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# SXSW 2024 - Dá para "ser parte da cultura" só surfando trend do TikTok?
- URL: https://www.b9.com.br/sxsw-2024-da-para-ser-parte-da-cultura-so-surfando-trend-do-tiktok/
- Published: 2024-03-13T22:31:28.000Z
- Updated: 2024-03-13T22:31:28.000Z
- Description: Sobram cases de marcas querendo viralizar a partir da trend do momento enquanto a solidão do mundo hiperconectado aumenta as oportunidades de recriar futuros por meio de comunidades
- Author: Eduardo Zanelato
- Tags: Criatividade, SXSW, #wp, #wp-post, TikTok, Tecnologia

Uma leitura atenta da programação do **SXSW** já ajuda, aqui e ali, a identificar painéis que prometem tudo no título e entregam um tanto menos na realidade. Este ano, olhando para as trilhas de *Creators* e *Cultura*, ainda assim caí em algumas discussões que pareciam interessantes por abordarem como podemos usar a cultura como um ponto de partida para criar conversas relevantes com comunidades de interesse e distribuir valor para cidadãos, criadores de conteúdo, empresas, e demais *stakeholders*.  
  
Mas o que vi mesmo foram marcas se apressando em associar "decodificar a cultura" com uma ação esperta de co-criação com influenciadores surfando uma *trend* do **TikTok**, de forma mais ([aqui](https://www.youtube.com/watch?v=6%5Ftq-OO7sjM&ref=b9.com.br)) ou menos ([aqui](https://www.b9.com.br/165713/stanley-carro-fogo-video-viral-tiktok/)) rasa.  
  
Tem mérito aí? Tem, claro. Não é uma jornada simples e fácil entender que marca se constrói, hoje, mergulhando em contextos social e culturalmente relevantes. É um movimento corporativo bem relevante e transformador, mas não é "decodificar cultura". Entrar na cultura é um movimento muito mais complexo e que demanda ainda mais ambidestria corporativa do que os avanços feitos até aqui, com compromissos e movimentações que beneficiem não só o acionista.  
  
Não vi nas discussões até aqui um compromisso aberto e transparente de consertar os problemas que as próprias empresas ajudaram a criar. Construir comunidades sustentáveis, estar aberto a não ser protagonista das conversas e saber navegar com humildade para construir relações e negócios mais saudáveis são aspectos cada vez mais fundamentais para, de fato, sair do *case* de dois minutos para o reconhecimento de uma estratégia corporativa que efetivamente se infunda na cultura — e produza valor para as pessoas, não só para os acionistas. Isso, infelizmente, não esteve tão presente por aqui nas sessões que acompanhei.  
  
Como bem disse [Paula Carozzo](https://www.instagram.com/pauuzzo/?ref=b9.com.br), *creator* PCD escolhida para promover a primeira linha de produtos pensados para pessoas com deficiência da **Victoria's Secret**, as marcas precisam sair do discurso e se comprometer a prover muito além do básico. "*Estou cansada de ouvir que querem que eu me sinta vista, sentida e ouvida. Passamos disso. Se meus direitos humanos mais básicos não estão sendo respeitados, não dá para estabelecer uma relação horizontal e a empresa não está interessada nem preocupada comigo*", disse. "*As marcas precisam fazer uma mudança e entregar valor para as comunidades*."

![](https://storage.ghost.io/c/b8/a4/b8a4ba23-e08d-42f7-b459-b1bcab5b8867/content/images/assets-b9-com-br/wp-content/uploads/2024/03/screenshot-2024-03-13-at-7-20-10aipm.png)

Paula Carozzo e a primeira linha de produtos para pessoas com deficiência da Victoria's Secret / Divulgação

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