SxSW 2015: Criando os novos sucessos da televisão

Diretores de “Uma Aventura LEGO” revelam a transformação do processo criativo para TV

por Carlos Merigo

A televisão exerce papel marcante no SxSW. Campanhas de séries aparecem por toda Austin, em ônibus, pedicabs, outdoors e eventos especiais montados por canais como A&E, Showtime, HBO, ABC e NatGeo.

No conteúdo do festival essa influência também é clara, com muitos produtores, roteiristas e criadores participando de seminários. É um cenário bem diferente de anos atrás, como lembrou Christopher Miller no painel “Creating the Shows That We Like”, quando o glamour e o hype eram quase exclusivos do cinema.

Ao lado de Miller, estava Phil Lord, seu parceiro de longa data. A dupla é considerada o novo toque de Midas da comédia. No cinema emplacaram sucessos como a animação “Tá Chovendo Hambúrguer” e o excelente filme “21 Jump Street”, ambos com sequências que sobreviveram ao hype. Além, é claro, de “LEGO Movie”, o grande esnobado do Oscar neste ano.

Miller e Lord são produtores executivos e diretores da nova comédia da Fox, “Last Man On Earth”, criada e interpretada por Will Forte, que também participou do painel. John Ridley, produtor e roteirista de “12 Anos de Escravidão” e do novo drama da ABC, “American Crime”, completou a mesa.

Todos foram taxativos ao comentar a evolução da mídia, revelando que certamente não teriam trabalho hoje sem a nova concorrência que as grandes emissoras estão enfrentando.

Com o sucesso de apostas feitas pela HBO, AMC, Showtime e Netflix, os canais abertos estão dispostos a arriscar mais. É a fórmula feita pela HBO desde a década de 1990: Pagar o preço de uma audiência de nicho em troca de prestígio e hype.

Christopher Miller lembrou ainda que algumas histórias só poderiam acontecer na televisão. Pense em “Game of Thrones”, com seus inúmeras narrativas e centenas de personagens. No cinema, isso seria muito reduzido, incapaz de causar tanto impacto na audiência quanto uma trama contada passo a passo.

A mudança na exigência de longos contratos e temporadas também ajudou para que ideias ousadas saíssem do papel. Phil Lord revelou que “Last Man On Earth” foi criada tendo o fracasso em vista.

Ele não está sendo humilde ao dizer isso. É apenas encarar com naturalidade que algo pode não dar certo, fazer como os independentes sempre fizeram. Um pensamento que parece mais claro do que nunca, mas antes ninguém venderia uma ideia pra Fox, CBS, ABC ou NBC com esse discurso. Todas sonham com o sucesso garantido.

Falando em fracasso, Lord respondeu uma pergunta do público sobre como alcançaram o sucesso. Simples:

Falhando durante 10 anos seguidos”

No início da carreira, Miller e Lord propunham dez novas séries por semana, na tentativa de propositalmente gerar hits. Apenas quando decidiram focar em uma ou duas ideias que realmente acreditavam, pensando em qualidade e não em sucesso, é que emplacaram as primeiras produções.

Respondendo também uma questão da audiência, John Ridley disse que os novos criativos devem acreditar na força da comunidade para não ficar à mercê da engrenagem de Hollywood. Produções de cinema e TV são essencialmente trabalho em equipe. Quando unidos, cineastas independentes conseguem de fato furar o bloqueio do mainstream.

Antes do fim do painel, Will Forte cantou a música que lhe deu um emprego no Saturday Night Live:

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