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# "Dawn FM" ostenta a excelência do pop como o melhor álbum de The Weeknd
- URL: https://www.b9.com.br/the-weeknd-dawn-fm-critica-review/
- Published: 2022-01-11T17:45:20.000Z
- Updated: 2022-01-11T17:45:20.000Z
- Description: Excitação e melancolia andam de mãos dadas, e variação tão pontual torna a sequência de faixas de "Dawn FM" umas das mais interessantes dos últimos tempos
- Author: Soraia Alves
- Tags: Cultura, Cinema, Música, review, The Weeknd, #wp, #wp-post

**The Weeknd** já é muito bem-sucedido há alguns anos, mas o combo 2020/2021 foi de total consagração para o artista. Com o [lançamento do álbum *"After Hours"*](https://www.b9.com.br/123550/after-hours-the-weeknd-critica-review/), em 2020, **Abel Tesfaye** viu "*Blinding Lights"* se tornar a primeira canção na história a [passar um ano todo no top 10 da Billboard](https://www.b9.com.br/140161/blinding-lights-e-a-primeira-cancao-na-historia-a-passar-um-ano-no-top-10-da-billboard/). A faixa passou 52 semanas seguidas entre as mais ouvidas, sendo 43 delas no top 5\. O artista também foi [o nome do Super Bowl 2021](https://www.b9.com.br/138227/the-weeknd-investiu-us-7-milhoes-do-proprio-bolso-em-sua-apresentacao-no-super-bowl/), numa apresentação que, mesmo em tempos de pandemia, manteve o alto padrão do evento. E foi também no ano passado que The Weeknd anunciou [um boicote eterno ao **Grammy**](https://www.b9.com.br/140443/boicote-eterno-the-weeknd-proibe-que-suas-musicas-sejam-avaliadas-pelo-grammy/), depois que a premiação inexplicavelmente esnobou o tão badalado "After Hours": *"Não permitirei mais que minha gravadora envie minhas músicas ao Grammy"*, disse o músico em entrevista ao The New York Times. Pois bem, agora o Grammy não poderá dar pitaco algum sobre o melhor trabalho de The Weeknd até hoje, o recém-lançado *"Dawn FM"*, mais um álbum bastante influenciado pelo contexto pandêmico, porém mais conceitual e grandioso que o antecessor.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2022/01/the-weeknd-dawn-fm-capa.jpeg)

Se "After Hours" foi o trabalho que chega mais perto de um equilíbrio entre o que The Weeknd quer e o que as rádios querem, "Dawn FM" pouco se importa com grandes hits para abastecer o ranking da Billboard. O álbum tem uma maior expressão da essência do artista, com faixas que aprofundam suas influências oitentistas de forma primorosa, caso de *"Out of Time"*, que imediatamente ["nos traz *"Human Nature"*, de **Michael Jackson** à mente](https://www.youtube.com/watch?v=ElN%5F4vUvTPs&ab%5Fchannel=michaeljacksonVEVO&ref=b9.com.br)**.** Diga-se, os vocais de The Weeknd nunca estiveram tão bons. É fácil reconhecer outras influências, de **Giorgio Moroder** a **R.E.M**, referências que já foram muito presentes nas mixtapes que fizeram o artista se tornar conhecido, mas tornaram-se mais pasteurizadas em seus últimos trabalhos.

"Dawn FM" resgata essa maior experimentação, como na sequência de *"How Do I Make You Love Me?"* e *"Take My Breath"*, que vai deixar os viúvos de **Daft Punk** bem felizes. "Take My Breath", por sinal, foi lançada como single em agosto do ano passado, mas chega ao disco em uma deliciosa versão estendida de quase 6 minutos.

\[quotedireita\]O Grammy não poderá dar pitaco algum sobre o melhor trabalho de The Weeknd até hoje\[/quotedireita\]

Enquanto a primeira metade do disco é mais elétrica e dançante, a segunda parte, do total de 16 músicas, se joga não na pista, mas na contemplação. O álbum foi todo produzido por The Weeknd ao lado do famoso **Max Martin** e de **Daniel Lopatin** (**Oneohtrix Point Never**). Há ainda colaborações de **Swedish House Mafia, Calvin Harris** e **Oscar Holter**. As participações passam por **Jim Carrey** e **Quincy Jones** nas narrações entre faixas, além de **Lil Wayne** em *"I Heard You're Married"*, e **Tyler, the Creator** e **Bruce Johnston** (**The Beach Boys**) em *"Here We Go... Again"*, faixa na qual Abel reflete sobre sua trajetória de artista desconhecido vindo de Toronto à estrela Super Bowl.

As duas partes funcionam como uma dualidade de estados de espírito. É fácil se identificar como ouvinte que flutua de uma hora para outra do estado eletrizante para o contemplativo, seja emocionalmente ou como resultado da instabilidade do "novo normal". Excitação e melancolia andam de mãos dadas, e é essa variação tão pontual que torna a sequência de faixas de "Dawn FM" umas das mais interessantes dos últimos tempos. Ouvir o álbum rigorosamente na ordem é tarefa obrigatória para a completa experiência do trabalho.

\[quoteesquerda\]É fácil se identificar como ouvinte que flutua de uma hora para outra do estado eletrizante para o contemplativo, seja emocionalmente ou como resultado da instabilidade do "novo normal" \[/quoteesquerda\]

Embora a autodestruição e relacionamentos pouco saudáveis ainda sejam temas das canções, talvez pela primeira vez haja um vislumbre de "dias melhores" nas composições de The Weeknd. Ainda que o contexto esteja mais ligado a uma paz na vida pós a morte. O conceito casa com aquilo que a própria capa do álbum já entrega: a ideia de evolução do ensanguentado The Weeknd de "After Hours" para um idoso talvez mais calejado com a vida. A passagem fictícia de tempo, no entanto, parece não interferir na melancolia e no medo vivenciados pelo personagem, e reforça a temática da morte.

Ainda pensando em conceito, Abel já falou em algumas entrevistas sobre *"o desejo de remover The Weeknd do mundo"*. É curioso imaginar que "Dawn FM", como uma rádio fictícia transmitida do além, pode ser justamente o capítulo final do personagem. Como diz Jim Carrey já no início do trabalho, The Weeknd deve *“caminhar para a luz e aceitar seu destino de braços abertos”*. A glória é certa!

\[notadocritico\]