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# SXSW 2024: Um banho de humanidade pra começar com o pé direito
- URL: https://www.b9.com.br/sxsw-2024-um-banho-de-humanidade-pra-comecar-com-o-pe-direito/
- Published: 2024-03-09T16:46:31.000Z
- Updated: 2024-03-09T16:46:31.000Z
- Description: Arte e ciência no mesmo patamar
- Author: Lucas Madeira
- Tags: Criatividade, SXSW, #wp, #wp-post

Pra quem veio querendo ouvir respostas, principalmente aquelas relacionadas a **AI**, talvez a palestra de abertura do **SXSW 2024** tenha sido um pouco decepcionante. Mais do que respostas, ela fez voltarmos para uma das perguntas mais básicas da nossa existência: estamos sozinhos no universo?  
  
A poeta **Ada Limón** foi convidada pela **NASA** para escrever um poema que vai ser lançado ao espaço em outubro de 2024, na missão **Europa Clipper**. O objetivo da missão é explorar a lua de **Júpiter**, um local que tem todos os ingredientes para encontrarmos algum tipo de vida fora da terra. Assim, [a nave vai enviar diferentes tipos de mensagens da terra](https://europa.nasa.gov/message-in-a-bottle/join-us/?ref=b9.com.br) para fazermos "contato" com nossos amigos Extraterrestres.  
  
Mas o que escrever em uma poesia que vai para o espaço? Para quem estou escrevendo? Como a poesia pode nos ajudar a navegar nos mistérios do espaço e nas questões da humanidade? Essas foram algumas das perguntas que fizeram parte do processo criativo da Ada, que inicialmente "travou" com um projeto tão grandioso como esse (quem nunca, não é mesmo?).  
  
Mas escrever poesia não é sobre trazer respostas. Pelo contrário, ela trabalha no campo do desconhecido, do subjetivo, da sensibilidade. Segundo ela, quando você começa um poema, você nunca sabe onde ele vai terminar. É um processo de entrega total ao momento, de abraçar o mistério. Você começa com perguntas e acaba com ainda mais questões.  
  
E é aqui que a relação entre arte e ciência se aproxima.  
  
A ciência também é mais sobre perguntas do que respostas. Sobre a busca eterna de entender os mistérios do planeta, sobre se jogar no escuro atrás de uma hipótese e começar a explorar sem saber onde vai chegar. Não é sobre arte VS ciência, mas sim como elas caminham juntas para a evolução da sociedade.  

![](https://storage.ghost.io/c/b8/a4/b8a4ba23-e08d-42f7-b459-b1bcab5b8867/content/images/assets-b9-com-br/wp-content/uploads/2024/03/img_4918.jpg)

**Lori Glaze**, diretora da **Divisão de Ciências Planetárias** da **NASA**, com Ada Limón. Crédito: Lucas Madeira

  
Para Ada Limón, a poesia é uma maneira de se reconectar com a humanidade e com a natureza, de se sentir pertencido pelo mundo, não pelas pessoas. E foi sobre isso que ela decidiu escrever. O melhor caminho a seguir era falar para o espaço das maravilhas da terra ([ouça o poema aqui](https://www.youtube.com/watch?v=EgWbeDNPD6o&ref=b9.com.br)). Afinal, de acordo com todo cientista da NASA, a Terra é o melhor planeta do universo (apesar de parecer que às vezes não valorizamos tanto isso).  
  
E foi sob as belezas e sutilezas da terra e dos humanos, ao lado da ciência e magia do espaço e da NASA, que o festival foi oficialmente aberto.  
  
Trazendo uma intersecção e correlação entre arte e ciência que ainda tem muito a ser explorada, mas que nem sempre é valorizada. Essa abordagem mais ampla e filosófica pode ter decepcionado alguns, mas acho sempre válido relembrarmos as emoções e conexões que nos fazem humanos.  
  
Na era da AI, não ter todas as respostas pode ser decepcionante, mas é essencial.  

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