> ## Content Index
> Fetch the complete content index at: https://www.b9.com.br/llms.txt
> Use this file to discover other available public pages before exploring further.

# What Design Can Do: 7 coisas que o design pode fazer pelo mundo
- URL: https://www.b9.com.br/what-design-can-do-6-coisas-que-o-design-pode-fazer-pelo-mundo/
- Published: 2016-07-07T21:30:33.000Z
- Updated: 2016-07-07T21:30:33.000Z
- Description: Bônus: uma mini-entrevista com Marcello Serpa
- Author: Carlos Merigo
- Tags: Diversos, Eventos, Feiras e Festivais, #wp, #wp-post

A sexta edição do **What Design Can Do**, a conferência anual sobre o impacto social do design, aconteceu em Amsterdã entre os dias 30 de junho e 1 de julho e reuniu designers do mundo todo para discutir o que o design pode fazer pelo mundo. Cobri o evento para o **B9** e separei os 6 aprendizados principais:

### 1\. Assumir sua responsabilidade

Antes de pensar o que o design pode fazer, é preciso pensar no que o design faz. Hoje, damos soluções que pensam apenas no curto prazo. O impacto ambiental de não pensarmos em materiais e processos sustentáveis está visível no aquecimento global, enquanto a obsessão pela comodidade contribui para a epidemia de obesidade no mundo: o design tem um papel fundamental em algumas das maiores crises que o mundo vive hoje. *“Devemos ser mais críticos com nós mesmos, pensar no impacto de nossas ações”*, convida Nynke Tromp, professora da de design social na universidade de Delft, na Holanda.

\[ltauto\]

### 2\. Ser mais construtivo e menos destrutivo

*“Não pode ser só sobre o número de views, mas sobre o que as pessoas levam da sua mensagem”*, provocou a jornalista holandesa Eefjie Blankrvoort. Ela falou sobre como o jornalismo muitas vezes prioriza mensagens de ódio apenas porque elas vão gerar audiência, seja dos que são contra ou a favor. Vale para tudo que produzimos: estamos trabalhamos para incluir mais e mais pessoas ou estamos sendo excludentes? Estamos construindo algo ou apenas destruindo inconsequentemente?

### 3\. Dar visibilidade para as questões mais importantes

Uma das grandes forças do design é sua capacidade de colocar uma lente de aumento sobre questões que precisam ser discutidas. O designer Floris Kayaak faz isso na prática, criando objetos fictícios que nos fazem questionar os rumos da evolução tecnológica.

Vídeo sobre o projeto Human Birdwings, de Floris Kayaak:

Vídeo sobre o projeto Oscar, The Modular Body, de Floris Kayaak:

### 4\. Pensar no impacto do processo

Mais do que ter um produto final que salva vidas ou muda o mundo, é preciso pensar em toda a cadeia de produção. A estilista senegalesa Selly Raby Kane mostrou como a escolha dos locais para seus desfiles mudou o cenário urbano de Dakar.

### 5\. Unir tecnologias de ponta e tecnologias das pontas

Para ter impacto social, o design deve servir de ponte, levando para as periferias simbólicas e práticas do mundo as tecnologias de ponta, mas também se adaptando às tecnologias que nascem nas bordas da sociedade. O urbanista Kunlé Adeyemi uniu seus conhecimentos em arquitetura ås técnicas de construção típicas das casas-barco de Lagos, na Nigéria, para criar uma escola flutuante. O protótipo fez tanto sucesso que está agora na Bienal de Veneza.

![Makoko Floating School, de Kunlé Adeyemi](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2016/07/tumblr_mmxlt8l3qO1qifvp9o1_1280.jpg)

Makoko Floating School, de Kunlé Adeyemi

*“Inove nas pontas e faça a ponte para o centro”*, propõe Juliana Rotich, especialista queniana em tecnologia da informação.

### 6\. Valorizar a diversidade como a maior força criativa do mundo

Diversidade é um tema quente numa União Europeia em que a imigração, seja interna ou externa, é sinônimo de crise. Ravi Naiboo, fundador da plataforma de promoção do design africano Design Indaba, coloca a diversidade como a maior força da África. *“Diversidade gera criatividade e criatividade é dinheiro.”*, diz Ravi. Não é nenhum segredo o poder criativo que uma maior variedade de pontos de vista agrega.

### 7\. Permitir às pessoas desenharem suas vidas, encontrarem sua voz e usá-la

Apenas colocar pessoas de diversas origens em uma sala não basta: é preciso que todas elas tenham voz. Petra Steinem, que foi diplomata do Egito em Damasco, defende que ser humano é ser capaz de ser dono da sua vida, não importam as circunstâncias. E desenhar a sua própria vida só é possível quando a pessoa pode mergulhar em si mesma e encontrar a sua voz.

![Obra de Klimt pintada em paredes destruídas na Síria](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2016/07/obra.jpg)

Obra de Klimt pintada em paredes destruídas na Síria

O autor, mencionado na palestra de Petra Steinem, diz que pretende voltar ao seu país após a guerra e pintar outras obras de mestres europeus, para lembrar que todos compartilhamos a mesma humanidade.

### Bonus Track: entrevista com Marcello Serpa

O publicitário brasileiro Marcello Serpa, fundador da agência **AlmapBBDO**, deu uma pausa em seu ano sabático para palestrar no What Design Can Do. Conversei com ele sobre o evento.

**B9:** **Estamos em um evento que discute o que o design pode fazer pelo mundo, mas e a publicidade? O que a publicidade pode fazer por um mundo melhor?**

*Marcello Serpa: A publicidade pode ajudar a difundir ideias, mas ela só comunica. Publicidade é o reflexo do que a marca é. O grande desafio hoje é parar de comunicar intenções e comunicar ações. Como eu falei na minha palestra, se todas as marcas estão tentando salvar o mundo, quem é o FDP que está estragando o planeta?*

**B9: Muitas palestras aqui falaram sobre diversidade. É um assunto quente na Europa, foi muito falado também em Cannes. Como você vê a falta de diversidade na publicidade brasileira?**

*MS: Está melhorando em termos de mensagem, mas não dentro das agências. O mercado fica muito fechado em si, se retroalimentando. Todo departamento de criação deveria ser o mais heterogêneo possível. Enquanto a gente só quiser trabalhar com pessoas como a gente, o mercado não evolui.*

**B9: O que está faltando para termos um mercado mais diverso?**

*MS: Os tomadores de decisão precisam começar a fazer ao invés de falar. A ignorância sobre a ignorância é o pior. Não adianta falar que sabemos o que está errado e não fazermos nada.*