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# SXSW 2023: New Order
- URL: https://www.b9.com.br/sxsw-2023-new-order/
- Published: 2023-03-20T13:56:22.000Z
- Updated: 2023-03-20T13:56:22.000Z
- Description: Saem os enumerados de novidades, surgem narrativas individuais e percepções sobre o ser e o agir
- Author: Renato Duo
- Tags: Criatividade, futuro, SXSW, #wp, #wp-post

Minha primeira vez no **SXSW** (pelo jeito, mesma situação de outro monte de brasileiros que transformaram Austin numa cidade lusófona e entoaram toca-raul-eu-não-vou-embora no show do **New Order**). E realmente tenho que dizer: o encontro/conferência/congresso é interessante pra caramba, superorganizado, abrangente nos olhares, contemporâneo nas pautas e tudo o mais que se imagina de um evento sobre inovação nesses tempos doidos e interessantes.  
  
Mas se eu sempre imaginei o **SXSW** como um showcase de tendências e análises sistemáticas sobre o futuro, um guia norte-americano que dita e informa para onde estão indo as coisas, tive uma outra visão.  
  
Na minha percepção de novato, os keynotes, os painéis e as entrevistas que se arvoraram de se manter nesse formato de apresentação de tendências falharam.   
  
O *Instituto DataRenato* escutou diversas vezes, em caminhadas apressadas pelos corredores acarpetados do **SXSW**, coisas como “fui na palestra X e uai! não vi nada de novo”, “o palestrante Y não falou nada que eu não soubesse, só embalou de um jeito diferente”, “no segundo slide o palestrante W me perdeu, fiquei lendo e-mail do trabalho”.  
  
E o que eu tiro desses comentários é que ninguém mais detém nenhuma informação com exclusividade.  
  
Não há mais um oráculo das certezas, nenhum barômetro dos movimentos futuros da humanidade. O que é falado por lá não é necessariamente velho, mas também não significa mais uma première, como eu acredito que tenha sido no passado. As novidades não estão no **Ballroom D do Austin Convention Center**, mas no dia-a-dia, em algum lugar mais prosaico e acessível — um email de algum parceiro, um report de algum instituto, um estudo de alguém do time.  
  
Até uma tal foto inédita tirada pelo **Telescópio James Webb** que a **NASA** ia apresentar no **SXSW** já estava online e disponível há uns tempos. Bem... ou eu procurei errado ou a NASA se enganou de arquivo na hora H (o que me leva a acreditar que, se a NASA se enganou com isso, meus amigos... os habitantes da Terra estão mais lascados do que se imaginava).  
  
Mas há esperança: olhando macro para os dez dias de encontro/conferência/congresso, percebo que existe um renascimento de algo que sempre foi vital (na indústria da comunicação, pelo menos): uma cultura da opinião e da visão individual.  
  
Saem os enumerados de novidades, aparecem percepções sobre o ser e o agir. Morrem os menus de tendências, voltam as narrativas individuais. Caem as futurologias, renascem as histórias e a História.  
  
Como o show de sarcasmo do Douglas Rushkoff, que se identifica como "anarco-sindicalista-marxista-teórico-de-mídia-ex-diretor-de-teatro-judeu-novaiorquino" e que teve coragem de falar, na SXSW, um território de startupeiros, que uma startup nunca vai ser um ecossistema (por definição algo cíclico, autorregulado e autossuficiente), pois uma startup não é sustentável: ela nasce para morrer, para ser eliminada em troco de alguns milhões de dólares.  
  
Ou um designer da California, **Sambuddha Saha**, que afirma, num painel sobre carros elétricos com figurões da indústria automobilística, que a filha de 22 anos não dirige, não tem interesse em aprender a conduzir um carro e ele estimula que ela continue assim. Porque, para ele, que trabalha na **Volvo**, carros precisam ser radicalmente repensados em sua função e forma.  
  
É a narrativa. É o pensamento crítico. É a opinião. É se atrever.  
  
E estes comportamentos, sim, me parecem muito mais um espírito **South by Southwest**: não necessariamente o Sulista Texano, mas grandes cutucadas ao ocidente dominante, tão acostumado a ditar decisões e determinar nortes dos pensamentos.

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