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Agora você pode conferir individualmente cada um dos 2.400 planos de “Garota Exemplar”

Além dele, “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” também passou pelo mesmo tratamento

por Pedro Strazza

É um desejo inato de cinéfilos e estudantes de cinema no geral estudar seus filmes preferidos de seus diretores favoritos a nível molecular, destrinchando cada um dos planos usados pelos cineastas para entender como o cinema deles funciona e age para tornar suas produções memoráveis. Alguns diretores, porém, tendem a dificultar esse processo empregando uma quantidade gigantesca de ângulos para filmar suas cenas, tornando a investigação de sua metodologia um pouco mais extensa.

Um desses cineastas é David Fincher. Responsável por filmes como “Clube da Luta” e “Seven – Os Sete Pecados Capitais”, ele usa uma média de 2.000 planos para contar suas histórias, uma quantidade gigantesca se comparar com a de outros diretores – como Paul Thomas Anderson, que para filmar “Sangue Negro” usou “apenas” 678 planos. Há alguns anos o canal Every Frame a Painting investigou algumas das peculiaridades do cinema do Fincher, incluindo essa necessidade de múltiplos planos na mesma cena.

Mas se a sua ideia é de realmente investigar cada plano usado por Fincher individualmente atrás de sua fórmula mágica, o montador Vashi Nedomansky acaba de facilitar a sua vida. Responsável por ajudar Fincher e sua equipe a fazer a transição do Final Cut 7 para o Adobe Premiere Pro na pós-produção de “Garota Exemplar”, o editor disponibilizou todos os 2.400 planos do filme mais recente do diretor e os 2.964 de sua versão de “Millenium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres” na internet em resolução de 8K. Confira abaixo:

Mas como Nedomansky conseguiu realizar essa tarefa hercúlea? De acordo com o próprio em seu site, ele importou versões inteiras dos dois filmes em um programa chamado da Vinci Resolve – software normalmente aplicado para gradação de cor de produções – e, usando de uma ferramenta chamada Scene Detection, conseguiu dividir todos os planos automaticamente. O único trabalho que ele teve depois disso foi o de remover qualquer quadro que fosse um falso indício de mudança de plano, como fusões ou dissoluções da imagem criados na pós-produção. A metodologia pode ser recriada em qualquer filme, vale acrescentar, incluindo aí o seu filme de interesse para uma análise mais profunda.

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