SXSW 2017: Imitação como forma de inovar

Como a China cortou caminho copiando o Ocidente

por Juliana Wallauer / Planejamento na VividBrand

Raymond Chin é CCO da Sapient Nitro, e construiu sua carreira em algumas das melhores agências do mundo: Wieden + Kennedy, JWT, TBWA and Fallon, sempre explorando novas formas de storytelling e criando experiências encantadoras. Na palestra “Copying is God” ele mostrou a jornada dos últimos 10 anos na China, de um mercado que apenas produzia cópias para uma economia inovadora que lança tendências.

A palestra começou com os exemplos cômicos das cópias chinesas de produtos americanos dos anos 90 e a citação de Peter Thiel, no livro “De Zero a Um” de que a forma mais fácil de cópia para a China era reproduzir sem dó tudo o que funcionava no Ocidente e de que isso jamais levaria a qualquer coisa original.

A partir dessa afirmação polêmica, Raymond buscou demonstrar as raízes da cultura da cópia na China. E essa viagem começa em um ponto comum, imitação é aprendizado, é uma das estratégias mais antigas da evolução. Faz parte da nossa educação copiar, mas na China, com a tradição da prática de caligrafia esse comportamento é mais estimulado. Ele também lembrou que nas artes imitar obras antigas é uma forma venerada de homenagem e de aperfeiçoamento.

Mas a jornada começa a ficar realmente divertida quando ele apresenta o conceito de Cópia 2.0, que levou a China à inovação a partir de três pilares:

The Mash up

Essa é a estratégia de pegar tudo o que tem no ocidente e copiar de uma só vez, criando algo completamente novo. E o melhor exemplo disso é o WeChat, uma plataforma inovadora que integra Facebook, Twitter, Snapchat, Pinterest, Waze, Foursquare e PayPal. A plataforma de pagamento mobile do Wechat foi ao ar três anos antes do ApplePay.

Com 4G e smartphones por todo o lado a última tendência entre os jovens na China é transmitir suas vidas 24/7. A partir disso, TMall, a maior loja online do país se apropriou desse comportamento, criando um ecossistema de mini celebridades que ajudam a vender produtos através da sua popularidade. Ao transmitir os momentos mais corriqueiros da sua vida os vloggers ganham presentes, itens comprados pelos fãs, que eles podem converter em créditos.

Copiar e expandir

Xiaomi foi uma das empresas chinesas colocadas no centro da polêmica, ao ser acusada de copiar o design de produtos da Apple. Depois de criar vários produtos similares com features inovadores, a empresa comprou a Segway e compreendendo as necessidades dos jovens transformou completamente o produto. É sobre se apropriar de uma ideia e transformá-la em algo completamente novo.

Roubar o método e não a solução

Por fim, copiando o processo e não o resultado, a Xiaomi foi a primeira a usar câmeras Duo Lens em seus celulares.

O ponto central da conversa foi mostrar que a cópia é só uma etapa do processo de inovação. Uma etapa que permite agilidade, nos tirando do ponto zero e levando ao ponto dos nossos concorrentes, do conhecimento acumulado até o momento, para que a partir daí possamos construir e contribuir com o nosso olhar, o nosso trabalho, a nossa perspectiva. A cópia pode ser um combustível para inovar melhor.

É sobre avançar a raça humana o mais rápido possível. A cópia feita dessa forma é a melhor forma de inovação.

Como mudar então nossa forma de encarar a cópia quando ela acontece? De que maneiras o processo de copiar pode ser visto de forma menos predatória e menos negativa?
A partir da perspectiva de quem copia: Dê credito, reconheça a origem da sua inspiração.

Para quem é copiado: seja generoso, veja o processo como o início de uma conversa, em que ambos podem se beneficiar. Fique lisonjeado, sinta-se honrado pela cópia, é uma forma de reconhecer a excelência do seu trabalho. Podemos aprender muito de outras indústrias que permitem cópia, como por exemplo o meio acadêmico que permite citações, e a indústria de entretenimento. Tenha uma mente colaborativa, convide os creators a fazerem parte, você pode se beneficiar muito de um ambiente de troca e inspiração cruzada.

Esse conteúdo é oferecimento da Apex-Brasil, que divulgará durante o SXSW 2017 a campanha Be Brasil, uma narrativa envolvente que promove um Brasil confiável, inovador, criativo e estratégico no mundo dos negócios. Saiba mais em www.bebrasil.com.br/pt

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