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# WikiHouse: uma casa para imprimir
- URL: https://www.b9.com.br/wikihouse-uma-casa-para-imprimir/
- Published: 2012-05-31T18:33:26.000Z
- Updated: 2012-05-31T18:33:26.000Z
- Author: Larissa Tollstadius
- Tags: Criatividade, #wp, #wp-post

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2012/05/lari004.jpg)

Se há algo fascinante na contemporaneidade, é a possibilidade de trabalharmos coletivamente e em rede. As iniciativas colaborativas que já não são mais novidades (no que se diz respeito ao desenvolvimento tecnológico) e à produção de conhecimento agora estão tomando espaço em outras áreas do nosso cotidiano, como no caso do planejamento urbano com participação popular de **Almere Oosterwold** ([divulgado recentemente aqui](https://www.b9.com.br/29954/arquitetura/e-se-brincar-de-farmville-tivesse-consequencias-reais))

> “Baixe casas e componentes que são criados e compartilhados por uma comunidade aberta de designers pelo mundo afora.”

Muitas dessas iniciativas são baseadas no conceito **DIY** (*Do It Yourself* ou "Faça Você Mesmo"). A princípio pode parecer um método egoísta, mas a ideia não é agir sozinho e sim se desvencilhar das grandes corporações - as quais nem sempre estão atentas para nossas necessidades e gostos – e criar grupos menores, formados por pessoas com um elevado nível de empatia. Assim, o escritório de arquitetura [00:/](http://www.architecture00.net/?ref=b9.com.br) está promovendo a **[WikiHouse](http://www.wikihouse.cc/?ref=b9.com.br)**, um projeto *open source*.

A partir de um plugin que pode ser baixado no próprio site do projeto, o usuário (mesmo leigo) poderá acessar modelos de casas e suas partes editáveis. Uma vez adaptado o desenho as suas necessidades, poderá “imprimir” sua própria casa através de uma **[CNC](http://en.wikipedia.org/wiki/CNC?ref=b9.com.br#DIY.2C%5Fhobby.2C%5Fand%5Fpersonal%5FCNC)**. Parece bruxaria? Mas não é, na verdade é algo “simples”. A CNC cortará folhas de madeira em peças de encaixe. E depois é só montar.

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2012/05/lari001.jpg)

> “Convide amigos e a família para ajudar com o mutirão. Coloque as seções verticalmente, posicionando-as a intervalos de aproximadamente 550 mm.”

O site do projeto é bastante didático e fornece um “guia de desenho” semelhante a um manifesto arquitetônico. Dentre outros, preconiza princípios de sustentabilidade, esclarece que os modelos estão sob licença **Creative Commons** e a última recomendação diz: *“Como regra geral, desenhe para o clima, a cultura, economia e a estrutura legal e de planejamento do lugar onde você vive e você conhece melhor. Os outros serão capazes de adaptar o desenho para seus ambientes.”*

![](https://www.b9.com.br/wp-content/uploads/2012/05/lari002.jpg)

A questão de “adaptar a arquitetura ao meio” me lembrou da “arquitetura vernácula”, aquela criada por não-arquitetos em geral utilizando-se de técnicas tradicionais. A semelhança entre como surgem os padrões do [design vernacular](http://blog.wikihouse.cc/post/10592066461/open-source-design-accelerated-vernacular-design?ref=b9.com.br) e os padrões dos projetos open source foi apontada pelos próprios desenvolvedores: *“Open source, pode-se argumentar, é apenas uma aceleração dos exatos mesmos processos”*. E chegam a uma conclusão sobre a qual eu venho refletindo, a relativização da função do profissional de arquitetura na sociedade. Não é que o arquiteto deixaria de ser útil, de forma alguma, mas atuaria de modo mais orgânico.

Olho o esqueleto dessa casa e não consigo deixar de pensar [na casa de Chico Mendes](http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo.do;jsessionid=B4DEC5B05302BB9D2B0CEEC83BAECBB8?id=893&ref=b9.com.br) e suas conterrâneas. Dimensões modestas, infraestrutura em treliça, o piso que não toca o solo, a madeira e a construção coletiva - feita por familiares e amigos. Aqui no Brasil, essa lógica e essa estética persistem sem a interferência de arquitetos formados em universidades. Talvez faça mesmo sentido o pensamento dos desenvolvedores, a maior diferença entre os dois processos está no ritmo.

Por fim, para quem ainda não acredita que a WikiHouse realmente se sustenta em pé, assista o vídeo do projeto logo abaixo: