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Ao contrário do proposto, documentos apontam que armazéns automatizados da Amazon causam mais acidentes

De acordo com o relatório, a taxa geral de ferimentos graves por 100 funcionários foi 33% maior do que em 2016 e quase o dobro do padrão mais recente da indústria

por Soraia Alves

A Amazon sempre faz muita propaganda de seus armazéns automatizados e, em especial, a empresa afirma que o sistema ajuda a reduzir acidentes de trabalho. Porém, de acordo com documentos internos da empresa obtidos pelo Reveal do Center for Investigative Reporting, na verdade os armazéns automatizados têm taxas de acidentes mais altas do que os depósitos comuns.

Aparentemente, os robôs dos depósitos da Amazon são realmente muito eficientes, tão eficientes que exigem que os trabalhadores humanos façam movimentos repetitivos muito mais vezes, o que tem causado mais lesões e problemas de saúde nos profissionais. Um exemplo é o que tem acontecido com os trabalhadores que digitalizam itens. De acordo com o relatório, esses profissionais tiveram suas cotas aumentadas de cerca de 100 itens por hora para 400 itens por hora. Esse aumento obriga, então, os profissionais a trabalharem 4 vezes mais que antes.

O relatório mostra que as taxas de lesões estão altas e consideradas anormais em todos os setores dos depósitos, mesmo em comparação com armazéns semelhantes administrados por outras empresas. Ao todo, foram contabilizados 14 mil ferimentos graves em 2019 (que exigem dias de folga ou restrições de trabalho). “A taxa geral de ferimentos graves por 100 funcionários foi 33% maior do que em 2016 e quase o dobro do padrão mais recente da indústria”, diz o relatório.

Em resposta ao artigo do Reveal, a Amazon disse que “o uso de robótica, automação e tecnologia em nossos centros de distribuição está melhorando nosso ambiente de trabalho, tornando as tarefas mais seguras e eficientes”. A empresa ainda garante que tem seguido medidas específicas recomendadas pela Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) para ajudar a reduzir o risco de lesões. Entre as medidas estariam uma pausa extra para descanso e uma maior rotação de trabalhadores durante o dia. Mas o que os documentos mostram é que ou as medidas não foram amplamente implementadas ou não são exatamente eficazes, já que as taxas de lesões continuaram a aumentar.

Os documentos ainda mostram que as taxas de lesões dispararam em datas específicas como o Prime Day e a Cyber ​​Monday de 2019, contabilizando “a maior taxa de lesões graves em todo o ano de 2019”.

O relatório do Reveal segue uma investigação que começou em novembro, que afirma que a Amazon tentou se esquivar dos reguladores de segurança de trabalho durante anos. As práticas de segurança em armazéns da empresa também foram alvo de denúncias este ano, à medida que os casos de trabalhadores contaminados com Covid-19 só aumentavam nos depósitos. Foi reportado que 8 profissionais morreram de Covid-19, mas a Amazon se recusou a dizer quantos trabalhadores de seus armazéns contraíram a doença.

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