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# SXSW 2023: Um chef que usa a comida para mudar o mundo
- URL: https://www.b9.com.br/sxsw-2023-comida-esperanca/
- Published: 2023-03-12T13:13:42.000Z
- Updated: 2023-03-12T13:13:42.000Z
- Description: A iniciativa da World Central Kitchen comandada por José Andrés auxilia em grandes desastres por meio do crowdsourcing de alimentos
- Author: Juliana Vilhena Nascimento
- Tags: Criatividade, crowdsourcing, SXSW, #wp, #wp-post

Ontem (dia 11) assisti um dos Keynotes do evento enquanto caminhava de uma sala pra outra — e em meia hora de conversa virei fã do **José Andrés**, chef de cozinha hispano-americano que fundou um grupo de 19 restaurantes e a **World Center Kitchen** — uma iniciativa de “crowdsourcing de comida” que é mobilizada cada vez que um grande desastre acontece.   
  
Além de uma equipe própria, composta por chefs voluntários do mundo todo, a **WCK** chega aos países ativando a rede local de mercados e restaurantes para primeiro alimentar quem precisa de comida - e depois reativar a economia local a partir destes negócios.  
  
O mais legal foi ouvi-lo dizer que pouquíssimas vezes nestes momentos — em que ele chegava aos países pedindo ajuda e arrebanhando aliados — ele ouviu um não como resposta. “*É nas piores tragédias que o melhor da humanidade se apresenta*”, disse ele, fazendo meu coração se encher de esperança.

![](https://storage.ghost.io/c/b8/a4/b8a4ba23-e08d-42f7-b459-b1bcab5b8867/content/images/assets-b9-com-br/wp-content/uploads/2023/03/wck_ukrainin.jpg)

Voluntários ucranianos servem refeições fornecidas por parceiros da WCK na fronteira de Medyka em 27 de fevereiro, com mais pessoas chegando a cada dia. Fonte: World Central Kitchen

Ele é apaixonado pelo trabalho que faz e faz questão de contar o quanto aprendeu em cada um dos lugares para os quais levou sua cozinha. Das Bahamas, aprendeu um prato chamado “*Fire Engine*”. No Haiti, descobriu que as pessoas gostam de comer feijão batido.

E descobriu também que as pessoas não querem que se sinta pena delas — elas querem ser respeitadas. Para ele, a filantropia tem como propósito a libertação de quem a recebe, e não a redenção de quem doa.

Apesar de depender da generosidade alheia para manter a **WCK** funcionando, José se mostrou pouco favorável a apenas receber doações em dinheiro. Segundo ele, não é assim que as melhores soluções são criadas.

José se emocionou e nos emocionou em vários momentos da conversa - e terminou a conversa dizendo “*se queremos mudar o mundo, precisamos correr riscos*”.

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