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We Are The World

★ “We Are The World” e a liderança de mentes criativas

O que um videoclipe de 1985 poderia nos ensinar sobre liderança em uma agência de publicidade?

Em parceria com

Domenico

Por Domênico Massareto
CCO da Publicis Brasil e professor do curso de Liderança Criativa da Miami Ad School/ESPM

Muito antes de #somostodosalgumacoisa, o mundo foi apresentado à canção “We Are The World”, composta por Michael Jackson e Lionel Richie, a qual tinha como missão contribuir com a causa USA For Africa e o combate à fome no continente africano. 
O projeto precisava alcançar aceitação, promover engajamento e arrecadar recursos. 


O desafio? Quincy Jones, o produtor musical e maestro do empreendimento, precisaria gerir o ego de 45 dos maiores artistas do planeta da década de 80 e, talvez mais complexo ainda, de seus respectivos empresários. Traduzindo: precisava liderar um projeto criativo com grande pressão por resultados, prazo curto e diversos interesses comerciais envolvidos.

Começo separando os perfis em grupos para que possamos extrair lições de liderança de Quincy Jones.

Stevie Wonder, Tina Turner, Dionne Warwick e Ray Charles

Queridos, existe uma grande diferença entre uma estrela e uma lenda. Esse grupo é do segundo tipo. Talvez você tenha tido a oportunidade de trabalhar com talentos respectivos na publicidade. Aqui estamos falando dos “Hall da Famas”. Dos Serpas, Guanaes, Lews, Laras, Fernandes etc., dos que colocaram o nome na porta de suas agências, os que intimidam o restante da sala com sua simples presença. Qual a lição aqui? Lidere pessoas melhores que você e jamais tema o talento. Alguns destes notáveis talvez nem possuam o perfil de liderança, e ainda que possuíssem, a missão é sua. Toda vez que se sentir inseguro na presença de alguém mais experiente e talentoso, lembre-se do videoclipe, pense que alguém conduziu aquele grupo, respire fundo e siga conduzindo o projeto.

Paul Simon, Billy Joel, Al Jarreau, Kenny Loggins e Daryl Hall

Astros absolutos e incontestavelmente técnicos. E o melhor: fáceis de se trabalhar. Acredite, esse perfil existe na publicidade também. Como lidar com eles? Se você der a sorte de tê-los no seu time, cultive-os. Para eles, tudo, pois são “bons profissionais, com boa conduta”. Esse é o tipo de talento que mantém e propaga a cultura de uma empresa.

Cyndi Lauper, Huey Lewis e Kim Carnes

Esse grupo compensa o que falta em técnica com carisma. Guardem bem essas palavras. E não me entendam mal, são seres humanos fora da curva: todos com milhões vendidos em música, entretanto, são melhores de networking, em aparecer na mídia e virar notícia que teoria dos campos harmônicos. E aqui recordo uma conversa recente que tive com um dono de agência em que me disse:

Minha agência precisa de um rosto e este rosto não é o meu.”

Foi um depoimento corajoso e sincero. E existe um fato aí: por mais que Quincy Jones saiba tudo de música e por mais que ele tenha produzido o álbum mais vendido de todos os tempos (Thriller), o rosto dele não venderia como o do restante da turma. Frequentemente focamos muito nos problemas de hoje, nos aspectos técnicos e práticos, nas entregas, e deixamos alguns conceitos passarem batido. Carisma é um deles. Anote aí: toda empresa precisa desse perfil. E não precisa ser sempre o CEO.

Steve Perry

Ele é o oposto da turma anterior. Ele, inclusive, ajuda o grupo anterior a encontrar a afinação correta para a “ponte” no meio da canção. Infelizmente, ele tem o carisma de um quiabo. Note que carisma não é mandatório. Nem todo profissional quer ou precisa de holofote, alguns preferem os bastidores, trabalham de maneira mais reservada, fogem de reuniões com cliente, mas são uma fonte inesgotável de conhecimento ou energia ou qualquer outro superpoder valioso para a agência. 
O único cuidado aqui é o desenvolvimento de carreira: entender como promovê-los e aumentar suas atribuições, sem aumentar a exposição, para que eles continuem contribuindo com o seu melhor.

Bruce Springsteen

Enquanto todos os astros chegaram em suas suas limusines com seus seguranças, o Bruce veio dirigindo sua picape sozinho e a estacionou numa loja de conveniência que ficava ao lado do estúdio onde iriam gravar. Se você não se lembra dele no clipe, ele é a única pessoa que parece estar se divertindo na gravação, soltando a voz no volume máximo no refrão. O dia a dia de agência pode ser massacrante às vezes e é bastante difícil para o líder manter a leveza o tempo todo. Profissionais com o perfil do Springsteen são importantes pois ajudam a tirar o peso do cotidiano, lembrando a todos (inclusive o líder) que é possível trabalhar sério e “de boas” ao mesmo tempo.

Bob Dylan

Diz a história que Al Jarreau, emocionado, disse para Dylan:

Sou seu fã e estar aqui com você é um sonho que se realiza.”

A resposta do Nobel? Saiu andando sem sequer olhar pra cara do fã famoso. “Bons profissionais, com péssimo comportamento.” Como lidar? Livre-se deles. O mais rápido possível. “Mas eles são bons pra caramba”. Leia o próximo perfil.

Prince

“Mas o Prince não está no clipe.” Pois é. Ele se recusou a participar, pois disse que a música era ruim. Ele é tão bom quanto Dylan e, veja, não acho que ele fez errado. Mentes criativas precisam de propósito. E Vossa Alteza não viu motivo para participar. Simples assim. O líder precisa aceitar que nem todo marujo vai querer entrar no seu barco. E tudo bem. A ausência de Prince não arruinou o projeto.

Willie Nelson e Kenny Rogers

Willie disse para Kenny nos bastidores “Sabe de uma coisa? Deveríamos criar algo assim para ajudar os Estados Unidos…” E assim nasceu o Farm Aid: um projeto para amparar as famílias de fazendeiros americanos. Por que isso importa? Porque essa é a beleza da liderança: se você fizer tudo corretamente, você não acumula seguidores, você cria mais líderes.

Para finalizar uma última história sobre gerir com mão firme: Quincy Jones diz em sua biografia ter assinalado o lugar de todas essas estrelas com fitas adesivas no chão. Parece algo que a professora da pré-escola faria para os seus alunos.

Não queria encorajar a tomada de decisões durante a sessão. Qualquer decisão: onde ficar, que parte cada um cantaria, quando cantar etc. Ao longo dos anos, eu aprendi, da maneira mais difícil, que uma vez que um grupo desse tamanho e estatura se envolve na tomada de decisões, você está em apuros.”

Talvez não seja seu estilo musical favorito, mas é inegável a aceitação do produto final: a canção fácil e viciante desarma crianças e marmanjos até hoje. Também não se pode questionar o sucesso comercial da proposta: mais de US$ 80 milhões arrecadados até este ano. Qual a grande lição de liderança criativa de Quincy Jones? Jamais deixar um objetivo ambicioso, um prazo desumano, egos estelares, agendas diversas e interesses comerciais sufocarem a criatividade.

ESPM

Se você acompanhou cada parágrafo até aqui, já deve ter percebido que liderar um time de criativos envolve habilidades que vão muito além da aprovação de ideias.

Pensando nisso, a Miami Ad School/ESPM criou o Pocket de Liderança Criativa, que é destinado aos donos de agência, diretores de criação e demais profissionais que almejam chegar lá um dia. São nove encontros com um grupo seleto de profissionais que vão compartilhar experiências e direcioná-los para habilidades que um grande líder precisa desenvolver.

As inscrições estão abertas para as unidades do Rio e de São Paulo. Vale a pena conferir: miamiespm.com.br/lideranca-criativa

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