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# SXSW 2024 - Eu sangro. Tu sangras. Eles sangram
- URL: https://www.b9.com.br/sxsw-2024-eu-sangro-tu-sangras-eles-sangram/
- Published: 2024-03-14T19:29:38.000Z
- Updated: 2024-03-14T19:29:38.000Z
- Description: Em meio a maior transformação tecnológica da humanidade, não podemos esquecer da mais importante de todas as tecnologias: a relação humana
- Author: Marcelo Rizério
- Tags: Criatividade, SXSW, #wp, #wp-post

O mundo está passando por mais uma revolução tecnológica. A Inteligência Artificial veio para mudar tudo e só se fala disso aqui no **SXSW**, claro. Seja com o **Vision Pro**, **Ai Pin** ou **Rabbit R1** uma coisa é certa: o mundo nunca mais será o mesmo e as novas gerações já nasceram com toda essa tecnologia normalizada no dia a dia.  
  
**Amy Webb**, futurista, autora, fundadora e CEO do **Future Today Institute** (e figurinha carimbada no **SXSW**), falou entre outras coisas sobre a **Gen T**, que significa *"Geração de Tecnologia"* e refere-se à ideia de que todas as pessoas, independentemente da idade, devem ser fluentes em tecnologia e ter habilidades digitais para navegar no mundo atual e no futuro. **Webb** também falou que a **Gen T** pode ser chamada de *“Geração de Transição”* que é o momento em que estamos vivendo. Ou seja, estamos passando por um período de transição em relação à tecnologia e que é importante que todos se adaptem a essa mudança.  
  
Mas em meio a robôs, carros autônomos, chips implantados no cérebro, biotecnologia e toda inteligência artificial que a **Amy Webb** e tantos outros mostraram, resolvi trazer um contraponto de um dos papos mais interessantes que vi até agora aqui em Austin, a gravação do podcast *“Unlocking Us”* apresentado pela pesquisadora **Brené Brown**. Um podcast que fala sobre a vulnerabilidade humana. O papo foi com **Esther Perel**, psicoterapeuta, escritora e que tem um **TED** com milhares de visualizações, elas discutiram tópicos como vulnerabilidade, intimidade, comunicação e crescimento emocional.  
  
O que isso tem a ver com o **SXSW**? Para mim, tudo. Na verdade, acredito que essa relação humana seja uma das principais coisas às quais devemos nos atentar em meio a tanta transição tecnológica e geracional. Afinal, por mais que o mundo esteja vivendo a era da inteligência artificial, são justamente as relações reais que fazem a diferença em um relacionamento, no trabalho ou em qualquer outra esfera que envolve um ser humano. Se pensarmos nas marcas e campanhas, as pessoas irão se identificar mais com as histórias e conversas que gerem alguma conexão real com elas.  
  
**Perel** falou que *“a qualidade do seu relacionamento é a qualidade da sua vida real”*, seja o relacionamento afetivo ou até no trabalho. Claro que o uso das novas tecnologias irão facilitar muito a vida, e quem não se adaptar, está fadado a ser ultrapassado pelas pessoas que já entenderam esse movimento. Mas o que realmente vai fazer com que sua vida seja melhor e mais feliz é também fruto da qualidade dos relacionamentos de verdade, com todas as vulnerabilidades, defeitos e incertezas.

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Esther Perel: o significado de uma informação é determinado também pelo ouvinte. Foto: SXSW

Essa relação entre as pessoas é tão importante que **Esther Perel** também trouxe um conceito muito poderoso de que *“listeners create the speakers”*, ou seja, a qualidade e profundidade dos assuntos, das relações e do trabalho vem com a troca e capacidade de quem está passando uma mensagem conseguir se conectar de fato com quem está ouvindo. Quando ouvimos alguém falar, interpretamos suas palavras com base em nossa própria experiência, conhecimento e perspectiva. Isso quer dizer que o significado de uma informação não é apenas determinado pelo falante, mas também pelo ouvinte. Nunca podemos esquecer isso ao criarmos uma ideia, na verdade, essa pode ser justamente a diferença entre uma ideia poderosa que tem relevância cultural e vira conversa entre as pessoas ou uma ideia que simplesmente passa batido pelo feed ou pela vida.   
  
Essa reflexão é muito relevante nos dias atuais, pois com tanta tecnologia pronta para resolver qualquer problema, não podemos nunca esquecer das relações humanas e entender a importância dos ouvintes, ou no caso das marcas, a importância dos consumidores, na co-criação do significado da mensagem. Dependendo do contexto cultural e repertório de cada um, o conteúdo pode ser interpretado de um jeito ou de outro. Ou seja, quem recebe a informação também tem um papel ativo na ideia. E no fim do dia as mensagens e conceitos que criamos serão comunicados para as pessoas. Podemos, e devemos, ter a ajuda de novas tecnologias no processo de estratégia, criação e produção, mas jamais podemos esquecer que quem será impactado são as pessoas de verdade. Aquelas que sangram.

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