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# SXSW 2021: pertencimento e segurança em tempos de Covid-19
- URL: https://www.b9.com.br/sxsw-2021-pertencimento-e-seguranca-em-tempos-de-covid-19/
- Published: 2021-03-18T12:50:29.000Z
- Updated: 2021-03-18T12:50:29.000Z
- Description: Como fica a sensação de pertencer a algo em um mundo que passou por tantos meses de isolamento social?
- Author: Juliana Vilhena Nascimento
- Tags: Criatividade, SXSW, #wp, #wp-post

Uma das delícias de assistir ao **SXSW** é ir “costurando" as palestras que a gente assiste. A gente pega um retalho ali, junta com outro aqui…e quando vai ver, tem um patchwork super interessante - que muitas vezes traz novos olhares para aqueles conteúdos.

Duas sessões me fizeram pensar bastante sobre o que está acontecendo conosco quando o assunto é senso de pertencimento: isolada hoje exatamente há 365 dias, tenho sido privada de abraços de amigos, de encontros não-marcados com pessoas queridas no trabalho pra um café e até de estar no mesmo espaço físico de pessoas de quem a gente gosta.

E você que está lendo esse texto está na mesma situação, não é?Quarentenado, em casa e apenas com as telas como interfaces com o mundo.

Pois bem. **Vanessa Mason**, do **Institute for the Future of Belonging**, começou um painel sobre o futuro do pertencimento falando exatamente sobre esta crise, que combina a nossa sensação de solidão ao *“displacement”* \- o sentimento de ter perdido o(s) nosso(s) lugares de conexão - e uma onda de desfiliação de pessoas a instituições como igrejas, clubes, etc.

Ela falou que o senso de pertencimento vem de três grandes vetores: a conexão emocional gerada pelo afeto que vem da validação e vivência com outras pessoas; a percepção de significados comuns em coisas, pessoas e situações; e a segurança, física ou psicológica.

É aqui que eu costuro o painel da Vanessa com o do **John Maeda**, especialista em CX que falou sobre como neste momento durante e pós pandemia a *"segurança vai engolir o mundo”*. John, que anualmente apresenta seu CX Report com tendências pro ano, falou muito em 2021 sobre como a pandemia impactou nosso set de necessidades humanas. Isso ocasionou uma evolução - ou mudança mesmo - na pirâmide de Maslow, que trouxe pra sua base mais densidade num bloco de 4 camadas que ele chamou de “safety stack”. Este bloco é composto por segurança física (dispensa explicações, né), segurança operacional (ser capaz de funcionar, trabalhar, fazer o que vc precisa), cyber segurança (estar seguro e protegido de malware, o que é cada vez mais importante[ no mundo previsto ontem pela Amy Webb](https://www.b9.com.br/sxsw-2021-o-ano-em-que-blade-runner-encontrou-black-mirror/)) e segurança psicológica (gostar e ser gostado, cuidar e ser cuidado, incluir e sen sentir parte).

Este safety stack, aplicado a pessoas e a organizações, tem o poder de torná-las "anti-frágeis" (já leu o livro do Nassim Taleb?), ou capazes de se tornar mais fortes a cada crise ou momento de stress. E se nós podemos ser anti-frágeis como pessoas, organizações e comunidades, nós podemos criar novos caminhos para encontrar pertencimento.

Quer ver um que tem sido sucesso de audiência? O **Clubhouse**.

Vanessa trouxe ainda outros 2 exemplos, menos conhecidos por mim mas que achei bem interessantes. O [**Teemyco**](https://teemyco.com/index.html?ref=b9.com.br), um escritório virtual que tem as já conhecidas “salas de reunião” mas também tem espaços pra estimular a espontaneidade nas conversas e trocas dos colaboradores; e o [**Project Truth**](https://www.projecttruthandrec.org/?ref=b9.com.br), um movimento que pretende diminuir a desigualdade nos Estados Unidos unindo diversas comunidades (indígena, LGBTQIA+, minorias de raça) em uma grande comunidade que trabalha junta em prol de maior igualdade.

Quem assistiu **"Batman Begins"** deve lembrar da cena em que o herói cai num poço fundo e o pai o resgata. Neste momento, Thomas Wayne pergunta ao filho *“por que nós caímos, Bruce?”*.

O menino responde: *“Pra gente aprender a levantar”*.