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Imagem: Gabriel Reis

Escolha de Monja Coen como “embaixadora da moderação” para Ambev gera polêmica nas redes sociais

Público define como hipocrisia a parceria, que busca "promover o equilíbrio e a moderação" sem ligar o nome da monja a qualquer produto

por Pedro Strazza

Um dos principais nomes ligados ao budismo no Brasil, a Monja Coen agora também é embaixadora da moderação. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (12) pela Ambev, que também confirmou que a monja irá ajudar a cervejaria a falar sobre “limites e autoconhecimento” enquanto promove a saúde e os limites do corpo sem abordar qualquer um dos produtos da companhia.

Ao Uol, a marca escreve que a parceria “quer estimular o consumo responsável por meio do autoconhecimento”, algo que em seu julgamento é chave para a moderação, e declara que tanto a cervejaria quanto Coen possuem em comum o objetivo de “promover o equilíbrio e a moderação, tão necessários ao momento atual”.

Apesar das boas intenções – e do fato de Coen ter confirmado a parceria há uma semana em live no seu perfil de Instagram, segundo o Hypeness – o anúncio não foi bem recebido pelo público nas redes sociais. No Twitter e no Instagram, usuários não demoraram a apontar como absurdo e fazer piada com o fato de uma monja, pessoa dedicada a alcançar e ajudar outros a encontrarem paz e equilíbrio, concordar em criar laços com uma fabricante de cerveja, um tipo de bebida que hoje é considerado uma droga depressora – ou seja, pode levar ao vício e desestabilizar o usuário.

“Não me parece que a Ambev esteja preocupada com moderação, autoconhecimento, e muito menos com equilíbrio na hora de consumir seus produtos já que avança em vários nichos do mercado” escreve a antropóloga Hilaine Yaccoub em publicação para seu perfil de Instagram. Doutora em antropologia do consumo, Yaccoub ainda lembra que a companhia já é responsável por 20% do faturamento de cervejas e planeja investimentos em expansões para outras áreas do setor, incluindo vinhos e gin. “Daqui a pouco podemos ter padres sendo embaixadores de Rivotril! Será?” ironiza, ao lembrar que o consumo global de álcool cresceu no último ano por conta da pandemia.

Procurada pelo Hypeness, a Ambev escreve que “o intuito desse projeto nunca foi vincular a imagem da monja com algum produto nosso ou incentivar o consumo” e comenta que o ponto é “falar sobre consumo responsável através do autoconhecimento, que é chave pra moderação”. A companhia ainda cita a meta firmada em 2020 para ajudar 2,5 milhões de brasileiros a reduzirem o consumo excessivo de álcool até o ano que vem e reforça que possui um “objetivo em comum” com Coen.

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