B9 Entrevista: Catherine Winder, produtora do filme “Angry Birds”

Executiva conta como é transformar a franquia de jogos já baixada 2,8 bilhões de vezes em uma nova propriedade intelectual nos cinemas

por Rafael Silva

“Angry Birds” é uma franquia de jogos que já angaria números enormes. Desde 2009 os títulos em conjunto já foram baixados mais de 2,8 bilhões de vezes, 170 milhões de pessoas no mundo jogam algum dos games todo mês e no YouTube, a série de TV criada em torno dos pássaros nervosos já ultrapassou 4 bilhões de visualizações.

Então é natural que o próximo passo da Rovio, a criadora do jogo, seja trazê-lo para a telona. E foi o que aconteceu no ano passado, quando “Angry Birds”, o filme, começou a ser produzido. A direção do filme ficou com Clay Kaytis e Fergal Reilly, que já dirigiram diversas animações de sucesso no passado. E no comando do roteiro está Jon Vitti, que também já esteve envolvido em “The Office”, “Os Simpsons” e “King of The Hill”, então a veia cômica vai ser bem forte no longa.

O filme conta a história de Red, um pássaro nervoso que precisa passar por uma terapia de controle de raiva. Durante essa terapia ele acaba conhecendo outros pássaros igualmente nervosos. E quando ele está fazendo algum progresso, visitantes inesperados aparecem na ilha onde os pássaros moram.

Para saber mais sobre a quantas anda o filme, entrevistamos a produtora Catherine Winder quando ela veio no Brasil há algumas semanas para divulgar potenciais oportunidades de marketing a empresas no Brasil.

Angry Birds

Angry Birds

Rafael Silva: Esse não é o primeiro longa-metragem que você trabalha. Quais são os desafios envolvidos em produzir um longa-metragem do tamanho de Angry Birds?

Catherine Windeer: Ter certeza que sua história é ótima. A parte mais importante é que você tenha uma história fantástica e personagens instigantes, com os quais as pessoas vão conseguir se identificar. Quando você está preparando um filme, você precisa ter certeza de que está dando a ele tempo o bastante para ser desenvolvido e ser alterado e criar uma história que seja boa. Só depois vamos para o lado da produção, pois quando essa parte começar, se não estiver funcionando aí sim se transforma em um desafio. No caso de Angry Birds, todos os lados foram até agora bem fortes então não tivemos um desafio ainda, então tivemos sorte.

RS: Você já trabalhou também em projetos pequenos e outros para TV. Qual a influencia de ter um orçamento grande pode ter no seu trabalho?

CW: Bom, Angry Birds tem um grande orçamento mas comparado com os nossos competidores, ele tem bem menos. Mas eu não acho que isso importa, no nosso caso temos todos os recursos que precisamos para fazer esse filme de uma forma fantástica. E ter o tipo de investimento que temos nesse filme nos permite fazer alterações e melhorias, nos dá liberdade de sermos criativos, dentro de certos parâmetros. Temos que gerenciar quanto de dinheiro e tempo é direcionado a certas áreas. Como produtora, temos que entender onde é importante gastar e onde não é.

RS: Quais são algumas áreas que você acha muito importante investir?

CW: Acho que é muito importante investir na história e dar a ela bastante tempo. Quando você está começando uma propriedade intelectual dessas, fazendo a transição de bolas redondas que pulam para esses personagens bem concebidos, é preciso ter tempo para encontrar a aparência ideal para eles. E o que era mais importante para a gente era desenvolver esses personagens de uma forma que fosse surpreender todos, que eles sentissem que essa era a maneira certa de transformá-los em 3D.

Quando você está começando uma propriedade intelectual dessas, fazendo a transição de bolas redondas que pulam para esses personagens bem concebidos, é preciso ter tempo para encontrar a aparência ideal para eles.”

Por isso procuramos os mais talentosos do mundo. Nós contratamos a Francesca Natale, foi ela que criou esses designs. E tínhamos muitas, muitas pessoas testando designs, para ter certeza de que tínhamos a ideia certa, e acabamos gostando mais dos designs dela. Então gastamos bastante tempo nos certificando de que cada pena estava perfeita, que a aparência se destacasse e que funcionava em animação e com comédia. Então teste e planejamento são áreas importantes também.

Angry Birds

RS: Em Angry Birds, você e John Cohen são os dois co-produtores e vocês já trabalharam juntos no passado, certo?

CW: Sim!

RS: Como essa relação ajudou na produção do filme? Vocês concordam com tudo ou ficam discutindo cada pequeno detalhe até que um convença o outro da sua ideia?

CW: (Risos) John e eu temos uma ótima relação. Ele e eu temos habilidades que complementam um ao outro. E nós dois somos responsáveis por todo o filme, mas nós focamos em áreas diferentes. Algumas vezes vamos sim debater coisas um o outro, ao ponto de precisarmos ligar um para o outro dez vezes ao dia. Eu trabalho em Vancouver e ele fica em Los Angeles, então estamos constantemente comparando ideias, mandando mensagens, sugestões. Eu não conseguiria sem ele. [John] é extraordinário nisso, um gênio criativo e eu tenho muita sorte de tê-lo como parceiro.

RS: Antes de virar um filme, Angry Birds também virou uma série de TV na Finlândia, que depois foi publicada no YouTube para todo mundo ver. Você acha que ter uma série de TV pode confundir o público para o que esperar do filme?

CW: Eu acho que eles são tão distintos que não vai não. A série de TV tem sua aparência própria, é em 2D e voltado para crianças. O filme é para todas as idades, animado em 3D, e vai ser um evento global enorme. Acho que os dois podem viver em seus mundos separados e não devem confundir o público.

Angry Birds

RS: Aproveitando que você levantou esse ponto do filme de ser voltado para um amplo público, não existem muitos filmes que conseguem cumprir a promessa de ser divertido para todas as idades. Você acha que Angry Birds consegue?

CW: O legal dessa propriedade intelectual é que ela já começa sendo direcionado para todas as idades. Eu contei a história do nosso produtor executivo [que tem um pai idoso que adora os jogos] e eu também tenho dois filhos de 12 e 17 anos que amam o jogo, é extraordinário. A parte mais importante nesse aspecto é que o filme foi escrito como uma comédia com coração. E todo mundo ama esse tipo de filme. O grande desafio disso é que você se atenha à sua história, para que ela possa ser apreciada por todo mundo em vários níveis diferentes. O roteiro é tudo.

A parte mais importante nesse aspecto é que o filme foi escrito como uma comédia com coração. E todo mundo ama esse tipo de filme.”

RS: Ainda não tivemos um filme baseado em game que fez um grande sucesso. Angry Birds pode ser o filme que quebra esse paradigma?

CW: Esse é um projeto que envolve paixão. Temos uma equipe incrível trabalhando nele, desde nossos diretores ao nosso diretor de animação Pete Nash, todo mundo envolvido está dando tudo de si. E embora seja baseado em um jogo, não está muito ligado a ele. O jogo vai ser usado como um trampolim para contar uma história. Existem vários personagens no jogo para usarmos mas nós demos a eles mais profundidade, mais personalidade e estamos contando uma história, o que é bem diferente do jogo.

RS: Sobre a dublagem do filme, neste momento já temos confirmados Peter Dinklage, Maya Rudolph e Jason Sudeikis dublando os personagens principais em inglês. Como foi feita essa escolha?

CW: Nossa diretora de casting, Linda Lamontagne, fez um trabalho bem perto da gente, junto com Mikael Hed e David Maisel (produtores executivos) para identificar quem seriam os melhores para cada papel. Um dos personagens, Chuck, é britânico e dublado por Josh Gad, que também fez Olaf em Frozen, então ele, e todos os demais dubladores, trazem bastante personalidade e ajudam a construir os personagens.

Angry Birds

RS: Ok, vou cruzar os dedos para essa pergunta – você pode nos dizer quais serão os dubladores brasileiros?

CW: Não posso! Mas o que posso dizer é que é muito importante que o Brasil e todos os outros territórios recebam o mesmo nível de atenção que damos para os demais territórios [que falam inglês], onde nós realmente focamos em quem é melhor, quem vai trazer melhor personalidade ao personagem. E fizemos o mesmo para o Brasil, não escolhemos qualquer um, estamos dando até mais atenção para a dublagem do que normalmente acontece em filmes. Tudo o que posso dizer é que vocês vão ficar bem animados com a escolha.

RS: Você já trabalhou também em séries animadas bastante famosas no Brasil, como o “Laboratório de Dexter”, “As Meninas Superpoderosas” e, meu preferido, “Swat Cats”. O que você tirou dessa experiência para trazer para a produção de um longa-metragem?

CW: (Risos) Nossa, esses foram bem no começo da minha carreira. O que eu aprendi nessa época foi o quão importante é ser uma comunicadora incisiva. Em todos esses, nós trabalhávamos com equipes internacionais, juntávamos os materiais e o roteiro e enviávamos para algum lugar da Ásia para ser animado e hoje estamos executando um modelo similar com o filme. Nós criamos a visão geral do filme e enviamos para nossos parceiros da Sony para ser animado. E para fazer isso bem, é necessário ter uma visão criativa clara e conseguir comunicar isso também de forma muito clara para o resto da equipe, por que senão as pessoas ficam confusas.

O que eu aprendi nessa época foi o quão importante é ser uma comunicadora incisiva. É necessário ter uma visão criativa clara e conseguir comunicar isso também de forma muito clara para o resto da equipe.”

RS: Última pergunta – Qual o seu título favorito de todos os “Angry Birds”?

CW: Eu amo “Stella”! Obviamente eu adoro o jogo original e agora com o Angry Birds 2, também é bem legal e é importante que eu saiba jogar, mas eu gosto mais do Stella. (Risos) Sou uma garota.

“Angry Birds”, o filme, estreia no dia 12 de maio de 2016 nos EUA e 16 de junho no Brasil.

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