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No Connected Smart Mobility, o futuro da mobilidade está na sustentabilidade

Evento mostra que a grande preocupação das novas tecnologias de transporte é menos sobre sua materialidade que por sua praticidade

por Pedro Strazza

Pequenas ou enormes, as metrópoles do mundo vivem à beira do colapso em termos de mobilidade, e não são poucas as pessoas que já perceberam o tamanho da crise que ameaça estourar nestes grandes centros. É tão verdade esta afirmação que o Connected Smart Mobility, um evento a princípio dedicado a proporcionar novas oportunidades que busquem inovar a forma como a população das cidades se locomove – e que acontece simultaneamente a outro evento interessado no aprimoramento tecnológico destas regiões, o Connected Smart Cities – se mostrou acima de tudo preocupado com formas de trazer soluções criativas e práticas para os problemas gerados pelos atuais sistemas.

Mas poderia um mero congestionamento ser tão grave assim para o desenvolvimento social destas regiões? A verdade é que trânsito é apenas parte do problema ligado às questões de locomoção, que surgem de anos de um planejamento urbano muito mais voltado ao atendimento de necessidades industriais que ao conforto social. 

Não à toa, assim, que por exemplo a região metropolitana de São Paulo vive os efeitos mais drásticos da conurbação da capital com cidades vizinhas, um processo que inclui consequências sérias como a imobilização diária do tráfego nas estradas – o único meio de ir e vir dos centros – e uma poluição que equivale ao ato de fumar quatro cigarros diariamente. Por trás de tudo isso está a “expulsão” da população para a periferia, condenada a se afastar mais e mais do local de trabalho e a realizar um movimento pendular diário entre casa e trabalho que alimenta o inchaço de carros nas rodovias e o trânsito – e é claro que este panorama chegaria a um ponto insustentável em determinado momento.

Neste cenário tão paralisante em seu tom apocalíptico, a boa notícia é que há muita gente disposta a repensar os modelos de transporte e mobilidade para solucionar este caos, uma noção que o Connected Smart Mobility reforçou de maneira bastante clara em seu primeiro dia de evento. Em meio a tantos eventos promovidos, uma das palavras mais repetidas na convenção realizada em São Paulo, inclusive, foi justamente o termo “sustentabilidade”, do planejamento às novas propostas de transporte.

Esta noção de procedimento por trás do processo para solucionar as questões de locomoção urbana de certa forma foram reforçados pela própria organização, que em um mesmo grande tablado montou quatro palcos cujas palestras e debates eram focados em cada uma das partes desta equação. Enquanto numa ponta estavam especialistas apresentando dados e provando ponto por ponto o quanto o atual esquema das coisas é inviável de prosseguir, do outro estavam lá as novas tecnologias, representações de um futuro positivo onde a tecnologia quem sabe será capaz de aliviar os entraves atuais.

O mais bacana, porém, é que este futuro em si não parece agora muito distante como há cinco ou seis anos. Pelo menos no Connected Smart Mobility, carros autônomos, drones e eVTOLS (os veículos de decolagem e aterrissagem vertical) são tratados por empresários, oficiais do governo e representantes de grandes companhias como soluções viáveis, com sua introdução agora dependendo apenas do melhor planejamento possível para que sua chegada nas cidades não represente agravamentos ainda mais complexos da complexa malha social de hoje – o que só melhora o prognóstico do desenvolvimento das smart cities, a meta de futuro maior imbuída a todos estes elementos e temas.

No caso específico dos eVTOLS, inclusive, a grande razão do debate entre os especialistas não passava por temas como a velocidade e altura máxima a ser atingida por estes veículos, mas em como governos e empresas devem organizar o espaço aéreo de forma a possibilitar que não se repita nos céus aquilo que se vê hoje na terra.

A tecnologia, pelo menos por agora, é pensada por humanos, para humanos.

O B9 foi convidado a cobrir o Connected Smart Cities e o Connected Smart Mobility pela Enel X.

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