YouTube decide que vídeos com ofensas homofóbicas não ferem suas políticas de rede

Empresa declara que publicações de Steven Crowder que respondem série da Vox com ofensas à etnicidade e sexualidade do apresentador não ferem diretrizes da plataforma

por Pedro Strazza

Desde o fim de maio o YouTube vem investigando um caso de homofobia envolvendo o jornalista Carlos Maza e o comentarista de extrema direita da rede Steven Crowder. A situação em questão já acontece há algum tempo, com Maza, host da série “Strikethrough”, programa jornalístico da Vox que trata de política e tecnologia, sendo alvo de diversas publicações do canal de Crowder onde este rotineiramente pratica grande parte dos itens previstos na categoria de cyberbulling nos termos de violação do YouTube, incluindo aí repetidas ofensas sobre sua ascendência latina e a homossexualidade – Crowder chama Maza diversas vezes de “um âncora beberrão, bichona e mexicano”.

Aos olhos do YouTube, porém, o caso não parece ser tão grave, conforme a rede social declarou na noite de ontem (4) que Crowder não violou quaisquer termos da plataforma e portanto não terá o canal banido. “Nossas equipes passaram os últimos dias conduzindo uma avaliação profunda dos vídeos que foram flaggeados, e por mais que nós consideremos a linguagem claramente ofensiva os vídeos como postados não violam nossas políticas” escreve a conta do YouTube em resposta à thread postada por Maza expondo o caso no Twitter; “Opiniões podem ser muito ofensivas, mas elas não violam nossas políticas e portanto permanecerão no nosso site”.

[ATUALIZAÇÃO: 16h]Apesar de ter negado que os vídeos de Crowder ferem as políticas do site, o YouTube fez um novo pronunciamento sobre o caso anunciando que a monetização do canal será desativada. “Nós chegamos à decisão porque um padrão de ações notórias teve um impacto negativo em uma parte maior da comunidade” escreve a equipe da plataforma, que diz que esta medida fere as políticas do seu Programa de Parceria.[FIM DA ATUALIZAÇÃO]

Por mais que o YouTube tenha declarado na resposta à Maza que não apoia o ponto de vista de Crowder, é claro que a notícia passou longe de ser bem recebida pelo público. Enquanto o jornalista da Vox classificou a media como “uma política escrota” que dá aval para que pessoas como Crowder prosperem na rede, outros usuários já criticam o veredito do YouTube e apontam a contradição de fazer uma decisão dessas em pleno mês de orgulho LGBTQ+.

O YouTube já declarou que não irá se pronunciar além da resposta oficial pelo Twitter.

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