Depois de ação da PF, uso de bots a favor de Bolsonaro sofre queda de 40%

Média de publicações no Twitter por contas ligadas à rede de desinformação caiu para 10% do uso desde a ação de busca e apreensão a alguns dos principais nomes do bolsonarismo

por Pedro Strazza

Na última quarta-feira (27) a Polícia Federal realizou uma ação de busca e apreensão nos domicílios de 29 nomes da “tropa digital” do atual presidente do país Jair Bolsonaro. Cumprindo uma ordem emitida pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, a operação se relaciona ao inquérito das fake news, criado para investigar ofensas e ataques digitais contra membros do órgão, e atingiu sobretudo alguns dos principais empresários e ativistas a favor do chefe do executivo, incluindo aí o ex-deputado Roberto Jefferson, o dono da rede de lojas Havan Luciano Hang e o apresentador do canal Terça Livre Allan dos Santos.

Resultados ainda estão para serem divulgados ao público, mas a ação já impactou um dos principais braços do bolsonarismo: os bots e perfis alugados para publicar a favor do presidente nas redes sociais. De acordo com uma pesquisa da consultoria AP Exata divulgado pela Folha de São Paulo, a utilização destas contas caiu em 40,8% em relação aos picos atingidos no passado, com a média de publicações no Twitter sofrendo uma queda para o nível de 14% a 10%.

O baque tomado pela rede de bots é apontado pela consultoria como fruto direto da ação do STF, dado que a rede artificial de disseminação de desinformações começou a passar pelo processo a partir do momento que a Polícia Federal executou a ordem do ministro Alexandre de Moraes. De acordo com a AP Exata, caso a desmobilização seja confirmada, o movimento a favor de Bolsonaro deve perder muita força nas redes sociais, sofrendo especialmente para impor qualquer narrativa derivada do meio virtual.

Isso talvez explique porque desde quarta alguns dos principais nomes a favor do presidente vem mobilizando uma “ofensiva virtual” ao STF, com direito a live no YouTube capitaneada por líderes como Olavo de Carvalho e Eduardo Bolsonaro. As menções a Jair Bolsonaro no Twitter, entretanto, seguem sendo dominadas por opiniões negativas, com 53% dos posts na plataforma criticando ou falando mal do atual presidente.

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