Disney+ remove episódio de "Os Simpsons" no catálogo de Hong Kong
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Imagem: Divulgação

Disney+ remove episódio de “Os Simpsons” no catálogo de Hong Kong

Decisão parece ter partido da própria Disney, dado que capítulo faz crítica direta ao massacre da Praça da Paz Celestial em 1989

por Pedro Strazza

A Disney este mês debutou o Disney+ em diversos países asiáticos, mas em Hong Kong não foram todos os conteúdos da plataforma que chegaram intactos ao país. No último fim de semana, diversos usuários da região notaram que um dos episódios de “Os Simpsons” não encontra-se disponível no serviço, justamente aquele que faz uma crítica direta à história da China.

O capítulo em questão é o 12° da 16° temporada, exibido em 2005 e que mostra a viagem da família de protagonistas ao território chinês. Batizado de “Goo Goo Gai Pan”, o capítulo tem como grande chamariz o momento em que os Simpsons se deparam com uma placa na Praça da Paz Celestial que faz piada com o massacre de 1989 ao dizer que “Neste local, em 1989, nada aconteceu” – uma crítica direta aos censores do país e o apagamento dos protestos locais. Uma visita ao túmulo do ex-presidente Mao Zedong e uma menção visual à fileira de tanques da foto icônica do massacre também aparecem no capítulo.

Embora ninguém tenha confirmado, a disposição dos elementos indica que o episódio não passou pelos censores chineses por ironicamente fazer menção ao massacre da Praça da Paz Celestial com a piada, ainda mais dado que o governo não permite qualquer menção ao evento. O ponto de interesse é que, conforme nenhuma decisão oficial tenha sido divulgada, a decisão da remoção parece ter partido da própria Disney, o que o Hollywood Reporter aponta como uma manobra inédita de uma companhia estadunidense de audiovisual no país.

Ajuda muito nessa hora que Hong Kong desde o mês passado conta com uma lei que proíbe a exibição ou distribuição de qualquer material que critique diretamente a soberania da China, com direito a multa de US$ 130 mil dólares e três anos de prisão. A Disney deve ser só a primeira companhia a “evitar conflito” na região em torno de seu serviço de streaming.

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