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# "Imploding the Mirage" é um recado do The Killers aos fãs: nada mudou
- URL: https://www.b9.com.br/the-killers-imploding-the-mirage-album-review/
- Published: 2020-08-28T16:19:55.000Z
- Updated: 2020-08-28T16:19:55.000Z
- Description: Turbulências internas não afetaram o sexto álbum, que apesar de todas as mudanças, carrega um DNA da banda tão forte que parece que nada aconteceu
- Author: Soraia Alves
- Tags: Cultura, Cinema, review, #wp, #wp-post

Para uma banda que sempre se manteve "limpa" perante as tentações do universo Rock n Roll e do showbusiness, o **The Killers** passou recentemente por episódios complicados, como a saída do guitarrista **Dave Keuning**, a participação apenas em estúdio do baixista **Mark Stoemer** e acusações de assédio sexual praticado por integrantes da equipe da banda (que acabaram sendo desmentidas em uma investigação). Toda essa turbulência, porém, não afetou diretamente *"Imploding the Mirage"*, que apesar de todas as mudanças carrega um DNA tão forte da banda, que parece que nada aconteceu.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2020/08/the-killers-imploding-the-mirage-capa.jpg)

Semelhante ao que fez o [**Pearl Jam** neste ano com *"Gigaton"*](https://www.b9.com.br/gigaton-pearl-jam-album-review/), o sexto álbum do The Killers soa muito como um presente aos fãs, uma espécie de carta de "tá tudo bem, galera, nada mudou". E esse recado é bem funcional desde *"My Own Soul's Warning"*, faixa que abre o disco no melhor estilo "rock de arena" (no andamento "cresce, cresce e explode"), tão característico da banda e com uma grande inspiração de **Bruce Springsteen,** que por sinal vai percorrer o álbum todo.

> E como é o The Killers, há sempre um quê de new wave, presente em praticamente todos os seus trabalhos. Uma bem-vinda aura de **New Order** e **Talking Heads** entre guitarras, sintetizadores e danças que podem vir acompanhadas de lágrimas, como em *"Fire in Bone"* ou *"Running Towards a Place"*.

Para driblar a falta do guitarrista Dave Keuning, a banda contou com várias participações especiais, incluindo **Lindsey Buckingham** (ex integrante do **Fleetwood Mac**), que faz o solo no hit instantâneo *"Caution"*. A presença de **Jonathan Rado** (**Foxygen**) como coprodutor é sentida em toques muito bem colocados como a participação da cantora **Weyes Blood** nos vocais de *"My God"*, um hino perfeito para shows com a bateria marcada de **Ronnie Vannucci** e ares épicos no estilo de *"All These Things That I've Done"*.

Embora siga uma linha parecida ao disco anterior *"Wonderful Wonderful"* (2017), dessa vez **Brandon Flowers** coloca em perspectiva como a mudança com a família para um novo estado fez alguns fantasmas ficarem em Las Vegas. Ele ainda é apegado às suas origens, no entanto, ainda vê nas figuras nascidas e criadas no deserto os seus personagens favoritos, como a protagonista de "Caution". Flowers também continua abusando de letras que, por vezes, parecem fazer pouco sentido, mas que em outras entregam visões interessantes: *"Porque o amor não pode ser discreto. Não force, o controle é superestimado"*, canta o vocalista em "My God" - e se tem algo que 2020 nos ensinou é que o controle, sobre qualquer coisa, realmente é apenas algo superestimado.

Ter uma identidade definida é extremamente simples para alguns artistas, já para outros pode ser uma eterna busca realizada dentro da própria carreira, especialmente para artistas que começaram bem jovens. Atingir a tal maturidade, muitas vezes, se torna uma perseguição nem sempre eficaz. Não é o caso do The Killers, que amadureceu sendo quem sempre foi: uma banda de rock alternativo farofa, com hits perfeitos para shows e festivais e um vocalista que abandonou os olhos pintados com lápis preto em *"Mr. Brightside"*, mas nunca deixou o figurino extravagante ou seu próprio deserto de lado.

Com isso, "Imploding the Mirage" acaba sendo um belo registro de como o The Killers consegue se manter igual até hoje, mesmo passando por mudanças internas, porque é simplesmente o que a banda é.

\[notadocritico\]