Black

O racismo velado das agências de publicidade

Nosso mercado “não tem envergadura moral” para criar campanhas para negros e pardos no Brasil

8.out.2015

É chato mas uma hora teríamos que falar sobre isso. Você que está agora na sua agência, dê uma olhada nos departamentos de Criação, Planejamento, Atendimento e Mídia e me diga o percentual aproximado de negros ou mulatos pardos que tem por aí. Tem algum? Eu sempre brinquei nas agências que passei de que eu tinha entrado por cotas. Todos riam. Só que preferiam não entender o sarcasmo da minha afirmação. Quase não há negros nas agências de publicidade.

Antes de mais nada preciso dizer que sou contra cotas raciais no Brasil. Nosso povo é tão misturado, mas tão misturado que não tem tanta gente sem um descendente negro no país. (EDIT: Só acrescentando que é por conta da subjetividade da análise do “ser negro” do sistema de cotas. Como aconteceu em 2007 na UNB) Se querem colocar cotas em faculdades ou qualquer outro lugar, acho que seria mais legal que fosse cota por renda familiar. Aí sim seria realmente inclusivo e os brancos pobres também poderiam ter benefícios. Mas entendo que há uma culpa relacionada a toda a história escravocrata do nosso país e que fez com que algumas coisas se tornassem quase verdade para algumas pessoas. Uma delas é a que mulato pardo é igual a preto. Preto é igual a pobre. E pobre não tem educação. Isso é de uma cretinice, leviandade e de uma superficialidade tão grande que é inaceitável que um país tão misturado como o nosso acredite e pratique esse tipo de racismo “velado”.

Quer saber se você é racista e mesmo dizendo que não é? Imagine duas cenas:

Dê uma olhada nos departamentos de Criação, Planejamento, Atendimento e Mídia e conte quantos negros ou pardos você vê

compartilhe

1. Homem negro de terno em um elevador com outras pessoas não-negras também de terno. Você acha que é o motorista/segurança ou que é um executivo como os outros? E se ele começar a falar fluentemente outro idioma, sua reação seria a igual se as outras pessoas no elevador fizessem o mesmo? Se você acha que é o segurança ou motorista e você não ficaria surpreso com os outros falando outro idioma, tenho uma coisa para te falar. Desculpa, cara, mas você é racista e parte do problema.

2) Vagão do metrô vazio (eu sei, isso não existe mas é um exemplo. Podia ser uma rua deserta), na estação seguinte entra um negro com a camisa do time mais popular da sua cidade. Na outra estação entra um não-negro com a camisa do mesmo time. Você se sentiu inseguro nas duas situações do mesmo jeito ou só quando o combo “negro+camisa do time popular” entrou no vagão? E se o não-negro entrasse primeiro, mudaria alguma coisa? Entende o que eu quero dizer? Se você se sente inseguro ao redor de negros, isso é racismo. E tem implicações no mercado de trabalho quando você vai contratar alguém para a sua equipe.

Não vou falar sobre campanhas sobre racismo, mas, historicamente, negros não são representados corretamente na publicidade. Um monte de gente já escreveu sobre isso. O Brasil é racista e o mercado é cruel. Branco é rico. Preto é pobre. E dane-se quem não seguir essa regra. Fácil simplificar assim, né? Mas isso pode ser apenas parte da verdade.

Quando alguém opta por não contratar o profissional negro (até mesmo quando este é mais qualificado), esse alguém ajuda a consolidar essa premissa de preto é pobre e sem educação.

Quando você diz que no final do processo seletivo é mais empatia com o candidato e você sempre contrata não-negros (ou porque eles não chegam até a fase final ou porque você escolhe os não-negros), você também ajuda a consolidar essa imagem. E isso não tem nada a ver com querer contratar por cotas ou qualquer coisa semelhante. Tem a ver com igualdade. Só isso.

Como criar campanhas que falem com negros sem ter negros entre os funcionários que efetivamente planejam, criam e executam as campanhas?

compartilhe

Agora vá até o departamento financeiro, administrativo ou de limpeza da sua agência e tente ver o percentual de negros ou mulatos pardos. Esse percentual é maior ou menor que os departamentos de Criação, Planejamento, Atendimento e Mídia? Baseado em perguntas que fiz informalmente para várias pessoas nos últimos anos, o percentual de negros e mulatos pardos deve ser maior. Bem maior, alguns diriam. Mas o que isso diz a respeito das agências de publicidade no Brasil. Que são racistas? Talvez. Mas, fazendo piada com coisa séria, o que me diz é que as agências “não tem envergadura moral” para criar campanhas que falem com negros e mulatos pardos no Brasil simplesmente por não terem negros entre seus funcionários que efetivamente planejam, criam e executam as campanhas ou por não entenderem o que é ser negro nesse país.

Eu assino um serviço de revistas chamado Stack Magazines em que eles mandam uma revista diferente por mês. Um dia eu recebi a revista Hello Mr uma revista sobre “men who date men”. E o meu grande desafio ao ler a revista foi ter que fazer uma transposição para mulheres em qualquer texto que falasse de relacionamento. E conversando com meus amigos gays, notei que eles fazem isso toda hora ao ler revistas masculinas que tem matérias sobre relacionamento e etc e talvez nem notem mais. A chave vira sozinha. Mas uma coisa que eu mesmo não notei é que os negros também fazem isso ao consumirem boa parte do conteúdo que é produzido e publicado no país. E isso inclui a publicidade.

hellomr

Eu lembro até hoje quando lançaram a revista Raça (ou Raça Brasil). A primeira publicação brasileira focada em negros. Achei incrível. Parecia uma virada gigante no mercado editorial. E foi mas hoje ela é apenas mais um nicho. Quantas campanhas assumidamente para negros (que não seja do censo) você viu na TV aberta? Tenho a impressão de estarmos pregando aos convertidos. Lembro também quando começaram a aparecer mais negros na publicidade. Muitas vezes ainda eram retratados nos estereótipos padrão do samba, futebol, empregadas domésticas e mais tarde do preto descolado com cabelo diferente (geralmente dread ou black-power), quando falava com o público jovem e o do preto que quase chegou lá (o que isso quer dizer afinal?) usando camisa polo/social para alguma campanha de compra da casa própria em algum lugar da periferia das grandes cidades. Nunca era um negro comprando uma cobertura na região mais abastada. O que me lembra uma cena da série “Aquarius”, onde nos EUA racista dos anos 60 um cara paga famílias negras para andar em vizinhanças brancas para desvalorizar imóveis e ele, ao comprar os imóveis de quem quer sair daquela região, ter mais lucro na revenda.

Os poucos negros que chegam a entrar no mercado não são suficiente para mudar o cenário

compartilhe

Mas o problema, infelizmente não é só da publicidade. Notei que muitas escolas particulares não tem professores negros. Sério. Pegue as melhores escolas particulares e veja quantas têm professores negros para crianças. É raro aparecer um. Se as escolas não estão pensando nisso, elas são parte do problema também. Se todas as referências de negros e mulatos pardos que as crianças têm em escolas particulares são de segurança, serventes, porteiros e etc, como esperamos que eles entendam que todos são iguais, que cor de pele não dita profissão e que todo mundo pode ser o que quiser.?

Eu assisti um documentário super bem feito chamado “White Wash” em que o diretor queria entender porque não existiam (ou existem poucos) surfistas e até nadadores americanos negros. Ele excluía os havaianos dos surfistas negros e a história é surpreendente e tem origem nos navios negreiros que vinham da África. Vale muito assistir esse filme porque mal ou bem é o que está sendo feito na publicidade no Brasil. Os poucos que chegam a entrar no mercado não são suficiente para mudar o cenário.

Durante a minha adolescência inteira eu raspei a cabeça com maquina 1 ou 2. Meu cabelo não é muito crespo e eu raspava a cabeça direto. Só fui deixar meu cabelo crescer e ficar meio Afro com uns 28 anos e quando as pessoas falavam algo eu dizia que era do filme “Cidade de Deus”. Era mais fácil fazer piada do que tentar explicar algo que nem eu sabia o motivo. Mas o curioso é que isso foi libertador. O fato de eu deixar o cabelo grande e não ligar para as piadas me fez ficar mais confiante em relação a minha aparência.

Eu sou mulato pardo e me considero preto. Eu era o único (ou um dos únicos) pardo/negro de vários dos grupos de amigos que passei. Na escola, na faculdade, nas bandas que toquei, eu sempre era o diferente.

Eu tinha a típica vida de um morador da zona sul carioca mas eu era pardo, tratado como negro, moreninho (sabe quando passam a mão no braço para te descrever?) e que tive a sorte de ter pais que puderam bancar essa vida para mim.


Praticamente tudo que meus amigos tiveram, eu tive também. Estudei em escolas particulares e cursei faculdade particular, fiz intercâmbio e por aí vai. Uma vida privilegiada que também tinha racismo.

Mãe branca, professora universitária (para mim sempre uma fodona da psicologia) e pai mulato pardo/negro administrador e empreendedor nato (tão foda quanto ela). Ambos cursaram faculdade, pós-graduação, Mestrado e etc. Raça nunca foi algo que fosse levado em conta lá em casa mas lembro de poucos amigos e amigas negros/mulatos pardos onde estudei. Eu só fui notar que eu era “diferente” dos meus amigos mais tarde quando começaram as típicas brincadeiras na adolescência. Embora eu me vestisse como meus amigos, frequentasse os mesmos locais, pagasse tudo igual a todos, sempre houve uma ou outra “brincadeira” de teor racista. Sobre o cabelo “ruim” que não mexe, sobre fazer “coisa de preto” e por aí vai.

Meu filho é mulato pardo como eu, com cabelo castanho como o da mãe e cacheado. Aos cinco anos ele foi exposto às primeiras situações de racismo por ser o mulato pardo no meio da tal elite branca paulistana. Hoje aos sete ele deixa o cabelo crescer e fala que o cabelo é a marca registrada dele. Ele diz que quer ser publicitário quando crescer. Talvez essa próxima geração consiga fazer o que a minha não conseguiu: mudar a maneira como os negros e mulatos pardos são retratados, contratados e respeitados no país mais miscigenado do mundo.

Em tempo: leia essa matéria da Galileu: Você é racista – só não sabe disso ainda. Talvez você entenda melhor o que acontece no dia a dia de boa parte da população.

ATUALIZAÇÃO:
Se quiser, você também pode ler o texto que escrevi após as reações das pessoas aqui no B9.

Comente

  • Marcos Mota

    “Antes de mais nada preciso dizer que sou contra cotas raciais no Brasil.
    Nosso povo é tão misturado, mas tão misturado que não tem tanta gente
    sem um descendente negro no país. Se querem colocar cotas em faculdades
    ou qualquer outro lugar, acho que seria mais legal que fosse cota por
    renda familiar. Aí sim seria realmente inclusivo e os brancos pobres
    também poderiam ter benefícios. Mas entendo que há uma culpa relacionada
    a toda a história escravocrata do nosso país e que fez com que algumas
    coisas se tornassem quase verdade para algumas pessoas”.
    Essa é a primeira vez que comento algo em sites/blogs. Até entendo o viés que você usou, mas o ponto que eu julgo mais importante nas políticas afirmativas de inclusão racial (por assim dizer) é que: se você pegar um branco pobre e um negro pobre, ainda assim o negro pobre sofrerá mais preconceito que o branco pobre. E isso é, basicamente, o que seu post quis abordar. Há poucos ou quase nenhum negro na publicidade e nas agências, não apenas pelo gritante, porém velado, racismo na publicidade, mas também porque negros não chegam a 10% do corpo discente das faculdades em todo Brasil. Ser contra as políticas afirmativas é um direito, lutar contra elas é uma forma de racismo velado, e entender que elas são necessárias por ora é um começo.
    O assunto, obviamente, é bem mais profundo do que qualquer discurso, principalmente pela internet, possa suprir, ainda mais na Publicidade (que é como um cão perseguindo o próprio rabo, só não sabemos quem é cabeça e quem é o rabo, a publicidade ou a sociedade), onde por trás de uma fachada “cool” esconde-se um mundo extremamente homofóbico, machista, racista e preconceituoso (quando o senso comum grita o oposto, mas quem trabalha com ou na, sabe que infelizmente isso é a regra). Enfim, bom post, mas se me permite a intromissão (mais ainda hehe), infelizmente não é o sangue ou a mistura, é o que está aos olhos que faz com que alguém seja discriminado (veladamente ou não) no Brasil: se é negro, mulher ou “afetado”, e isso, claro, fica à vista, corre-se um grande risco de não entrar no clubinho, desde a faculdade, até à Chief de alguma coisa numa agência. Obrigado por ler meu comentário.

    • Daniel Sollero

      Oi @disqus_IEDgDfPF4G:disqus, que legal que você comentou e respeito bastante a sua opinião em relação a cotas. Acho que isso tem que ser mais debatido mesmo. Acho que quando conseguirmos definir bem o que é raça no Brasil as coisas melhorem. O lance é que, na minha opinião, inclusão racial em um país tão miscigenado me parece bem esquisito.

      Realmente esse assunto é complexo demais para resolver aqui mas só de iniciar esse debate, já vale a pena.

      E concordo que o preconceito no Brasil é visual, o que para mim só reforça que a questão de cotas não pode ser por esse critério racial pois ainda temos gente no censo que diz que é qualquer coisa menos negro. No Brasil, você só é negro quando querem que você seja, caso contrário você é o moreninho e essas qualificações são subjetivas demais para serem distorcidas a ponto de apenas um dos irmãos gêmeos idênticos que pediram para entrar na faculdade no sistema de cotas, conseguir o acesso/atalho. Quem diz se você é negro ou não no sistema de cotas?

      E de novo, muito obrigado por comentar, cara. Esse é o propósito desse post.
      Abs

      • Rodrigo Tiago Wiggers

        “Acho que quando conseguirmos definir bem o que é raça no Brasil as coisas melhorem”

        consegues me explicar como seria uma melhor definição de raças para você?

        é que eu acho que a melhor maneira seria não fazer distinção de raças… e queria um ponto de vista diferente!

        • Daniel Sollero

          Acho que talvez não tenha que existir essa divisão. Somos todos iguais e misturados.
          Gosto muito dessa abordagem aqui que diz que por causa da miscigenação de raças a população mundial terá traços brasileiros (que já vem se misturando desde sempre)
          http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisa/populacao-mundial-tera-tracos-brasileiros-no-futuro-diz-pesquisa,9c795b6db16da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

          • Codi

            Não acho que o melhor caminho seja ignorar. Podemos nem ser tão diferentes, mas as consequências sim são bem diferentes, vendo pelo que você mesmo escreveu, exigindo então SIM, uma reflexão em relação a igualdade e inclusão. Veja como é lenta ou praticamente inexistente a progressão da igualdade durante todos os anos que o Brasil não tinha políticas de ação afirmativa, e tentativas (talves até não muito “justas” com os que não entram na “cota”, coitadinhos) de acelerar a igualdade através da oportunidade. Tinha a “exceção” do pobre que terminou o ensino superior, mas eles eram justamente isso, uma “exceção”. Cotas podem não parecer justas a curto-prazo, mas o sistema também não é justo. Observe o diagrama:
            Sem cotas – Sistema não é “justo” com os negros, que em geral não têm as mesas oportunidades e dignidade que os brancos – baixíssimo progresso de igualdade.
            Com cotas – Sistema não é “justo” com os brancos – progresso de igualdade mais acelerado.
            Em nenhum momento eu estou subestimando os negros em suas capacidades intelectuais: Um negro é tão inteligente quanto qualquer outra pessoa de qualquer outro tom de pele. As diferenças são sociais: a escola que a maioria vai, o acompanhamento dos pais que a maioria tem, os sonhos pro futuro que a maioria tem, o respeito alheio que a maioria tem.
            Não sou antropólogo nem assistente social, sou apenas um entusiasta em assuntos sociais que está suscetível a mudar de opinião sob a luz de fatos ou argumentos válidos novos. Um abraço!

          • Daniel Sollero

            Mas o que eu falo no post é que sou contra cotas raciais. Acho que devem haver cotas mas com outro parâmetro porque acho que o racial dá muita margem de erro como o caso dos gêmeos na UnB em que um entrou por cotas e o outro não. Tem o link em algum lugar nesses comentários.

            Cotas sim. Parâmetro por raça, não. É isso o que EU acho.

          • IMHO essa é uma resposta racista (por mais bem intencionada que seja).

            “Somos todos misturados, então não pode haver racismo”; então quem conseguir provar que não é misturado poderia ser racista?

            Entendeu o problema?

      • Isis Reis

        Concordo totalmente com o Marcos. Daniel, me formei em Publicidade e Propaganda pela UFRJ e no meu ano de ingresso no Ciclo Básico, de 80 alunos, não havia nem 10 negros. Quando chegamos ao 4º período, no qual se escolhem as habilitações, apenas um escolheu Publicidade e Propaganda. Ele não seguiu carreira na área.

        Naquela época ainda não havia cotas na UFRJ e eu me peguei debatendo com uma outra menina, também branca, sobre essa questão. Ela, assim como você, levantou a preocupação de que brancos de baixa renda podem ser prejudicados pela política de cotas raciais, mas não parecia entender que a questão racial era central às cotas justamente porque a chance de alguma mobilidade social infelizmente ainda é maior na nossa sociedade quando se é branco. Existem estudos que comprovam a discrepância de salários entre gêneros, raça, etc. Pesquisas que comprovam que um candidato negro é preterido quando disputa uma vaga com um branco, ainda que este seja menos qualificado para ocupá-la.

        Como membro de um grupo minoritário (o das mulheres), concordo com a ideia de que por trás da fachada “cool” da Publicidade se escondem todos os tipos de preconceito possíveis. Não sei se foi por isso que o meu colega de classe não escolheu o caminho das agências, mas no meu caso, foi (principalmente por eu me identificar mais com a área de criação, normalmente a parte mais machista dessas empresas).

        Sei que sistema de cotas não é o ideal, mas é o mais justo que podemos ter por enquanto. Ele se baseia na autodeclaração e depois uma banca julga os candidatos para evitar possíveis fraudes, mas é claro que a percepção sobre quem é negro e quem não é pode ser extremamente subjetiva, principalmente porque aqui no Brasil tentamos “embranquecer” alguns negros para dizer que o preconceito não procede, que é vitimismo da parte ofendida, etc.

        Ainda assim, é melhor contar com a autodeclaração e garantir o acesso do que simplesmente não fazer nada em relação ao fosso racial existente no nosso país, resquício dos tempos de escravidão.

        Dessa maneira, acho que a presença de negros na universidade acaba trazendo a urgência do debate sobre o racismo no ambiente acadêmico, e embora isso já esteja ocorrendo, percebo que ainda há muito silenciamento. Mas sinto que enquanto não tivermos universidades mais diversas, essa questão não será sequer abordada.

        P.S.: Enquanto você aborda a questão da inserção nas agências e eu e o Marcos na universidade, muitos negros ainda têm que se afirmar como cidadãos e reivindicar a todo momento por seus direitos no nosso país. Isso, sim, é muito surreal.

      • Rommel Vaz Cantalice

        Cara… eu acho que a visão de que somos todos iguais e misturados é um segundo estágio de evolução. E a nossa sociedade (aqui incluo não só os brasileiros como 99% do mundo) ainda nem chegou no estágio 1. O estágio 1 é o que começou nos anos 60 mas nunca emplacou de verdade… que é reconhecer as diferenças de raça (não só em aparência como diferentes históricas e culturais) e TER ORGULHO disso. Nos anos 60 começaram a surgir, principalmente nos EUA, os negros que tinham orgulho da própria cor, da própria cultura (que tinha herdado muita coisa dos descendentes africanos) e isso era muito legal. A verdade é que o orgulho quase sempre veio de quem pertencia à classe “dominante” (social, racial, o que for) e tava tão encrustado na cultura que ninguém notava como orgulho… e quando os que até então eram vistos como marginalizados começaram a enfrentar esse status quo e dizer que “sim, sou dessa cor e me orgulho disso” ou “sim, sou homossexual e tenho orgulho disso”, isso foi recebido com incômodo por quem “nunca esteve na parte de baixo da cadeia alimentar”. Até hoje tem pessoas vem com reclamações ignorantes como “se fosse um branco dizendo que tem orgulho de ser branco, iriam falar que é racista” ou “orgulho hétero”. Essas pessoas simplesmente não entendem uma situação de segregação ou de inferiorização e acham que orgulho de um lado é igual a orgulho de outro. Justamente por isso que acho que a visão de “somos todos iguais”ainda é muito distante… bonita, correta, mas meio utópica e completamente incompreensível pra boa parte das pessoas. Pessoas que geralmente ainda estão nas esferas que você citou no texto, de racismo inconsciente e velado, mas que ainda assim usam exatamente esse argumento… “não vejo diferenças de cores, somos todos iguais”, justamente pra negar a existência de situações de desigualdade. Então, no dia em que o mundo conseguir reconhecer e aceitar o orgulho de cada diferença, aí sim acho que a gente pode começar a tentar explicar pra galera que na verdade essas diferenças são insignificantes e que somos todos iguais.

      • ♠LarissE♠

        Oi @danielsollero:disqus, concordo em número e grau com o comentário do @disqus_IEDgDfPF4G:disqus, mas ainda acrescentaria outra questão e relação. Justamente pelo racismo no Brasil ser baseado na aparência que a ideia de cota social não é suficiente. Pois ainda que entre um branco pobre e um negro pobre, o segundo encontre mais dificuldades, entre um branco e um negro de classe média ou mais alta, as dificuldades também serão piores para o negro. Vai além de renda. As dificuldades e traumas, além dos históricos, são refletidos em toda a estrutura social da nossa vida. No emocional, na auto-estima (não por acaso você citou o cabelo crespo e como isso te marcou desde a infância, seja por uma postura que o ocultava ou agora que o cultiva, o que é ótimo). Ser negro no Brasil ainda que com a enorme diversidade de nomes dados ao censo só demonstra a dificuldade de se enxergar negro, não por acaso. Se você passa a vida inteira vendo essa figura sendo rechaçada, representada sempre de maneira pejorativa e ruim, por que reconhecer-se como tal qndo se tema possibilidade de se dizer outra coisa? O caso da UNB não é parâmetro para ninguém se colocar contra as cotas raciais, foi um caso entre milhares de vidas transformadas devido a possibilidade de estar em uma universidade de qualidade. Além disso, a forma como a UNB age na validação dos alunos cotistas é algo controverso, mas salve engano jah passou por mudanças. Na maioria das universidades isso é balizado pelo critério de autodeclaração. O que implica bom senso do cidadão né? Se vc se considera negro, blz. Eu sou a favor de cotas raciais e sociais, uma não exclui a outra, mas cumprem necessidades diferentes. Você, como seu próprio texto indica, é exceção nos espaços que teve o privilégio de frequentar e e essa exclusividade teve um preço travestido de piadas e etc. Você não acha que seria diferente se você tivesse mais referências e colegas como você? Se tivesse tido professores, e ateh mesmo chefes negros? E como isso seria possível se não democratizarmos o acesso? Sim, melhorar a qualidade do ensino básico tb é essencial, mas precisamos de mudanças já. A população negra no Brasil está sendo exterminada pelo simples fato de ser e parecer negro. E isso tudo porque não falei das dificuldades do ser negrA. Aliás pergunto: quantas mulheres negras você já trabalhou na publicidade ocupando vagas como de redatora, criação, planejamento e outros?
        É isso. Parabéns pelo texto e espero que a cada dia vc consiga desconstruir mais algumas muralhas.

    • Fabio Negro

      voto positivo de um negro-que-trabalha-em-editora

      (sou do Comercial, é claro ;)

    • Thiago

      Não sou cachorro para ter raça

      • Tito Lins

        Não é cachorro mas é mamífero. Mamíferos possuem raças ;)

        • Thiago

          Geneticamente falando, não existem diferenças relevantes entre um negro e um japonês que possam classificar como raças diferentes, no meio científico só existe uma raça, a humana, diferença de fentoipos existem, mas essa classificação usada de raça negra, branca, asiático é meramente política
          PS: uma googlada rápido vc acha o embasamento científico

          • Isis Reis

            É importante defender que nesses textos, quando nos referimos à raça, não é ao conceito biológico, mas sim à categoria sociológica. :)

  • disqus_8O6CuolNcZ

    No livro Freaknomics, há um capitulo inteirinho onde o autor explica porque um sujeito chamado DeShaw por exemplo, tem menos chances de arrumar um emprego nos EUA. De tanto ser utilizado em guetos de pessoas negras e tamanha a resistência a outros nomes, DeShaw se tornou um estereótipo. O inverso do que já foi “Mauricinho” no Brasil.

    Olhando por experiência própria, alguns negros incrivelmente ajudam a reforçar estes “símbolos” entre nós mesmos.

    Já ouvi muito: (“isso é coisa de preto”, “você não sabe tocar pandeiro?”, “preto tem que escutar é rap” ).

    Não sei, mas acho que esta cultura dificulta a aceitação de alguns produtos por negros. Conheço pessoas negras que tem condições financeiras de ter produtos Apple e não o tem. Todos os homens negros que eu conheço pais de familia, tem um Wolksvagem Gol. E eu não consigo imaginar uma familia negra sentadinha, comendo torrada de manha, sucrilhos e margarina. Mesmo que ela tenha todas condições de fazer isso.

    O Seu Jorge fala 4 linguas, já deu entrevista no Roda Viva, fez filme interpretando canções de David Bowie. Poderia facilmente fazer campanha para um curso de inglês.

    Mas possivelmente ele tem mais visibilidade por causa do seu aplicativo de churrasco, por ter se recusado a fazer show em favela, por já ter sido praticamente um mendigo…por ter feito papel de bandido no tropa de elite…

    Parabéns pelo texto e acho que este tipo de discussão tem que rolar mais por aqui.

  • Mariana Neri

    Tava sentindo falta de uma matéria sobre esse assunto!!! Parabéns, Daniel!! Realmente espero que as próximas gerações tenham mais oportunidades de mudar o mercado, pq o pouco tempo q tenho nele já me desapontei!

  • Marco Matheus

    Fui assaltado umas 20x na vida, e os assaltatnos eram sempre negros e mulatos. Não sou idiota de se quer cogitar que negro é bandido e bandido é negro, porém meu instinto de sobrevivencia, quando ve uma pessoa suspeita entra em estado de alerta. Suspeita não se refere apenas a cor, mas uma séria de signos, o jeito de andar, a vestimenta, o ambiente, etc… Na irlanda por exemplo, se eu via um loiro de olhoz azul, cabelo raspado e moleton cinza, o mesmo sinal de alerta era ligado, poderia ser um naker [gang de xenofobos].

    Na irlanda seria racismo contra loiros de olhos azuis que curtem moleton cinza?

    • Leonardo Maziero de Siqueira

      racismo não, porque vc esta julgando as vestimentas e não a raça. é só preconceito mesmo.

      • Edwi Feitoza

        Vale lembrar que racismo é uma palavra que advém do conceito de raça, onde até se formou alguns grupos musicais nesse sentido (o mais famoso, suponho, é o Raça Negra). Ocorre que a entidade biológica de raça não existe na espécie humana. Outra coisa importante é que preconceito é uma das armas que nosso cérebro desenvolveu para se manter vivo, apenas. É evidente que alguns destes preconceitos não fazem sentido à luz da lógica e das evidências. Mas sugerir que os humanos deveriam abandonar os preconceitos é colocar a espécie em grande risco.

    • Falecido Rodney Meneghell

      Que comentário infeliz cara.

      • Marco Matheus

        Não entendo porque seria infeliz. Apenas relatei fatos. Quanto ao amigo que falou que o que tenho seria considerado preconceito eu concordo. Até porque preconceito, ou seja, julgar pelas aparecencias não é nada mais nada meno que manifestação do senso de sobrevivência.

  • Edward do Amaral Cerqueira

    Para falar sobre racismo no mercado em um portal como o B9, a sua matéria e seu relato é um bom passo. Aconselho de coração a acompanhar o Portal Geledés que sempre aborda de maneira ampla sobre o empoderamento da negritude e a luta contra o racismo. https://www.facebook.com/geledes . Aqui você encontra mais conteúdo ainda para essa abordagem. Abraço

    • Daniel Sollero

      Com certeza, Edward. Leitura obrigatória para quem se interessa pelo tema.

  • Neto Costa

    Finalmente alguém que se ligou nisso!!

  • Ricardo_Red

    No Brasil existe a cultura de que o negro, além de pobre e de não ter educação, também não é confiável. Por isso muitas empresas não contratam pessoas negras, por conta desse pre-conceito. Obviamente que isso existe por conta da quantidade de pessoas negras e mulatas envolvidas com crime. Criou-se uma cultura de que todo negro é um pouco bandido, ou ao menos não é confiável. Infelizmente essa é a realidade do nosso país.

    Moro numa região de imigrantes italianos e aqui o racismo e preconceito são enormes. Empresas não querem negros trabalhando para eles, pois não confiam. Não confiam na capacidade do negro – por acharem que são menos inteligentes e competentes – e principalmente, não confiam no negro pois acreditam que nele existe sempre um bandido escondido, alguém que a qualquer momento poderá cometer algum roubo ou coisa do gênero. Então os negros são excluídos quase por completo de cargos mais desejados. Sobram para eles serviços de faxina e similares.

    Precisamos falar mais sobre isso. Essa é uma conversa que deveria começas nas escolas, com crianças aprendendo desde cedo que isso é errado e inaceitável.

  • Amanda Tavares Santana

    1. Mulato é um termo muito ruim, que era usado para falar sobre mestiços como se eles fossem a junção de dois animais de carga. Lá fora eles tem um termo melhor para falar sobre essa pessoas. É o POC = People of Color. Que abraça os latinos, indianos, asiáticos… Qualquer etnia que não se encaixe no padrão europeu.

    2. Os negros não gostariam também que existisse sistema de cotas. Ninguém gostaria! Mas é uma solução temporária que tem dado muito certo. Não vamos nos esquecer que além das cotas raciais, temos uma parcela das vagas reservadas para estudantes do ensino público e estadual, que é bem próximo da sua sugestão de cotas por renda familiar.

    Mas esse retrato sobre o mercado de publicidade no país é bem verdadeiro. Já estive presente em vários eventos, com pessoas influentes, criativos importantes e, se você for olhar com atenção, a maioria dessas pessoas são brancas.

    Não que elas não sejam talentosas… Elas são! Só que negros podem ser ótimos criativos também. Acreditem! E bons atendimentos, ou até mesmo comerciais.

    Parece que em cargos que é preciso estar em contato direto com o cliente, muitas agências tem medo de colocar um negro por não saber ao certo qual vai ser a reação do cliente. Para eles, deve ser muito mais fácil ter uma loira de olhos azuis discutindo gastos, do que uma negra com turbante ou black power.

    Só vou acreditar que o mercado mudou, quando ver negros, ao lado de brancos, recebendo prêmios, sendo nomeados DA, CEOs, dando palestras, se tornando referências. Pois todos tem capacidade para tal.

    Vou acreditar que o mercado mudou de verdade quando não precisar conferir com no mínimo 3 pessoas se eu devo ou não utilizar a foto de uma família negra (achada no shutter!!) para uma postagem de redes sociais.

    Enquanto o dia não chega, a gente vem escurecendo os espaços com nossos cabelos fabulosos, nossa pele cheia de melanina, nossas box braids, turbantes e orgulho. Força Daniel! Força irmãos e irmãs na luta!

    ps: LEMBRANDO QUE NEM TODAS AS AGÊNCIAS SÃO ESPAÇOS EXCLUSIVAMENTE BRANCOS. Tem algumas bem legais, tipo a que eu estou. <3

    • Mariana Neri

      “Vou acreditar que o mercado mudou de verdade quando não precisar
      conferir com no mínimo 3 pessoas se eu devo ou não utilizar a foto de
      uma família negra (achada no shutter!!) para uma postagem de redes
      sociais.”

      Isso!!!! <3

    • Daniel Sollero

      Incrível a sua resposta Amanda. Já alterei o termo mulato para pardo pois estava indo contra o que proponho no texto. Mantive o termo riscado para mostrar que até mesmo eu, que escrevi o texto e sofro preconceito estava usando um termo pejorativo.
      Estou muito feliz com todo o debate que esse post está gerando e com as críticas a minha posição de ser contra cotas raciais.

      Obrigado mesmo.

    • Thiago

      Cotas para negros, funciona se vc partir do pré suposto que todo negro é pobre e não tem condições de frequentar uma boa escola, criar uma boa base para disputar as melhores colocações nas principais faculdades
      Ahh, mas são poucos, sim, as vagas também

    • Paulo Hilson

      Sério mesmo que mulato vem de mula? Não sabia. Realmente, quando você analisa palavras comuns pela origem algumas se tornam palavrões. Obrigado pelo comentário.

  • Leonardo Marinho

    Esse post me descreve bem. Sou publicitário e filho adotivo de pai e mãe brancos. Geralmente sou a cota em quase todos os lugares que costumo frequentar com minha esposa (loira, de olhos azuis e descendente de poloneses). Sinto a nítida diferença de tratamento quando estou só de quando ela está comigo. ..rs
    Sugiro a leitura do livro “O negro nos espaços publicitários brasileiros: perspectivas contemporâneas em diálogo” da USP. Tem o e-book gratuito para download na web.
    Abraço e obrigado pelo excelente post!

    • Mariana Neri

      Vou seguir sua sugestão e baixar! Vlww!!

      • Leonardo Marinho

        Baixe sim, é uma pesquisa bem completa. Chega de achismos. ..rs ;)

        • Naty Bauer

          Obrigada Leonardo!

    • Daniel Sollero

      Valeu Leonardo.
      Tem um texto da The Atlantic bem bom sobre reparações a população negra por conta da época da escravatura e tudo mais.
      http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2014/06/the-case-for-reparations/361631/

    • Theo Stormer

      Compartilho da mesma história, de prováveis experiências semelhantes, e aposto que cada situação dessas é agravada conforme a pele vai escurecendo, lembro até hoje uma vez quando pequeno quando estava no teatro municipal de SP alguns olhares cruzados, triste que isso ainda exista até hoje.

      • Leonardo Marinho

        Gosto de frequentar o Municipal do Rio. Recebo poucos olhares atravessados, até mesmo porque geralmente estou com minha esposa, porém certamente sou a cota. ..rs

  • F.

    Já vi diretor de criação não querer ver a pasta de um moleque porque era pobre e negro usando desculpa que estava “ocupado com outras coisas” o engraçado é que quando vai filho de cliente que está cursando publicidade mostrar a pasta, a agência toda para pra aplaudir o moleque.
    Não existe cota para negros, mas em compensação para filho de um amigo e filho do cliente…

    • Leandro

      Que historinha essa hein? Acolher filho de cliente é normal, é uma política de negócios não tem nada a ver com a cor de ninguém. Mesma coisa vale para não ver pasta de pessoas sem indicação… tu fernanda, tem igual número de brancos e pretos no seu facebook? ou, melhor, tu aceitaria qualquer pessoa no seu facebook com a mesma liberdade que aceitaria por exemplo uma pessoa que tem dezenas de amigos em comum? Vocês alimentam o racismo quando criam factoides como este.

      • F.

        Leandro, a relação que você fez sobre o Facebook não faz sentido algum..O Facebook serve para manter relações pessoais e não profissionais e por esse motivo aceito quem tenho afinidade ou conheço (o oposto do LinkedIn por exemplo, onde a gente acaba sendo mais aberto para conhecer pessoas diferentes justamente por ter uma finalidade profissional).
        Outra coisa, ao dizer que “é normal acolher filho de cliente”, você se torna um bunda mole.
        Que é comum isso acontecer, eu te dou razão, mas que é normal? você ta doido? não deveria ser normal nem deveríamos nos conformarmos com isso, porque ao abaixarmos a cabeça pra isso não conseguimos nunca reverter essa situação.
        Quantas pessoas boas existem hoje no mercado e nunca tiveram a oportunidade e mostrar o seu trabalho por falta de contatos? ou você vai dizer que isso não existe? que é só correr atrás que você consegue? Se você vier com essa resposta provavelmente deve ser filho de algum cliente qualquer ou de alguma minoria privilegiada.
        No meu dia a dia tento reverter esse quadro, quando estou entrevistando pessoas para a minha equipe dou oportunidade à todos, independente da faculdade que cursou ou do pai que tem.
        As pessoas deveriam ser avaliadas pelos seus diferenciais profissionais e não familiares.

  • Leandro

    Que racismo o quê? Não tem racismo nenhum em agência… Nunca vi alguém deixar de contratar alguém por ser negro. Agora eu aposto qualquer coisa que ninguém aqui tem um número igual de amigos no facebook de judeus, índios, negros, brancos e orientais, gays NINGUÉM. São todos racistas? Não. Simplesmente ninguém escolhe amigo pelos “rótulos”, nem funcionário. Parem de alimentar o racismo criando racismo onde não existe.

    • Edwi Feitoza

      Escolhe funcionários pelos rótulos sim. O primeiro rótulo é o arcabouço de habilidades e competências, o que é mais popularmente chamado de currículo. Se uma pessoa negra é apta, competente, qualificada e superior a outro candidato, independente de cor, e mesmo assim o branco se sai vitorioso na entrevista, entendo que o empregador é quem perde na negociação. Uma hora alguém acha o valor devido no profissional negro e o usa devidamente.

      • Leandro

        Pffff então eu devo acreditar que o empresário, que visa lucro, deixa de empregar um negro muito mais competente pra dar emprego a um branco, só porque tu ACHA que isso acontece de forma generalizada? Sei. Ou de repente estás te baseando por ti mesmo, já que acredita que deve haver uma igualdade numérica entre brancos e negros independente de suas competências individuais, levando em conta assim a raça e não a capacidade.

        • Edwi Feitoza

          Cidadão, você sabe ler? Parece que não. Releia o que eu escrevi e veja se tem a MÍNIMA conexão com a sua resposta. Age ainda com arrogância ao achar que me conhece. Quem aqui falou de igualdade numérica entre, brancos, negros, pardos, loiros ou o caraio que for? Eu não fui!

          • Leandro

            Primeiro que competência, currículo e portifolio não é rótulo, é TRABALHO. Aqui já tem um erro horrível da sua parte. De que outra forma se mediria o mérito de uma pessoa? Escolher por rótulo que eu me refiro é olhar cor de pele, gênero, raça, credo etc…

  • Gabriel Soares

    B9 nunca decepciona. Você são um sopro de ar fresco no meio da pubilidade. Parabéns.

  • Matheus Abade

    Cara, tem jeito de dar um milhão de likes e um milhão de compartilhamentos?

    Mesmo sendo branco eu percebo essas coisas em todos os lugares que vou. Não apenas nas agências de publicidade também.

    Agências que parecem querer contratar sempre o profissional ideal: Branco, tatuado, de classe média/alta. E que gosta de falar muito, veja bem que aqui não quero dizer que se comunica bem, apenas fala muito mesmo.

    Eu acho que só vi um negro uma vez em uma agência. E era um cara muito foda, que com certeza teve que trabalhar 100 vezes mais que qualquer um outro para estar ali. Isso é meritocracia?

    O racismo no Brasil é velado, o racismo aqui fica no pensamento de todos. Pouca gente comete atos racistas que podem ser condenados. Mas muita gente, o tempo todo comete pequenos atos racistas que mantem o distanciamento social.

    E isso é o pior. No Brasil não há luta racial. Quando houver, quando as pessoas começarem a dizer o que realmente pensam, talvez as coisas mudem.

  • Andrey Gramacho Machado

    Por favor um braincast sobre o assunto.

  • Patrícia

    Bem, entre erros e acertos, a política de cotas torna viável “essa nova geração” de quem você fala no final. Mais profissionais negros disponíveis, mais debate social, pode gerar mais gente consciente e mais entrada de profissionais negros nessas áreas “whitewashed”. Eu tb tenho minhas dúvidas* quanto a alguns aspectos da política de cotas, mas percebendo esse resultado penso que essas objeções deixam de ter relevância.


    *A saber: sempre achei que a política de cotas nas universidades, sem o acompanhamento de um programa de caráter educativo (com debates para preparar os alunos pra entender realmente as cotas e o racismo), era algo insuficiente. E ainda acho isso, haja visto a quantidade de problemas que os cotistas enfrentam.

    • Daniel Sollero

      É isso, Patrícia. A subjetividade é que mata essa iniciativa na minha opinião.

    • Marcos

      Não dediquem tempo a essa discussão barata a cerca de onde o preto deve estar. O preto estará onde ele quiser, desde que se prepare pra isso. Eu não tenho sequer ensino superior e sou um dos executivos brasileiros mais bem sucedido no meu seguimento. A empresa que criei está em 140 países. Vale lembra que em 2001 eu morava em favela, sem sequer ter acesso a saneamento básico. Sejam do bem, sejam cidadãos independente da sua cor ou classe social. Deixe claro onde quer chegar, o universo cuida do resto.

  • Tiago Pereira

    Excelente post Daniel, eu sou a favor das cotas, mas respeito sua opinião. Alguém já deveria ter dito isso uns 20 anos atrás. Parabéns!

  • Alexander Moitinho

    Eu gostaria muito de mostrar o nosso curta metragem “A Banca” que no segundo semestre de 2014 no curso de Produção Multimídia do UNI-BH foi muito elogiado pelos professores, mas não posso mostrar, pois pretendemos apresentar este curta em festivais.
    O tema que recebemos naquele ano era preconceito e escolhemos como subtema Estereótipos e em uma das piadas foi o reaproveito de um comentário que fiz no primeiro dia de aula quando a professora perguntou pq eu havia escolhido o curso e qual era meu sonho.
    Bem, escolhi o curso de Produção Multimídia pq são muitos anos pra concluir a publicidade, sou recém casado, já com 34 anos e queria algo mais rápido como um curso de tecnólogo, mas que me mantivesse “flertando” com a publicidade.
    O meu sonho ainda é ter uma produtora em que eu possa focar nos negros, tanto na fotografia como no vídeo.
    O comentário que eu fiz e que levou a colocar uma negra no curta?
    “Eu vejo na publicidade brasileira que o negro não compra o carro de luxo, não escova os dentes (foi daí que surgiu a piada), não sai pra balada a noite para beber as melhores vodkas do mercado, não compra casa em condomínio residencial de luxo e quando faz uma ponta em comerciais de TV, está sempre em segundo plano como mero figurante, só aparece no comercial se for pra vender produto para pele negra, para cabelos crespos e publicidade para programas sociais do Governo Federal ou Estadual”.
    Ainda chego lá. Ainda terei minha produtora e quero muito mudar este quadro.

    • Daniel Sollero

      Adoraria assistir o curta, Alexander.
      Se tiver como me mandar por email algum link privado me sentiria honrado de poder ver.
      E é bem isso que vejo e que quis contar no post.

      Valeu mesmo pelo comentário

  • Chayene Rafaela

    Li o texto todo incomodada com o modo com o modo de fala(mulatopardo/negro). Você não é pardo, você não é moreno e nem queimado de sol, você é negro e você já dever ter percebido isso, pq o racismo ão chega de modo mais suave até você, só pq vc tem a pele mais clara ou uma renda mais alta. Se identificar como negro é o primeiro modo de libertação, espero de coração que você consiga entender isso e que passe isso pro seu filho, vai ser bem mais fácil pra ele entender o mundo.

    • Daniel Sollero

      Chayene, você tem toda razão. Só reforcei o ponto do mulato/pardo por conta da minha mãe ser branca e ter ouvido algumas vezes a triste frase “mas você não é preto” de várias pessoas pela vida achando que isso era um elogio.
      Ou ouvir que sou “negro de alma branca”.
      Incluí pardo/mulato por que queria que quem lesse se identificasse também. Deixei claro que meus pais são um casal interracial porque acho isso importante para que mais pessoas se identifiquem.

      E no futuro eu não quero ter a conversa que tive com meu filho quando ele tinha 5 anos e sofreu preconceito pela primeira vez com a minha filha de 1 ano. Gostaria que tudo já estivesse resolvido. Mas mantenho aqui o mesmo argumento que usei com ele na época: todas as pessoas são iguais. E o fato de você ter pai e mãe de cores diferentes é na verdade uma coisa boa. Assim como ter pais da mesma cor.

      Em tempo, alterei o termo mulato para pardo no texto inteiro.

  • Ira Croft

    Trabalhei numa agência em que o meu chefe (e proprietário da empresa) odiava (sim, era ódio) pretos, nordestinos e gordos. Sua repulsa por essas pessoas era tanta que ele não as permitia entrar no seu escritório. E isso nunca foi mera impressão, ele dizia “Não sou preconceituoso, só não sou obrigado a conviver com essas pessoas – feias, mal-educadas, sujas e preguiçosas – e muito menos que elas estejam no meu ambiente de trabalho. Que procurem outra agência para trabalhar”. Foi uma época aterrorizante em que sai de lá com depressão, sem cabelos e unhas, traumatizada e amedrontada por qualquer coisa. E hoje, o mais engraçado e irônico é ver ~jovens~ brancos que trabalham em agências (logo, são empregados) com o discurso que meu ex-chefe, “essas pessoas devem procurar outro lugar para trabalhar”.

  • Rafael Lago

    Em abril de 2009, recebi o job para criar uma campanha de homenagem ao Dia da Consciência Negra para um grande banco estatal. O diretor de criação, meio mulato, meio cafuso, jurava que seria 13 de maio. Não tinha briefing e nem grande importância. A agência queria uma linha do tipo “Brasil de todas cores”. Pensei: acho que ideal era um negro fazer esse job, certo? Olhei em volta e percebi que só havia um negro na agência, que era a recepcionista. Tentei lembrar de quantos negros havia sido colega na criação em 15 anos de carreira. Lembrei de 2. Essa experiência mudou minha percepção sobre o assunto.

  • Yuri David Esteves

    Sobre a lei de cotas: não existe cota pra negro rico. Todos os programas de cotas ou ações afirmativas já levam em conta a questão social. Infelizmente, o debate sobre cotas no Brasil ocorre sem que quase ninguém conheça a fundo o que essa lei propõe.

  • Willian Mendes de Aveiro

    Daniel, eu tenho tentado levantar essa bandeira já tem algum tempo, mas parece que ninguem está disposto a escutar ou discutir o assunto. O negro simplesmente não existe para a publicidade. Mas o negro não consome? A gente precisa discutir seriamente como nossa sociedade trata essa questão da cor. E se for começar pela publicidade, ótimo. Mas o meu sonho mesmo é que a cor da pele seja tão relevante quanto o fato de uma pessoa ser destra ou canhota.

  • Eu queria muito dar um abraço no Sollero. Texto muito bom, cara.

  • Pedro Martins

    Muito bom seu texto Daniel!

    Eu também não gosto muito da politica de cotas, concordo quase plenamente com você.

    Já trabalhei em algumas agências em SP (na produção, planejamento e por fim na criação), hoje trabalho em um grande banco e já trabalhei em muitas outras empresas, cara a coisa não muda muito de um mercado para o outro.

    Mas sabe, eu olho ao meu redor, e analisando o contexto ao meu redor e usando minha família como referência. Vejo que de todos os negros que hoje trabalham na mesma empresa que eu tem aproximadamente a minha idade ou são mais novos.
    A geração anterior à minha teve que lutar muito, e engolir muito mais sapo que eu para chegar a consluir um curso superior, o que para mim foi muito mais fácil, e issos erá ainda mais fácil para o meu filho (q eu na verdade ainda não tenho…rs).

    Hoje eu frequento lugares com a minha esposa, em que não raro somos os únicos clientes, o que gasto em jantares com a minha esposa e amigos em um mês, é equivalente à renda do meu pai quando éramos crianças.

    Assim sendo eu acredito que estamos evoluindo, muito devagar, mas estamos.

    Sou otimista sim, mas também vejo o racismo da mídia no geral, quero ver nas propagandas, séries e novelas negros de classe média assim como eu, que viajam, que comem em lugares caros que se vestem bem, e quero ver negros em que eu possa me espelhar para buscar mais. Quero ver um galã de novela que seja rico, culto, poderoso e negro.

    Estamos longe do ideal, inclusive no que diz respeito ao “nosso próprio povo” (eu não penso dessa forma, é só um expressão para falar sobre negros produzindo para negros), haja visto nossa pouco evoluída industria de cosméticos específicos.

    Em suma, ainda falta muito mas estamos evoluindo, meu filho sofrerá menos que eu com racismo, assim como eu sofri menos que meu pai.
    As próximas gerações sendo educadas de forma a se valorizaram irão continuar a evolução da sociedade, e digo isso por experiência própria. Meu pai trabalhou no mesmo banco em que eu trabalho hoje e ele enfrentou muito mais “resistência ariana” na época dele.

  • Silvino

    Olá Daniel. antes de tudo, parabéns pela abordagem do tema. Embora tenha um ou outro ponto de discordância, acho que vale a visão mais ampla do problema. Cheguei aqui por indicação de um amigo e gostaria de compartilhar um texto que escrevi, publicado originalmente no site do Clube de Criação de São Paulo: http://www.overmundo.com.br/overblog/algumas-licoes-do-racismo-brasileiro-que-aprendi Abs, Silvino

    • Daniel Sollero

      Que texto incrível.
      Espero que todo mundo que leu o meu texto leia (ou até já tenha lido) o seu também.

  • Elidio Santos de Oliveira

    O tema discutido aqui é Negros na Agencia. eu até amplio mais: a coisa já começa (ou parte dela) nas faculdades. A tidas faculdades tops, com mensalidades a perder de vista. E mesmo as mais “populares”. Eu comecei fazer faculdade de publicidade, pagando. Tinha um emprego de M**** em uma empresa de telemarketing, com um salario de tambem de M****.Para economizar, ia a pé do trabalho para faculdade. Mas a coisa ficou insustentável: conciliar a mensalidade da faculdade com as contas de casa etc, culminou em eu ter que trancar no 2 semestre. Fiquei um ano em uma quase depressão, frustrado com a ideia de não poder levar adiante meu sonho. Ai surgiu o ENEM, que eu já havia tentado umas 3 vezes sem sucesso. Na quarta, decidi fazer e escolhi pelas cotas. Consegui. Ano passado me formei em publicidade. Paralelo a isso, tentava fazer estágio em algumas agencias, mas sem sucesso. Acabei por ter minha carreira profissional construida, trabalhando em departamentos de comunicação de empresas que não eram agencias. É difícil concluir uma afirmação pautado apenas no meu depoimento, mas ao longo desse meu processo, também pude conhecer histórias de pessoas (Negras e brancas pobres) parecidas com a minha. A minha percepção, baseada nas tentativas de querer estagiar em agencias, é que a “seleção” é feita não só pela cor da pele, mas também pela faculdade que você cursou. Uma coisa reforçou a outra. E na sala de seleção, eu já podia constatar o óbvio: normalmente eu era o único negro, de faculdade “sem renome”, rodeado de brancos estudantes de faculdade tidas como “elititas”. Eu era melhor ou pior do que eles? Não sei. Só sei que em todas as ocasiões era assim. Hoje não tenho magoas do que vivi, mas me incomoda o fato de saber que isso ainda continua. Enfim, não sou dono da verdade, queria apenas trazer um pouco do meu ponto de vista a essa valiosa discussão.

  • Andre Nery

    Cara, tivemos vidas parecidas, só mudamos a cidade mas o preconceito foi o mesmo.

  • exidco

    Excelente texto! Em 20 anos de publicidade posso contar nos dedos a quantidade de profissionais negros com os quais me relacionei em agências no Barsil, no mesmo contexto que citou. Só discordo da não necessidade do sistema de cotas. Por mais “racista” que soe, como já comentaram abaixo, se comparar uma pessoa negra probre com uma pessoa branca pobre, esta segunda levará vantagem visível. Sem falar que provavelmente esta segunda não terá na história da sua família os horrores da escravidão. Na qual nossos ascendentes foram privado por centenas de anos de desenvolvimento intelectual, tratados muito piores que animais e depois em um ato de caridade re-inseridos na sociedade para lutar por um lugar ao sol de “igual para igual”. Alguns superaram estes difíceis traumas, esta lacunas. Porém muitos afros-descendentes na minha opinião apreciariam a ajuda psicológica e por que não uma oportunidade profissional. Já li sobre países que implementaram o sistema e obtiveram sucesso. Mas este é um outro assunto que não será resolvido em um blog mas vale incentivar a reflexão livre de preconceitos. Parabéns!

  • Sabrina Teixeira

    eu acho que é complicado (pra não dizer hipócrita) você questionar como as pessoas (brancas) não sabem da realidade que é ser negro no Brasil e ao mesmo tempo ser contra cotas. você não sabe como é a realidade do preto no brasil?

  • Caio Borrillo

    Num mundo utópico e lindo e maravilhoso cotas nas universidades não seriam necessárias, mas este não é um mundo utópico, lindo e maravilhoso. Neste mundo que a gente vive, negros e pobres são sistematicamente exterminados em comunidades, são obrigados a frequentar um sistema falido de ensino, onde eles não podem arcar com os custos de uma universidade particular.

    Entendo o que você quis dizer, mas você é uma pessoa com privilégios e esqueceu de descer deles ao dizer que é contra as cotas. Você teve acesso aos privilégios que milhões de outros negros, que são pobres, que estudam em escola pública, não têm. É fugir da realidade do preto, pobre e marginalizado, que você não viveu. E você, como negro, reforçando que é contra as cotas, apenas aponta para os negros das comunidades pobres que essas universidades não são pra ele. Rever privilégios, amigo, isso é necessário.

    Sobre a visão das agências, sim, concordo com tudo, é um mercado além de racista, extremamente misógino. E até o CONAR, que deveria ser a instância que impediria os absurdos que vemos por aí, é composta por homens brancos, cis, hetero e que perpetuam tudo o que vemos de errado por aí.

    • Daniel Sollero

      Legal, Caio.
      Mas na minha opinião é que a falta de acesso é relacionada a grana e não apenas a questão de raça.
      Eu sei que sou parte dessa parte com privilégios MAS as cotas raciais do jeito que são feitas hoje tem muita margem para erro como até linkei no post por conta da grande miscigenação por aqui.
      Vou te fazer uma pergunta legítima porque quero saber a sua opinião e não porque é uma ironia ou qualquer coisa assim:
      Você acha que se as cotas fossem por renda familiar elas teriam um resultado muito diferente do que se tem hoje com as cotas raciais? Acha que teriam mais brancos do que negros e pardos? Acha que os brancos seriam mais privilegiados que os negros nessas cotas por renda?

      Valeu pelo comentário, cara.

  • Leonardo Ribeiro

    Bacana você levantar essa questão, Daniel. Antes de entrar na discussão sobre o racismo, acredito que valeria você ler sobre privilégios e sistemas de políticas afirmativas. Existem níveis de desigualdades e, acredito, precisamos de medidas únicas para cada um delas. Hoje eu sou à favor de todas as políticas afirmativas (:

    Sobre o racismo “velado” dentro das agências. Acredito que as agências são um poço de preconceito, racismo e machismo, mas me parece dói assumir isso. O pensamento é mais ou menos assim: “Existe, somos contra, mas aqui na minha agência não tem isso”.

    Não existe preconceito, mas as piadas com negros são feitas todos dias. Não existe racismo, mas não tem negro na sua equipe.

    O reflexo disso é que discutimos pouco sobre o tema. E aí fica difícil desconstruir qualquer tipo de preconceito que existe dentro das agências.

    Falei sobre privilégios no começo porque fica pior quando olhamos para a situação das mulheres negras dentro das agências. Consigo contar nos dedos as mulheres negras que vi trabalhando em agência. Normalmente, em cargos de recepção.

    Eu escrevi sobre minha história. O link está aqui se você quiser ler: https://absorva.wordpress.com/2015/06/08/ser-um-preto-tipo-a-custa-caro/

    Um abraço,

  • João Daniel Ω

    Porra Daniel,puta texto foda! Tirando a parte do filho (que ainda não tenho,rs) passei,e ainda passo por situações iguais na faculdade onde sou um dos únicos negros,não só do curso,mas de todo campus.
    Nada pra acrescentar,belo texto.

  • Kátia Viola

    Daniel, parabéns pela abordagem Essa questão dos negros nas agências sempre me incomodou muito. Escrevi também sobre isso no meu blog. Se você tiver paciência de ler, está aqui o link: http://atendimentopublicitario.blogspot.com/2008/11/mais-um-dia-disso-e-daquilo.html
    Um abraço pra ti.

    • Daniel Sollero

      Katia,
      ver que o seu texto é de 2008 é preocupante. O Silvino mandou outro texto, dessa vez de 2007 com o mesmo tema.
      E esse texto aqui no B9 de 2015 mostra que pouca coisa mudou. É uma pena.

      Obrigado pelo comentário e por compartilhar o seu texto. ;)

  • Tiago Veiga

    Perfeito. A minha trajetória foi bem parecida com a sua. E agora, com 32 anos e trabalhando em agência, é que percebi o quanto a minha percepção sobre assunto também foi velada nesses 8, 9 anos de mercado e na maior parte da minha vida. Concordo 100% com você, o fato de deixar o cabelo crescer, não ligar pras piadas e fazer graça pra se explicar, não ver tantos negros no meu meio social. Chega de ouvir na rua que somos exóticos, comentários de cunho racista. É nossa obrigação confrontar, quebrando na ideia, com a experiência de quem engoliu muito sapo pra chegar aonde muitos não sofreram a metade pra estar. Quanto mais falam, mais eu deixo crescer. A luta é dura, e o debate é essencial. Há algum tempo eu não concordei com a clássica ativação de mulata pra gringo ver e acharam que eu estava sendo radical. Agora pensam 2x antes de oferecer soluções do tipo. Vamos plantando essa semente, pro seu filho chegar num mercado mais justo. Abraço.

  • Anderson Lima

    Cara não acredito que li isso aqui, a única coisa que barra alguém é falta de experiência profissional ou conhecimento técnico necessário não interessa se é negro ou não…

  • Rafael Nery

    Nunca comento nada… mas não vou falar de todo um contexto, achei coisas bem legais, mas também coisas totalmente fora do eixo, mas o que realmente incomodou foi esse uso chato e errado de negro, pardo, mulato, amarelo, pretin, negin… se tá falando de racismo, isso seria a última coisa que eu queria ler em um texto deste estilo, pois sou preto, negro de todo meu ser

  • Bibiana Maia

    Daniel, muitas políticas de cota levam em consideração a questão da renda sim. A ênfase na cor é para uma questão de ação afirmativa. Dizer que os negros devem estar também nos espaços de poder. Dizer que ser negro não é algo ruim. No entanto, como você mesmo disse, pobre é quase como sinônimo de negro no nosso país. Está praticamente implícito. Mas, aqueles que são branqueados pelo sistema têm mais privilégios. Meu pai é negro, minha mãe branca. Minha irmã é negra e eu (aos olhos da sociedade) sou branca. Nossa realidade econômica e social é igual, mas ela passa por situações que eu nunca viverei. Então não, não somos tão misturados já que eu sou vista como branca e ela como negra. Acho que seria interessante conversar com pessoas bem menos privilegiadas do que você para entender melhor essa dinâmica. Abraços.

  • Marcus Vinicius Lima Martins

    Fiquei muio feliz de ter lido esse texto em um site de tanta relevância com o B9. Parabéns Sollero por te-lo escrito retratando de as dificuldades pelas quais um negro passa para se inserir no mercado publicitário. Ainda que eu não concorde com todos os pontos, como o fato de eu considerar necessário cotas para negros afim de colorir altos cargos quebrando barrerias preconceituosas, li e senti o racismo trabalhando em órgãos públicos, comentários sobre o meu cabelo, em que também tive que passar pelo processo de aceitação capilar pelo qual você passou.Percebi muito desse preconceito da sociedade ao trabalhar com crianças, que nos seus pequenos cometários fazia um adulto como eu refletir.

    É lamentável que entre vários comentários aqui presentes vemos alguns que não conseguem se abrir um pouco para a empatia. Não precisa concordar em tudo, ao menos leia e tente entender, não jogue pedras sem antes saber no que você está as atacando.

  • Juan Bahoo

    Ótimo texto @danielsollero:disqus . Sim o Racismo existe, e posso afirmar que o “Negro” foi bastante afetado, porém, vejo que a forma como tentamos combater isso da mais vazão ao ódio.

    Sou negro, jovem e empreendedor, posso te afirmar que todas as tentativas de racismo contra min não me atingiram de nenhuma forma, digo isso pq sei que a verdade não é essa, e isso está tão enraizado em min que só me vejo humano e não apenas um homem “negro”

    Exemplo: Sim, é notório que o racismo existe, pq ao invés de falar no racismo não utilizamos as mídias para mostrar a grande sociedade exemplos de negros bem sucedidos, Pardos eou mulatos que saíram do zero e construíram uma vida com significado? No meu ponto de vista isso seria a melhor solução, e o tempo faria o resto com as próximas gerações.

    Sei que para curar uma doença primeiro precisamos diagnostica-la, mas cá entre nós, todo mundo conhece a história, será que devemos continuar contando dessa forma? ou mostrar para essa geração de crianças negras o potencial que tem?

  • texto extremamente contraditório (quer representação negra nas agências mas não quer nas faculdades que vão formar esses futuros publicitários. se eles não se formarem como chegarão as agências, né?). mas acho que isso todo mundo já apontou aqui nos comentários.

    o que eu acho de ponto positivo no texto é que ele aponta que em qualquer pequeno esforço que fazemos pra sair da matrix, vemos que todo comercial de TV é representado por brancos, toda matéria do B9 tem foto de gente branca, todo youtuber influente é branco. toda redação publicitária é branca. na faria lima só tem gente branca.

    brancos vendem o que negros não podem comprar. e estamos em 2015. que merda.

    • “vemos que todo comercial de TV é representado por brancos, toda matéria do B9 tem foto de gente branca, todo youtuber influente é branco. toda redação publicitária é branca” @anacarolalves:disqus CONCORDO plenamente com sua posição e uma das coisas que mais me chama atenção das que você falou é a falta de negros no youtube. Cara é só ligar uma câmera e falar algo que as pessoas queiram ouvir, não imposta sua qualificação, sua classe social, se você é bonito ou feio.. MAS mesmo assim o Youtube Br reflete como é o Brasil como país(com oportunidades para poucos), teve uma premiação do Youtube semana passada, onde tinham dezenas dos Youtubers dos mais influentes do Brasil, e só me lembro de ter visto o Tiago do @CanalBoom. Imagina entre 100 canais tem 1 ou 2, talvez 3 ou 5 que pertencem a negros(as).
      Claro que quem trabalha com youtube não tem culpa disso, mas a sociedade(em maioria adolescente) que assiste é que decidiu/escolheu que não tinha canais com negros ou negras “bons o suficiente” merecer a atenção.
      Por outro lado, tem uns 5 canais grandes de asiáticos(as)..

  • Leonardo Jaques

    Acredito que é a questão de incomodar, questionar o padrão estabelecido, nadar contra a maré, inovar, ser o diferente, ser tolo o suficiente para encara uma realidade triste e cruel com brio e coragem, desbravar e pagar o preço!
    Mas realmente não se calar. Gostei muito do texto, vou procurar assistir o documentário e parabéns pelo manifesto!

  • Adam Henrique Freire

    Não sei de que Brasil o autor do texto é, nós não somos misturados. Casamento interracial ainda é um tabu sério em nossa sociedade. Brancos e negros casados são minoria, ainda que em maior número que em outras sociedades eles são minoria, e isso só acontece quando a pessoa negra no casal tem um status econômico superior. Geralmente é o homem negro rico casando com uma mulher branca relegando á mulher negra um papel social ainda mais inferior. A democracia racial brasileira é a maior mentira do século XXI, mais da metade da população pobre do Brasil é negra, e não 60% são 80%, a maioria esmagadora da população carcerária é negra. Não sei de onde você é, mas do centro-oeste para baixo a maioria dos brancos vem de uma longa linhagem de gente branca. A miscigenação quase não aconteceu e quando aconteceu foi entre as classes mais pobres. Negro só se casa com branco no Brasil quando é rico ou quando prova que pode sustentar a prole. Esse foi o caso da família do autor e da minha (pai negro bem sucedido casando com mulher branca) e não significa que nossos pais foram racistas, eles seguiram uma tendencia racista da nossa sociedade, como a mulher negra que sempre alisa o cabelo, isso não os torna racistas, afinal casamos com quem queremos, alisamos o cabelo quando queremos, entretanto inconscientemente estamos seguindo um padrão racista sem nos darmos conta. Não há igualdade sem justiça, as regras para se entrar numa faculdade são as mesmas para todo mundo, mas, devido aos contra-tempos que a população negra enfrenta, é indispensável um mecanismo que os auxilie já que o sistema educacional é falido, ai as cotas trazem justiça para quem nunca recebeu o mínimo. O autor do texto tem que ser contra cota para ele mesmo, já que negro/pardo de classe média realmente não teria motivos para se inscrever em cotas. Assim fica fácil se dizer contra. Foi feliz em muitas coisas que disse no texto, mas está na hora de exercer empatia por quem é só preto e pobre e não “pardo” e classe média.

  • Diogo

    Excelente artigo. Chama muita atenção principalmente porque todos fogem dessa discussão na sociedade – consequentemente na propaganda.
    Sou branco e comecei a despertar para o racismo quando me falaram sobre o “teste do pescoço”, que é justamente como você começa o texto. Desde então passei a me policiar e observar o quanto o racismo está presente no nosso dia a dia.

    Tento fazer a diferença sempre que me deparo com uma situação de racismo, seja na agência, na rua, onde for. Me incomoda pensar que numa seleção de emprego, se restassem apenas eu e uma pessoa negra, provavelmente eu levaria a melhor, não importa a competência. Mas muita gente não se importa, acha até bom.

    As cotas são necessárias em várias instituições, do contrário os brancos ignorantes continuarão a tentar segregar e isolar os negros.

    Na propaganda o problema persiste porque grande parte dos publicitários são uns idiotas, tudo é piada, não existe assunto sério. Parece que vivem num universo paralelo. “Não tem foto no Shutter”, como se o problema fosse só a representação fotográfica. Nunca buscaram estudar a história e as lutas do povo negro.

    Sem sensibilidade não vamos avançar. O futuro pode ser promissor, mas a mudança de atitude deve começar hoje.

  • Julius Amorim

    O texto força a barra a maior parte do tempo, embora uma afirmação ou outra tenha lá eu sentido, típica atuação de quem quer impor pauta e exatamente por conter alguns poucos fatos verdadeiros, deixa dúvidas no interlocutor que não concorda com a mensagem defendida pelo escritor, principalmente naquele com pouca leitura ou consciência do jogo brutal que é a indústria da defesa das minorias.

    Certamente Daniel Sollero nos toma por tolos, e ele o faz exatamente porque a maioria das pessoas estão acuadas com o ativismo das minorias que repetem palavras de ordem sem a mínima constatação, ou seja, se você não concorda com o texto, você é racista, fascista ou algum outro “ista” qualquer pra te rotular e cala. Como a maioria não quer ver essa marca, aceita ou se cala, mas assim não fariam se estudassem um pouco mais sobre o assunto. Aliás, quem estuda e tem argumentos, desmonta esse texto pré-fabricado em 2 minutos. E Daniel sabe disso, mas conta com a ignorância alheia. Não é, Daniel?

    Porém, Daniel, muito do que você vê é reflexo apenas do baixo número de negros ou pardos (não tenha medo de falar “mulatos”) nos bancos das universidades até meados dos anos 90, o que reflete facilmente na sua constatação de que as agências são um paraíso germânico, mas não um paraíso nazista, certo?

    Façamos o seguinte: em 10 anos ou até menos, olha novamente o mercado e refaça o seu texto. Ele mudará? Certamente não, mas não porque a realidade irá mudar (até porque ela já mudou), mas porque VOCÊ não irá mudar. O ranço, querido militante, sempre será sua marca registrada e mesmo que um dia, por exemplo, as agências sejam exclusivas de negros (o que também é uma tolice), ainda assim existirá na sua cabeça algum racismo “velado” e pronto pra justificar outros textos. É como uma droga, da qual não existe reabilitação, pois o que te sustenta é a vigarice intelectual, outra patologia que não existe cura.

  • Nicolas Pereira

    Esta imagem já fala por si só!

    • Leandro

      Bem feito, quem mandou colocar esse nome idiota na agência. Nem na agência tem negros, nem na África de verdade tem agência com negros suficiente. E nem entre seus amigos tem negros suficiente, nem nos meus, nem nas ruas (exceto na Bahia), então somos todos neonazistas malditos e vamos queimar no mármore do inferno. Todos nós ainda vamos ser vítimas por plantar racismo em tudo.

  • Leandro

    Que tal postar uma foto da redação do B9?

  • Leandro

    Opa! de 11 pessoas do B9, um é negro (e justamente esse tem um cartoon no lugar de foto, que feio não botar a foto do seu integrante negro). Ou seja, vocês são mais racistas que a maioria das agências. Não é esse o raciocínio?

    • Daniel Sollero

      Leandro, quem monta o perfil no site são os próprios contribuidores e a imagem é puxada do Gravatar e usa o ícone que EU escolhi para TODAS as minhas redes sociais.
      Sobre os contribuidores no B9, você sabe que há trocas periódicas no quadro e que sim já houve mais negros e mulatos escrevendo por aqui.

      Para de procurar problema onde não existe. Isso não ajuda ninguém.

      • Leandro

        Daniel, a sua resposta é perfeita. É exatamente como eu penso ;) Assim você se autoresponde quanto ao racismo nas agências.

      • Oi Daniel. Muito bom seu texto, apesar de não concordar com algumas questões.

        Mas é importante, e presumo que todo negro com alguma perspectiva histórica saiba disto, apontar para o uso indevido do termo mulato, cujos registros etimológicos referenciam sua origem à “mula”, aquele animal estéril, resultado do cruzamento do jumento com o cavalo.

        Uma nomenclatura preconceituosa, pejorativa e animalesca, aplicada aos filhos mestiços das escravas, frutos das investidas de seus senhores brancos. Um termo que, ao menos por nós, negros, não deve ser alimentado.

  • Jeu Almeida

    Muito bom o texto. Como publicitário negro, apesar de viver e trabalhar na Bahia, capital negra do Brasil, já vi e vivi situações que pareciam surreais. Em relação a parte das cotas prefiro a análise do Marcos Mota. abs.

  • Amples Regiani

    Achei legal o texto, o problema do racismo no Brasil é real
    e existe nas agencias, nas ruas, na policia, nas escolas, em todos os lugares como você mesmo disse.

    O tema precisa ser levado em conta e algo precisa ser feito.

    Mas achei que muitos pontos do texto são tendenciosos como a histórinha do metrô, já que não estão levando em conta o contexto histórico do país,
    razão pela qual sou a favor de algum tipo de cotas, não por um “desfavorecimento” intelectual dos negros e sim pela injustiça cultural e social que sempre existiu no nosso país com os pobres, negros em sua grande maioria.

    Mas como humano e profissional o que mais me incomodou no texto foi a sugestão de criação de conteúdo negro, para negros.

    Nada mais racista que a criação de algo para segmentar coisas que não deveriam estar segmentadas.

    Publicidade para negros? Revistas para negros? Sério?

    É o caminho de volta ao banheiro para negros, restaurantes para negros,
    o que pode ser mais racista que isso?

    Acho que a solução vem na vía oposta, vem pela inclusão, vem pela igualdade.
    Vem em melhorar as oportunidades para que a cada dia mais negros possam estar usando ternos e conversando em ingles nos elevadores.

    A sociedade precisa entender que grande parte do racismo vem daí,
    Se existem 100 alunos em uma universidade e 10 são negros não é por racismo,
    não é porque as pessoas não gostem de estudar com colegas negros é por falta de oportunidades, simplesmente o negro não esta conseguindo chegar a universidade.

    Só quando a pobreza estiver parcialmente solucionada e todos possam estar em igualdade de condições, poderemos lutar contra o racismo real, esse que acredita que o branco é melhor que o negro.

  • Jamille Ramos

    Olá, achei interessante o seu texto, mas acho que comenteu alguns equívocos. Você parte do pressuposto que os negros na escola não ocupam vagas como professor no Colégio, mas é paradoxal porque você mesmo fala de um contexto escravocrata. Logo se antigamente negros não possuíam acesso a o ensino superior como isso poderia ser refletido na sala de aula? Como poderia ocupar cargos mais elevados?
    Outra vertente importante é salientar que a políticas de cotas são cotas raciais e sociais. Pq eu posso ser NEGRO, mas se eu estudei em escola particular eu não posso ser cotista. Acho que é necessário a política de cotas em algumas coisas sim, vejo como um reparo social, sabemos que a educação pública é fragilizada.
    Abraços

  • Ricardo Silveira

    Não posso levar a serio um afrodescendente que é contra as cotas nas universidades. Parei no segundo parágrafo. Foi mal.

  • JuliaCM

    Daniel, moro fora do Brasil. E no Brasil e fora dele talvez tivesse reações diferentes aos exemplos que vc deu. E não pq eu sou racista. A análise não é tão simples assim. O seu exemplo mesmo é contraditório. Mas pq a realidade brasileira nos faz pensar assim. Os negros são sim minoria no estudo superior, em cargos de executivo, raridade. Vc mesmo diz isso. Pq nossa estrutura social é assim, desde a escravatura os negros e seus descendentes estão em desvantagem seja pela condição social, seja pela segregação racial. Então, qdo se vê um negro na situação que vc descreveu, será normal que o primeiro pensamento seja de que ele não é um executivo. O que vc faz com o seu pensamento é o que te faz racista. Ou eu devo tratar um segurança de forma diferente de que trato o executivo? Aí vem o que te falei do fato de estar fora do Brasil. Por essas bandas não tem sub emprego. Ensino público funciona. Qq profissão é profissão e respeitada. E negros tem mais chances que no Brasil. Ou seja, achar que alguém é segurança no Brasil onde vc mesmo disse, a população negra não tem as mesmas chances é reflexo do país da gente, que eu gostaria que fosse diferente. Que grande parte da minha vida fiz o que pude pra que fosse. Enfim, só queria te dizer que achar algo que em 90% dos casos é a realidade, não é racismo. Não querer mudar isso, é. Não importa o que penso no elevador. Minhas ações te dirão de que lado eu tou.

  • Danila Dourado

    Parabéns Daniel, excelente linha de raciocínio. Fiz, juntamente com o André Brazoli e a Teresa Rocha, um estudo que avalia a presença do negro nas agências de publicidade do Brasil, o resultado ficou bem interessante e, de certa forma, complementa a sua análise:http://daniladourado.com.br/2015/10/25/a-presenca-dos-negros-nas-agencias-de-publicidade/

  • “Eu assino um serviço de revistas chamado STACK Magazine em que eles mandam uma revista diferente por mês. Um dia eu recebi a revista Hello Mr. uma revista sobre “men who date men”. E o meu grande desafio ao ler a revista foi ter que fazer uma transposição para mulheres em qualquer texto que falasse de relacionamento. E conversando com meus amigos gays, notei que eles fazem isso toda hora ao ler revistas masculinas que tem matérias sobre relacionamento e etc e talvez nem notem mais. A chave vira sozinha. Mas uma coisa que eu mesmo não notei é que os negros também fazem isso ao consumirem boa parte do conteúdo que é produzido e publicado no país. E isso inclui a publicidade”

    Compartilhei seu texto há alguns dias @danielsollero:disqus, somente por esse trecho que foi o ápice do post pra mim, sei exatamente do que você está falando. Mas mesmo compartilhando tenho que admitir que não gostei muito da matéria não, mesmo tentando trazer para o debate uma das maiores deficiências DO Mercado NA Comunicação NO Brasil, achei bem superficial, percebe-se que tentou mais não conseguiu se aprofundar no tema. Mesmo não concordando com tudo que foi dito também, este É um bom texto.
    ESPERO que LOGO você volte a fazer mais abordagens sobre o tema.
    https://www.facebook.com/victor.cruz.77964201/posts/952016044860149?pnref=story

  • Junior Omni Silva

    …………
    ENQUANTO EXISTIR IDIOTAS, HAVERÁ O RACISMO!

    MICHAEL JACKSON = O MAIOR RACISTA DE TODOS OS TEMPOS!
    .
    .
    MUITAS CELEBRIDADES SÃO RACISTAS!

    Celebridades negras, CONSTANTEMENTE SE APRESENTAM COM CABELOS “LISOS” E MUITO “PÓ BRANCO”… Para tentarem ESCONDER A COR DE SUA PELE !!!
    .
    .
    .
    ISSO É RACISMO !!!
    .
    .
    .