ah, vamos nos esforçar, tudo mais”, mais ali foi a coisa mais desinteressante, clichê e não tocou na ferida, protocolar e não tocou em ferida nenhuma. A diversidade deve ser um critério em si mesma ou a gente deve continuar tentando ver os filmes pela qualidade. Claro, eles podem errar, tem bons com negros aí que não foram contemplados esse ano. Em outros anos, teve filmes com negros que foram contemplados. Acho que tem os dois anos passados… Ano passado “Selma” foi inclusive um destaque do Oscar, a apresentação dele e tudo. No ano anterior, “Doze anos de escravidão” também foi um outro destaque assim, se não engano, o “The Economist” fez um levantamento do número de negros que já ganhou o oscar e chegou que não era tão diferente assim da população americana, não tava tão díspare assim…

Cris: São só dezesseis, né?

Joel: Pois é, mas da porcentagem total ali… E, claro, pode ser que haja discriminação. Acho que o Chris Rock levantou um ponto mais interessante talvez, a discriminação não seja tanto nesse comitê. Talvez seja anterior, na própria indústria…

Ju: Com certeza.

Joel: … e no próprio público que assiste, sabe? Que não quebra…

Peu: Mas você transporta isso pro cenário nacional. Você transporta isso pros atores negros brasileiros, o panorama é muito parecido, assim. Pensando em novelas, pensando em, sei lá, Rede Globo.

Cris: Protagonismo, né?

Peu: É, o protagonismo dos homens e mulheres negros.

Cris: É muito pequeno.

Joel: Acho que é menor que nos Estados Unidos.

Peu: E nos Estados Unidos tem aquela questão do, que ele até fala, do prêmio do amigo negro, né?

Cris: Melhor amigo negro.

Peu: Mas tem uma regra, né, que você precisa. Um grupo tem que ter um negro. Tem algumas coisas nesse sentido. Eu posso tá falando uma grande merda, mas…

Joel: É a diversidade como um valor em si que cria essa necessidade de, vamos botar um negro, vamos falar que a gente fez uma coisa legal.

Cris: Eh, o “Porta dos Fundos”, pra mim, criticou isso muito bem, sabe, do casal histérico que chega lá na escola e fala que não pode suspender o aluno negro, porque é o único aluno negro e que, como assim, o filho dele precisa? É uma boa crítica, uma boa sátira. A percepção que eu tenho é a seguinte: número um, ele tinha que ter ido. A Juliana costuma falar isso e eu concordo bastante, que quando você chega lá, é quando você consegue hackear o sistema. Então, ele jogou com a regra debaixo do braço. Chegou lá, foi, e chegando lá ele fez o que era possível. Porque também já rolou muito risinho amarelo. Ele sabe que se ele apertasse demais, ia estourar. É um evento mundial…

Ju: Posso dar só um contraponto nisso? Não que se ele apertasse demais as pessoas iam sorrir mais amarelo ou deixar de escutar. Ele aprovou esse discurso, gente. Quem de vocês acha que esse texto não foi aprovado. Porque o roteiro de “Deadpool” pode não ter sido aprovado, porque os caras receberam pouquíssimo dinheiro e falaram “beleza, você vai me dar só essa grana? Então eu faço o que eu quiser. Ninguém vai ler o meu roteiro”. Esse cara foi contratado para fazer um discurso. Então, assim, “até aqui você vai. Um passo a mais, você não vai”. Então, assim, a criatividade dele e o posicionamento dele, vai pra dentro do espaço que deram pra ele fazer o melhor que ele poderia fazer, mas…

Peu: Eu gostaria de ler o original, saca?

Ju: Assim, aquele não é o espaço de ativismo dele. Aquilo é o trabalho dele. Ele tá trabalhando ali, entendeu? Então ele tava limitando no que ele poderia fazer, entendeu?

Joel: Mas teve, contrataram ele para ser ativista, nesse caso.

Ju: Sim, pra provocar.

Peu: Ativista entre aspas.

Joel: Entre aspas, mas é isso. Colocaram ele ali no lugar de fala do negro, falando sobre porquê não tem negro.

Peu: Mas será que ele é ativista fora dali?

Joel: Não, ele tem um discurso muito ácido.

Cris: Ele é.

Ju: Ele é.

Peu: Eu vi uma decisão interessante dele, um tempo atrás que ele não faz mais “stand up” em Universidades americanas, porque é tão insuportável a questão das pessoas se sentirem ofendidas e que não pode fazer piada com nada que…

Joel: Então, de alguma maneira ele tem um discurso que é um pouco mais agressivo e ácido que se…

Cris: Tanto que essa piada com a calcinha da Rihanna não passou em muita garganta também.

Joel: Sim.

Cris: Mas só terminando o meu raciocínio. Então, assim, eu acho que se ele tivesse… e eu valorizo o boicote da Jada e do Spike Lee, porque eles geraram conversa. Então, importante também. Mas se o Chris Rock tivesse feito a mesma coisa a gente não tava conversando sobre isso. Porque simplesmente iam substituir o apresentador e nem a oportunidade da crítica ia existir. Então, acho que ele foi feliz de ter aproveitado a oportunidade, igual a Beyoncé dentro do espaço dela no “Superbowl”. Igual Kendrick Lamar no “Grammy”. Cada um dentro do seu espaço de evento público, tá trazendo a conversa, como é possível.

Joel: Isso é importantíssmo, cara. Tanto a apresentação da Beyoncé quanto a do Kendrick, elas foram mais surpreendentes do que o discurso do Chris Rock no Oscar. Porque o…

Cris: …teve o efeito surpresa. O Chris Rock, inclusive, imagina o naipe da pressão? Então, assim, todo mundo já esperava que ele fosse falar alguma coisa, já tava posto. E tanto, que algumas pessoas acharam que foi pouco.

Ju: O quê que eu acho… Essa discussão que a gente tá tendo aqui, que foi o que tiveram com ele em relação ao discurso dele, é a discussão que sempre se tem na sociedade, há milhares de anos, que é a diferença entre revolução e reforma. Reforma é quem tá dentro do sistema e com a regra do sistema quer mudar o sistema. Revolução é quem quer quebrar tudo e começar de novo. O que o Chris Rock tava fazendo ali, não era uma revolução, era uma reforma. Então, não dá pra julgar o que ele fez, com critério de revolução. Ele tava dentro do sistema. Ele tava provando o discurso dele. A minha percepção foi que ele foi completamente “mamileiro”, entendeu? Quando eu vou fazer uma “teta”, por exemplo, não interessa a minha opinião, o que interessa é qual é o meu “job”. Existe um problema que é a discussão de que o Oscar não é representativo. Quais são os argumentos a favor, quais são os argumentos contra? Ele distribuiu saraivada pra todo mundo, igual. Então, assim, ao mesmo tempo ele conseguiu irritar quem achava que era só o discurso de que o Oscar não é representativo porque ele diminuiu algumas lutas como, por exemplo, o protesto da Jada; como ele falou, textualmente, nem tudo é sobre racismo, nem tudo é sobre sexismo. Então, ele fez algumas piadas contra os movimentos por igualdade, enfim; como ele conseguiu também irritar o… não irritar, mas incomodar, quem tá ali no “establishment”, quem tá ali no sistema, porque ele apontou uma série de hipocrisias. E o que ele tava apontando é: os caras mais legais, os caras que são nossos amigos, os caras que são a nosso favor. Deixa eu te mostrar como você pode ser racista. E não é que você ache que, intrinsecamente, um negro é pior ou tem menos condições que um branco, mas as tuas atitudes continuam criando um abismo entre a gente. Então, assim, não, eu não quero que tenha categoria pra negros; não, eu não quero que você me entregue um prêmio porque eu sou negro. Eu quero oportunidade. Me deixa participar da festa, só isso.

Cris: E acho que muita gente não entendeu o discurso, também. Eu vi muita gente falando assim: “mas ele sugeriu uma categoria para negros”. Não, aí não sei se entra a questão da língua e tudo mas…

Ju: …aula de ironia…

Cris: …e principalmente na agilidade que o cara tá falando, e ele tá rindo enquanto ele fala. Então, acho que algumas pessoas assim tem dificuldade de interpretar o discurso.
Joel: Eu tava pensando numa coisa essa semana sobre esse lance do Oscar. Uma galera tava republicando um vídeo do Criolo num programa desses ao vivo, que era o “Show Livre” com o Clemente…

Ju: Eu vi.

Joel: …que o Clemente faz uma piada completamente adolescente, boba, assim, sobre sexualidade e tal e o Criolo dá uma resposta, acho que muito sensata…

Cris: Numa elegância…

Joel: …e no esquema dele lá, meio viajandão, mas ele vai e ele chega no ponto com educação e até com leveza, né? E as pessoas tavam falando tavam “Ahhh”, batendo palma, só que isso foi um negócio que aconteceu cinco anos atrás. Acho que se o Oscar a cinco anos atrás não tivesse nenhum regro representado, as pessoas iam passar batidas. Eu tenho uma percepção assim de que o mundo mudou muito nos últimos cinco anos, assim. Eh, muitas coisas batidas pela gente e a gente não reparava, como, na época, se esse discurso do Clemente fosse essa semana, ele tava fudido, tá ligado? Ele ia…

Ju: …ele ia ser exposto.

Joel: É. Ele está sendo exposto porque alguém lembrou: “Olha, nossa, o Criolo falou um negócio aqui, entendeu?”. Mas foi um negócio, foi a cinco anos atrás, eu lembro que algumas pessoas ainda falaram. Eu lembro de ter visto, ao vivo, achar estranho, mas não ter comentado, não ter, sabe assim, e passou. Acho que tem muita coisa que hoje não passa mais, entende? E é isso, acho que tem uma histeria muito positiva, num certo sentido , tipo de “porra, a gente tem que discutir pelo menos”

Ju: de trazer o assunto…

Joel: …porque não nem uma representatividade. A gente tem que discutir porque que um apresentador num programa faz uma piada homofóbica pra… sabe, assim? A gente tem que discutir essas coisas. Mas a gente não discutia tanto assim. E eu não tô falando de um lance que , da geração dos meus pais, não, eu tô falando de cinco atrás. Um vídeo que a cinco anos atrás poderia ter sido viralizado, não foi. Então, a gente mudou.

Ju: Joel, eu preciso de perguntar uma coisa. O Jorge, o meu amigo conservador, compartilhou comigo alguns links em que pessoas conservadoras vibravam com o texto do Chris Rock, é estranho, o dia em que duas pessoas que pensam completamente diferentes sobre tudo tão gostando do mesmo discurso. Tem alguma coisa de especial nesse discurso? Vibrando porque, colocando que o Chris Rock conseguiu escancarar a hipocrisia dos progressistas americanos de que o discurso deles não bate com a prática, tá? E a minha discussão com o Jorge foi assim: o fato do meu discurso não bater com a minha prática, invalida o meu discurso ou invalida a minha prática?

Joel: Eu acho que não necessariamente nenhum dos dois. Tem que ver critérios diferentes, qual que é válido e qual que não é válido aí. E achei muito interessante essa reação conservadora…

Joel: E é curioso… Do ponto de vista tradicional de uma academia… De avaliação daquilo lá a gente provavelmente não consideraria aqueles filmes tão artes, tão artísticos…

Cris: Mas não é, né? São bem.. É filme de sessão da tarde.

Joel: Exatamente.

Peu: Então, não… Mas, historicamente, cinema negro tem os “black exportation” também.. tem
tipo uma história do cinema negro..

Joel: E tem mais coisas interessantes, claro…

Cris: Que aí é mais profundo.. Mas eles tem uns…

Peu: E que também não eram valorizados pela academia.

Cris: É que esses filmes, geralmente são bem filmes de sessão da tarde mesmo.. Um romancinho, uma coisa ou outra..

Joel: O “mercado negro” americano.

Cris: É, e não chega nada tão profundo assim. Agora com respeito a esse tipo de comentário que é muito difícil, porque o Milton Gonçalves virar e falar assim: “Se não tem negro indicado ao Oscar é porque não fizeram bons trabalhos”. O cara pode até chegar a essa conclusão desde que ele tenha assistido os filmes e aí ele fala..

Peu: Exatamente!

Cris: “Eu não achei que fulano foi bom o suficiente… Eu realmente acreditei que o do ‘ciclano’ foi melhor que esse”. Porque você não pode dar essa opinião…

Peu: Sem ter assistido a todos os filmes do mundo.

Cris: Não! Sem ter assistido o (…)

Joel: É verdade!

Cris: (…) o que tava no páreo ali…

Peu: É, ou todos os filmes indicados, né?

Cris: Você não pode falar “se não teve é porque não tem..”..

Joel: Mas a opinião contrária também… A opinião de que houve discriminação, então pra eu afirmar que houve discriminação você também precisa ter assistido a todos para conferir se de fato…

Peu: Mas aí foram feitas algumas análises e tem alguns pontos importantes, por exemplo, a questão do Will Smith, foi um filme que ele realmente surpreendeu na atuação e tiveram alguns pontos. O filme do N.W.A., a mesma coisa. Foi um filme que ganhou prêmios em outros lugares e teve uma repercussão muito grande. O Creed a mesma coisa, entendeu?
Juliana – Então, mas posso falar? A dificuldade é de relacionar causa e consequência (..)

Peu: Sim.

Ju: (..) Sacou? Porque assim, por exemplo, você tem a Gwyneth Paltrow ganhando Oscar em cima de.. Sei lá.. Meryl Streep, sabe, assim? Então, não é a primeira, não é a segunda injustiça do Oscar. Tem gente que é injustiçado por tipo 50 anos. Posso estar falando uma besteira, mas acho que o Ennio Morricone (..)

Cris: Foi a primeira.

Ju: (..) Ganhou a primeira vez agora, tipo, ele tá com 129 anos, sabe? E o cara é assim, se você vai estudar música, não interessa o que que você vai estudar de música você vai estudar o cara, então assim, o cara recebeu o reconhecimento de todo o mundo e não do Oscar. E não é uma característica do Oscar, é uma característica de prêmio qualquer que seja, então a Academia brasileira de Letras também tem as mesmas características, então o que acontece, é difícil você relacionar diretamente ao racismo porque você fala assim “esses caras não foram premiados: 1 – porque a academia é incompetente como já foi incompetente pra premiar ‘trocentas’ pessoas e já fez… Se a gente começar a enumerar as injustiças do Oscar a gente não para hoje. “Esses caras não foram premiados, ou indicados, porque não tiveram dinheiro como a Cris falou para fazer campanhas decentes, como a gente até fez campanha aqui pro “Menino e o Mundo” conseguir mandar o filme para as pessoas, para ele poder ter alguma chance, porque as pessoas não iam nem ver o filme deles, então, assim, tem vários fatores que estão misturados nisso, né? E por isso que acho muito feliz quando o Chris Rock fala “O Leonardo DiCaprio ganha bons papéis todos os anos (..)

Peu: Exatamente!

Ju: (..) “Me dá bons papéis e eu paro de reclamar, cara, na boa… Se eu tiver bons papéis todo ano, não de melhor amigo, mas bons papéis”, que é o que as mulheres pedem também, “que a história seja sobre mim, que eu possa ter minha voz, que eu possa ser protagonista, que eu possa ter camadas, que eu não seja estereotipado, se você me fizer isso todo ano e eu não ganhar por motivo x, y ou z eu não tô aqui reclamando, me dá oportunidade… É só isso que eu quero!”

Peu: Uma coisa que eu fico pensando assim, essa afirmação do Milton Gonçalves e até a do Morgan Freeman, de alguma forma, pode ter sido algo leviano também por parte do jornalista que pergunta… O Milton Gonçalves tá la na casa dele, tomando um café, aí liga o cara lá do jornal e fala “Ó, queria falar com você sobre essa questão porque você é um ator negro que eu tenho o contato”, ou porque é um referência e porque assim, é uma referência e a gente de fato tem poucas referências de atores negros. Liga pro Milton Gonçalves e fala “Então, Milton, você tá vendo aí essa discussão (..)

Cris: E o cara já liga para um cara mais velho, né?

Peu: Pode ser o que o Milton Gonçalves não tivesse informado sobre o que estava acontecendo, não tivesse noção dos filmes que tinham protagonistas negros e que não foram indicados, e aí quando pega, ele dá essa “aspa” onde todo mundo que é contra cotas e que é contra uma série de coisas bate a palma e fala “Tá vendo? Olha lá! Tem um negro falando que eles não foram tão bem assim”. Só que quais foram as condições? Isso não fica claro.

Cris: Gente, mas aí depois que Glorinha apareceu ninguém tem mais desculpa. Não sabe sobre o assunto? É só falar: Não sei opinar.

Ju: Hahaha!

Joel: Mas daí vale pros dois lados!

Ju: É.

Cris: Sim!

Joel: Vale pra quem tá acusando..

Cris: Sempre!

Peu: Exato.

Cris: Não tem certeza? Não sei opinar. Seja sincero! Só para encerrar, o Chris Rock em momento nenhum fala “Deixa passar um negro para eu ter representante (..)

Joel: Claro! Ele é contra isso! Pelo contrário, ele critica isso.

Cris: Tudo o que ele tá pedindo (..)

Peu: É oportunidade.

Cris: (..) É a mesma coisa do discurso da Viola Davis, na premiação do ano passado… Não tem como ser premiado se não existir um papel pra você fazer.

Ju: Isso.

Peu: E que foi maravilhoso.

Ju: Viola Davis maravilhosa!

Cris: Então é a mesma coisa… Parabéns, todos estão alinhados. Todos estão com o mesmo discurso e resta a gente aí ficar de olho nisso e entender como que nas oportunidades do dia a dia a gente tá refletindo também essa discussão, que é sentir falta da diversidade no dia a dia e buscar sair do lugar, buscar sair do lugar de conforto pra trazer isso pro seu olhar porque é isso que vai transformar nossa sociedade (..)

Ju: É isso aí!

Cris: (..) E os filmes que a gente vai assistir, porque nos últimos 5 anos mudou muito rápido, então esse negócio de “não funciona o cartaz assim”, “as pessoas não querem ver mulher”, “as pessoas não querem ver negro”… Cara! Mudou muito rápido! Os últimos 5 anos foi tipo 50 anos. Então tem que rever isso aí e fazer novos testes.

Peu: Já ouvi isso aí, né? Brasília, 50 anos em 5 (risos).

Cris: Não foi de propósito (risos). É isso? Temos um Trending Topics! Vamos para o Farol Aceso!

(*********************)

Cris: Vamos então para o Farol Aceso? Vamos começar com nosso novo integrante, pra já chegar chegando? E aí, Joel, o que tem de bom?

Joel: Olha, hoje eu li um artigo que eu achei fantástico… Mônica Waldvogel na Folha, se chama “Máxima Culpa”. A Fernanda Torres alguns dias atrás, acho que semana passada, fez um artigo chamado “Mea Culpa”, né? Sobre feminismo e apresentou uma visão que não caiu bem em muitos setores do movimento organizado, foi duramente criticada, escorraçada, xingada e veio pedir perdão depois por isso mas mesmo esse perdão não colou bem, pisaram mais em cima dela e foi uma situação que a Mônica Waldvogel pegou e assim como uma situação que ela viveu de alguns anos atrás de ter sido também escorraçada por uma coisa totalmente diferente sobre ciclo ativismo num comentário dela anos atrás e explorando um pouco algumas dinâmicas que estão em jogo nesses movimentos, a pessoa que diz algo, expressando uma opinião meio espontânea, a reação que isso gera e como a pessoa depois reage a isso e tipo de cultura que tem se criado ao redor disso. Eu achei uma grande leitura que eu fiz hoje, foi o que mais me marcou. Vocês estavam falando de livros aí e já que eu entrei pra ser o cara da direita aqui (..)

Ju: Hahaha!

Joel: (..) Acabei de ler algum autor que é neoconservador americano que não é a minha posição em geral também. Eu era, até ler esse livro pelo menos, alguém dizia “não, acaba com a política externa americana, não tem nada disso, tem que fazer a paz mesmo”, o Harry Kissinger, que foi um super importante da geopolítica americana no século XX, escreveu em 2014 o livro “A Ordem Mundial”, falando um pouco, uma visão eu diria bem mais realista do tema, do que o meu idealismo anterior podia conceber ou lidar, então aprendi muito lendo e recomendo também esse livro aí pra quem se interessa pelo tema, que não é simples..

Ju: Muito bom, muito bom.. Nada é simples!

Cris: Teje preparado… Peu, o que que você manda de bom?

Peu: Vou falar de algo que não é nada simples também, é o clipe do Figueroas, Lomba da Massa, que saiu hoje, se não me engano, a gente soltou exclusivo no Noisey, inclusive fazendo (..)

Ju: Jabá!

Peu: (..) Fazendo jabá.. Quem escreveu a matéria foi o Eduardo Ribeiro, que é um grande repórter e o clipe é simplesmente maravilhoso porque é um clipe feito com Chroma Key (risos).

Cris: É muito engraçado…

Peu: E o olhar pecaminoso do Givly Simons, que é um personagem que se você não conhece, é bom você se (..)

Cris: Busque saber!

Ju: Procure saber.

Peu: (..) Se inteirar do assunto. É muito interessante porque o Figueroas, ele resgata, né? O grupo, é ele e o Dinho Zampler. Aí ele resgata o lance da lambada, e aí muita gente pode falar, meio que de uma forma irônica, tipo “indie fazendo lambada” mas não é, a dupla aí, especialmente o Givly, ele tem um carinho muito genuíno com isso, ele é um pesquisador de música, de lambada de música que convencionou-se chamar de brega. Então ele é um cara que conhece disso e o clipe é maravilhoso. É simplesmente maravilhoso, pecaminoso, lisérgico (..)

Cris: Hahaha! É bem isso mesmo! Hahaha!

Peu: É isso e tem várias referências lá que você vai sacando, tem o Raul Seixas ali e tem umas paradas meio malucas, muito foda.

Cris: Me lembrou Snoop Dogg também, aquele clipe dele oitentista.

Ju: Cris, que que você tem?

Cris: Eu? Então… É o seguinte, eu gostaria de recomendar uma plataforma que eu venho acompanhando já há um tempo, que é “Aos Fatos”, eu conheço a Tai Nalon que escreve, que é responsável pelo canal. E é o seguinte, o “Aos Fatos”, se falar rápido fica parecendo “Olfato”, né? “Aos Fatos” é uma plataforma multimídia de verificação de discursos, então é assim, toda vez que alguém vai a público e fala alguma coisa, eles vão lá checar todos os dados que foram falados. Então eles fizeram isso no programa do PT, na propaganda da Marta, fizeram hoje com a nota dos advogados do Cunha a respeito da continuidade do processo e aí eles desconstroem aquele discurso ali, eles retiram o que foi dito e falam “não é bem assim, olha aqui o que tem aqui, aqui e aqui”. Nessa época que a gente tá falando tanto aqui sobre “busque o outro lado”, “verifique as informações”, “não reproduza sem saber”, por favor, leiam o “Aos Fatos”. É realmente muito bom. Eles tem uma responsabilidade enorme de buscar a fonte e trazer aquilo ali pra você comprovar, então o de hoje, inclusive, tem um pedaço de um fax lá que comprova que aquilo ali que tá sendo dito não é que tá, por exemplo, no processo. A Tai tá de parabéns, o trabalho é realmente muito bom. Eu espero que todos vocês acessem, porque vale muito à pena. Ju…

Ju: Bom, eu vou indicar o mais novo bebê da família de podcasts B9, que é o Código Aberto. É um papo na verdade, uma conversa com algumas das pessoas mais criativas do mercado. Tanto gente que tá no cinema, como gente que tá em redes sociais, que tá em tecnologia, publicidade, enfim. Pra conversar sobre o mercado, pra falar sobre criatividade, pra falar sobre liderança, enfim. O primeiro papo foi com o André Kassu, da CP+B Brasil. Tá muito legal, muito provocativo, tá muito engraçado. Ele é um carioca engraçado, ele fala um monte de palavrão, ele não é nada formal, ele é super informal. Então, assim, vale muito à pena ouvir e assinar o feed.

Cris: Posso comprovar, personagem interessantíssima, abrindo com chave de ouro. Escutem.

Ju: Então temos um programa, gente? Muito obrigada!

Cris: É isso?

Convidado: Temos… valeu!

Cris: Então fica a gostosa sensação de um Mamilos inteiro para vocês. Obrigada, gente! Beijo!

Ju: Tchau!

Sobe a trilha