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# SXSW 2023: IA e o futuro dos criativos
- URL: https://www.b9.com.br/sxsw-2023-ia-e-o-futuro-dos-criativos/
- Published: 2023-03-24T20:16:33.000Z
- Updated: 2023-03-24T20:16:33.000Z
- Description: O que antes apontava para um futuro em ascensão, agora se volta para a aplicabilidade e os impactos da tecnologia na rotina de quem cria.
- Author: Felipe Luz
- Tags: Criatividade, SXSW, #wp, #wp-post, Tecnologia

Quando pensamos em **SXSW**, automaticamente vem à mente os talks, fóruns, exposições e ativações. Mas, para mim, a experiência extrapola os limites do conteúdo. O festival instiga, em cada um de nós que estivemos por lá, uma busca constante pela construção de seu próprio framework de compreensão do futuro, que se constrói pouco a pouco no entrelaçar entre inovação, branding, dados, tecnologia e tantos outros temas.

É notório que, nesta edição, a **inteligência artificial** se tornou um tópico quase indissociável das narrativas. Mesmo que em anos anteriores o tema já pautasse a discussão, agora percebe-se uma evolução nesta abordagem: o debate, que antes rondava um futuro em ascensão (e por vezes quase fetichizado), se volta agora para a aplicabilidade e os impactos cotidianos da tecnologia. E, no fluir do tema, é natural que nós criativos passemos a refletir ainda mais sobre como nossa rotina se transformará. Então, trago aqui alguns pensamentos.

Para começar, em breve, todo criativo precisará ser também um ‘*operador de prompt*’. De forma muito simplista, os prompts são as linhas de comando e interação para uma inteligência artificial generativa. E a forma como os dados e informações são imputadas transforma radicalmente o resultado do processo. Assim como no passado o dia a dia era marcado pelo fotolito e pelas máquinas de escrever, num futuro próximo criar com IA será parte da rotina das agências, estúdios e consultorias. É parte da evolução da ferramenta e será parte do nosso cotidiano não apenas como profissionais, mas como cidadãos.

É inegável que essa nova dinâmica vai trazer ganhos em agilidade, escala e, acima de tudo, em economia de tempo. Como contraponto, surgem dilemas de diferentes naturezas: legais, éticos e até morais. Sem dúvida, cada um deles nos dá insumo para outras reflexões, mas meu foco aqui se mantem à procura de elucidar os impactos para nós, criativos.

A pergunta natural e, talvez, a mais recorrente é se perderemos espaço ou valor nessa nova dinâmica de mercado. Até agora, ninguém parece preparado para cravar uma resposta simples para esta questão.

A futurista **Amy Webb**, CEO do instituto **Future Today** e figura recorrente no **SXSW**, por exemplo, demonstrou sua preocupação com o despreparo das pessoas para lidar com a velocidade das transformações que estamos vivenciando. Ela pontuou que o uso da inteligência artificial como ferramenta criativa deve ganhar espaço de forma natural e usou um plano de negócios que criou em segundos no **ChatGPT** como exemplo. Em seguida, a estratégia se desdobrou em alternativas de nome para esse negócio fictício dentro da mesma plataforma. A sensação geral, ao ver o plano de negócio e as alternativas que Amy apresentou, é muito semelhante àquela de quem está se arriscando pela primeira vez em ferramentas de IA generativas: estranhamento com imagens que parecem inacabadas e trechos de textos que carregam informações desconexas – talvez até não totalmente verídicas. Por outro lado, o sentimento comum é de que os resultados, mesmo que preliminares, são ótimos pontos de partida. Além disso, com a evolução da ferramenta, eles logo estarão prontos para serem mais do que isso.

Outro tópico recorrente é a influência estética da IA, seus reflexos e uma possível pasteurização das soluções criativas. Nessa seara me arrisco um pouco mais. Acredito que quando a especialidade técnica se dilui na sofisticação da ferramenta, os atributos humanos – como leitura de mundo e a sensibilidade – devem voltar à cena. A imperfeição, o tortuoso e a estranheza poderão ganhar força e serão sinais de que as pessoas continuam sendo um ingrediente importante da receita. Afinal, os criativos brasileiros sempre se destacaram com sagacidade, originalidade e audácia para além do uso de qualquer ferramenta. Para nós, a boa notícia é que a autenticidade não deve perder espaço.

Então, deixo para trás a pergunta sobre este espaço e me proponho a provocar outro questionamento: quão poderosas podem se tornar nossas ideias com esse potencial e acesso em mãos?

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