Rússia investiga Netflix por conteúdo LGBTQIA+
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Imagem: Divulgação

Rússia investiga Netflix por conteúdo LGBTQIA+

Denúncia de comissária pública de proteção das famílias diz que plataforma violou regras nacionais ao classificar produções do tipo como adequadas para maiores de 16 anos, ao invés dos obrigatórios 18 anos

por Pedro Strazza

O governo russo está investigando a Netflix para definir se o conteúdo LGBTQIA+ do catálogo da plataforma violou ou não as leis do país. A informação vem da Reuters, que diz que os trabalhos acontecem após a comissária pública de proteção das famílias do país, Olga Baranets, acusar a companhia de emitir “propaganda gay” para jovens no território.

Na denúncia ao Ministério do Interior, Baranets escreve que alguns conteúdos da Netflix com temas LGBTQIA+ teriam sido classificados como adequados para maiores de 16 anos, o que no caso seria um problema dado que a Rússia atualmente proíbe a distribuição de produções que propaguem “relações sexuais não tradicionais” entre o público menor de 18 anos. Caso a investigação ateste a acusação, o serviço pode receber uma multa de 73 mil reais (o equivalente a um milhão de rublos russos) e ter a licença de atuação temporariamente suspensa no território.

De acordo com o jornal russo Vedomosti, a investigação acontece em meio a um movimento geral do governo de regular e até banir plataformas de streaming que tenham filmes e séries com as ditas relações não tradicionais da lei, incluindo “deturpações” do sexo que colocam produções como “Cinquenta Tons de Cinza” e “Billions” no pacote de “proibidões”. Mais interessante é que fontes da Netflix afirmam ao veículo que a companhia não localizou qualquer conteúdo LGBTQIA+ que foi recomendado para maiores de 16 anos durante uma avaliação no começo deste mês, o que torna as “denúncias” da comissária um tanto inesperadas.

Além da marcação cerrada no streaming, a Rússia também anda mais atenta com a área de tecnologia como um todo, tendo essa semana declarado que empresas como a Apple, Meta, Google e TikTok devem estabelecer uma presença oficial no país até o fim do ano se quiserem continuar a atuar na região.

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