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Singapura é o primeiro país a permitir venda de carne criada em laboratório

Distribuição será restrita a um restaurante por enquanto, porém, com a startup Eat Just querendo baratear os custos de produção do alimento

por Pedro Strazza

Singapura esta semana se tornou o primeiro país do mundo a aprovar a comercialização de carne criada em laboratório. Órgão nacional responsável pela regularização de alimentos, a Singapore Food Agency autorizou na quarta (2) que a startup estadunidense Eat Just venda unidades de pedaços de frango (ou “chicken bites”) que contam com carne de galinha artificial.

À NBC News, o CEO da empresa Josh Tetrick comenta que a distribuição do item deve ser bem tímida a princípio, porém, com apenas um restaurante tendo acesso ao lanche. “Nós vamos começar com um único estabelecimento e depois ampliar para cinco, dez, quinze e eventualmente introduzi-lo ao varejo.” diz o executivo, o qual justifica a decisão comentando a infraestrutura delicada para fabricação apropriada do alimento.

O processo de fabricação no caso envolve a extração de células-tronco de músculos ou gorduras de carnes verdadeiras para o “cultivo” em soluções que alimentem seu crescimento, o qual é apoiado por biorreatores. O processo é todo muito caro, mas a startup vem buscando baratear a fabricação para chegar a um valor de cobrança similar ao de uma carne de qualidade premium do mercado – o que justifica também a estratégia de lançar aos poucos o produto aprovado no país.

Além de nenhum antibiótico ser utilizado no procedimento, a Eat Just também declara que suas carnes artificiais são ricas em proteína e podem auxiliar na redução de problemas ambientais decorrentes da criação fordiana de animais para o abate.

A decisão certamente incentiva o mercado em torno da área no sudeste asiático, conforme a Eat Just passou os últimos dois anos trabalhando junto do governo de Singapura para conseguir a autorização. Mas como aconteceu recentemente com as carnes à base de plantas, o desafio agora é conseguir a regulação do mercado nos Estados Unidos, que analisa o caso desde 2019 e conta com forte oposição das companhias veteranas do mercado.

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