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# SXSW 2024 - Who wants to live forever? Parte 2
- URL: https://www.b9.com.br/sxsw-2024-who-wants-to-live-forever-parte-2/
- Published: 2024-03-12T13:44:56.000Z
- Updated: 2024-03-12T13:44:56.000Z
- Description: A singularidade total homem e máquina plenamente conectados pode estar logo ali
- Author: Juliana Vilhena Nascimento
- Tags: Criatividade, SXSW, #wp, #wp-post

Há 9 anos, eu ouvi pela primeira vez alguém falar sobre a possibilidade de vida após a morte aqui no **SxSw**. Não era um culto religioso, já adianto: era uma palestra de **Martine Rothblatt**, cientista que naquele tempo trabalhava em tecnologias que fossem capazes de eternizar nossa mente, nossa consciência.  
  
**Martine** me apresentou ao conceito de clone da mente. Mais do que ao conceito, na realidade: ela já tinha uma prova de conceito bem adiantada — a **Bina48**, *mindclone* da mulher dela que em 2015 já conseguia praticamente conversar com alguém (com algumas agarradas aqui e ali). E terminou o papo dizendo que em mais ou menos 20 anos, teríamos tecnologia *mainstream* para que quem quisesse eternizar o próprio cérebro pudesse fazê-lo. Veja mais sobre ela [aqui nesse link](https://www.b9.com.br/56071/sxsw-2015-em-busca-da-imortalidade).  
  
Pois bem: nove anos depois, **Ray Kurzweil**, de volta ao festival, nos conta que o cronograma acelerou. No seu novo livro “*The Singularity is Near*”, ele dá como prazo pra gente poder “fazer backup” de um cérebro o ano de 2029\. E completou, na palestra: quem estiver vivo daqui a cinco anos provavelmente poderá viver por outros 500 (ME-DO!)

![](https://storage.ghost.io/c/b8/a4/b8a4ba23-e08d-42f7-b459-b1bcab5b8867/content/images/assets-b9-com-br/wp-content/uploads/2024/03/singularitybook.jpg)

Garantir ele não garante — mas conta que até 2045 três tecnologias terão avançado tremendamente: os *nanobots*, as interfaces máquina-cérebro e a danadinha da inteligência artificial. E que as três, juntas e desenvolvidas, finalmente viabilizarão a singularidade total. Homem e máquina plenamente conectados, e talvez *ad eternum*.  
  
Segundo ele, a gente vai ser como o **Neo** em **Matrix**: vamos poder adicionar conhecimentos e capacidade computacional ilimitada ao nosso cérebro, e corre o risco de nem precisar de uma conexão direta ao dito cujo. O que importa é que isso nos fará capazes de, mais uma vez, revolucionar a humanidade e reduzir brutalmente as ameaças à sua existência.  
  
**Ray** conta que a **Moderna** desenvolveu sua vacina usando tecnologia pra analisar os *strings* de **RNA** com maior potencial de eficácia. Segundo ele, o *string* vencedor foi encontrado em 48 horas. De 7 trilhões de combinações possíveis, bastaram 2 milhões para a inteligência artificial envolvida achar a combinação vencedora. Pensem no quanto a medicina, a expectativa de vida e o mundo vão mudar.  
  
Também vamos poder ter nossos pais e amigos nos aconselhando para sempre. Ele já puxou a fila — fez um modelo mental do pai dele usando coisas escritas deixadas após a sua morte — e a filha de Ray, agora, pode fazer perguntas pro avô e pedir conselhos.  
  
E daí pra frente, a quantidade de implicações éticas e práticas é potencialmente infinita:

- Talento nato vai deixar de ser importante se a gente pode “anabolizar o cérebro”. E todos nós estaremos “nivelados por cima” em habilidades. O que vai diferenciar as pessoas?
- Se vamos ter as pessoas de volta depois da morte, elas deixam herança? Deixam dívidas? A série **Upload**, da **Amazon Prime**, [dá uma boa palhinha disso](https://www.b9.com.br/158060/sxsw-2022-sera-que-os-faraos-ja-conheciam-o-metaverso/?highlight=Fara%F3s).
- Será que vamos conseguir misturar cérebros, compartilhar memórias?

Como a gente não sabe bem o que vem por aí, acho que o melhor conselho é: cuidem bem dos seus corpos físicos. Com sorte, eles vão nos acompanhar por muito mais tempo…

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