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Imagem: Divulgação

Provedor de internet na Coréia do Sul processa Netflix por excesso de tráfego com “Round 6”

SK Broadband busca compensação da companhia pelos custos extras de suporte e manutenção da rede na hora de permitir que público maratone suas séries

por Pedro Strazza

“Round 6” é o grande hit do momento na Netflix, arriscando inclusive ser o maior sucesso até o momento da plataforma. A minissérie sul-coreana de surpresa liderou a audiência de todos os mercados importantes da companhia e há uma semana monopoliza as atenções no noticiário cultural por seu desempenho impressionante. Mas enquanto muito acionista e executivo do serviço deve estar pulando de alegria, há quem esteja irritado com a produção – e nesse caso a situação parece ir além do público que não curtiu os nove episódios.

De acordo com a Reuters, a provedora de internet sul-coreana SK Broadband nesta sexta-feira (1) entrou com processo contra a Netflix na justiça do país, pedindo pagamentos pelos custos extras da companhia para dar conta do excesso de tráfego de internet (e dos pedidos de manutenção envolvidos) gerado pela plataforma. No documento submetido à corte, a SK escreve que o tráfego de dados criado pelo streaming da empresa se multiplicou 24 vezes em relação a maio de 2018, chegando a 1,2 trilhão de bits processados por segundo no último mês de setembro graças à intensa procura do público por séries como “D.P.” e “Round 6” – e considerando que este último no momento segue liderando o top 10 da Netflix na Coréia, não é difícil imaginar que a produção foi a gota d’água.

A autora do processo ainda comenta que a Netflix desde 2018 paga pelo uso de seus serviços e tem uma linha inteira dedicada a entregar a banda larga necessária para entregar o nível de dados necessário para processar vídeos em alta definição no país, no Japão e em Hong Kong. De acordo com as estimativas do provedor, só pelos danos gerados em 2020 a plataforma estaria devendo 22,9 milhões de dólares.

O caso acontece pouco tempo depois de uma corte em Seoul decreta que a Netflix deveria retornar um valor “razoável” a provedores de internet por conta do uso de rede gerado por seu serviço. O streaming hoje é ao lado do YouTube a plataforma que mais gasta banda larga no país, mas ambos são os únicos que não pagam uma taxa a provedores por isso – no processo a SK inclusive cita que Facebook, Apple e Amazon pagam pelo excesso de tráfego gerado.

Enquanto a Netflix respondeu ao processo dizendo que vai avaliar as queixas, buscar diálogo e explorar formas de trabalhar com a provedora para garantir que clientes não sejam afetados, o processo da SK Broadband levanta a bola sobre a participação do streaming em levar ao limite o consumo de dados da internet. Ainda de acordo com a Reuters, do tráfego online gerado pelos 10 maiores sítios na Coréia do Sul hoje, cerca de 78,5% pertence a provedores de conteúdo estrangeiro – e a tendência é só aumentar.

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