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Na CCXP, Universal promete trazer o horror de volta a “Jurassic World”

Na CCXP, Universal promete trazer o horror de volta a “Jurassic World”

Prévia do filme exibida no evento traz dinossauros à beira da extinção e trama claustrofóbica

por Pedro Strazza

Diz muito sobre a expectativa da Universal com “Jurassic World: Reino Ameaçado” (antes intitulado equivocadamente com o subtítulo “O Reino Está Ameaçado”) o perfil do painel que a empresa montou para a Comic Con Experience 2017. Se no ano passado o estúdio fez uma passagem discreta pelo evento, exibindo trailers lançados meses antes e preferindo soltar a primeira prévia do seu então aguardado remake de “A Múmia” na internet no dia seguinte à apresentação, na quarta edição desta CCXP sua abordagem com a apresentação no auditório Cinemark foi feita com uma pompa imensa, digna da premiere do primeiro teaser da sequência de seu maior sucesso de bilheteria da década – ainda que no hall da feira ela ainda se mantenha escondida, dando destaque em seu estande apenas à seu canal e seriados de televisão.

O painel desde seus primeiros momentos deu indícios de que seguiria a tendência do gigantismo. Inaugurado como uma orquestra ao vivo que tocou a música que acompanha o logo do estúdio, a “cerimônia” se seguiu com uma vinheta gravada pelo próprio Steven Spielberg, gigante de Hollywood que veio em vídeo dar oi aos brasileiros presentes e apresentar o featurette do filme lançado há poucos dias na rede (e que você confere abaixo); logo em seguida outra vinheta, agora um recado enviado por Chris Pratt para anunciar os grandes convidados da apresentação, o diretor J.A. Bayona e o produtor e diretor do primeiro “Jurassic World” Colin Trevorrow. O público, a pedido do ator murmurando baixinho o tema composto por John Williams para “Jurassic Park”, naturalmente veio abaixo nesta primeira rodadas de momentos metralhados.

Com os convidados à postos no palco, era hora de abrir os trabalhos. O mestre de cerimônias começou a conversa chamando a atenção para a passagem de Bayona pelo hall da feira, feita sob o disfarce de uma fantasia de tiranossauro e com algumas invasões a transmissões ao vivo pontuais, mas depois já emendou perguntando ao diretor qual era a sensação de entrar numa franquia tão estabelecida. O espanhol, notadamente feliz de estar no ambiente (Trevorrow diria depois que a premiere do trailer só aconteceu no Brasil por insistência de “Jota”), fez uma resposta polida, dizendo ser uma “grande honra carregar o legado de grandes filmes”.

Essa questão do legado permaneceu como uma espécie de lema lido nas entrelinhas ao longo da discussão, presente especialmente na questão do terror. Bayona e especialmente Trevorrow, que tomou as rédeas e muitas vezes discursou no painel, pontuaram com bastante veemência que o novo episódio da franquia traria de volta o horror do primeiro “Jurassic Park”, definindo como “aquela sensação de medo que se tem quando se olha um T-Rex de perto”. O produtor inclusive chegou a dizer que “Reino Ameaçado” optaria por uma escalada de ambientes cada vez mais claustrofóbicos ao invés de seguir na crescente de gigantismo característica dos outros episódios, uma característica típica das produções voltadas ao gênero. Outro retorno demarcado são os animais mecatrônicos: segundo os dois cineastas, seria uma forma de ajudar a dar corpo ao temor interpretado pelo elenco no set, junto das músicas que o diretor toca no estúdio enquanto filma com os atores.

Trevorrow – recentemente demitido do comando do episódio IX de “Star Wars” – também discutiu bastante sobre o porquê da escolha de Bayona para a direção. Escolha pessoal sua, “Jota” teria sido contratado pelo cineasta por ser o único capaz de dar vida a cenas específicas do roteiro, combinando muito da sensibilidade e horror (novamente ele) que são características de outros trabalhos seus como “O Orfanato” e “Sete Minutos Depois da Meia-Noite”. O produtor inclusive aproveitou um dos longas anteriores de Bayona para definir “Reino Ameaçado”, chamando o longa de um “O Impossível” com dinossauros em referência à trama do novo filme, que envolve um vulcão em erupção e os animais em perigo de extinção.

É o debate sobre o destino dos dinos nesse “A Era do Gelo” mal disfarçado, diga-se de passagem, que segundo Bayona servirá de tema central à premissa da continuação, e a prévia inaugurada ao final do painel faz questão de demarcar isso. Contando com o retorno do elenco do primeiro “Jurassic World” e de Jeff Goldblum como o matemático Malcolm do original, o filme pelo trailer promete altas doses de megalomania e explosões enquanto os personagens buscam resgatar as criaturas da ilha antes que um vulcão em erupção as destrua – confira acima.

Concluído depois de uma exibição dupla da prévia e uma foto de diretor e produtor com o público do auditório – todos os espectadores trajando um boné distribuído pela organização pouco antes do início da apresentação -, o painel foi devidamente encerrado com uma performance final da orquestra do tema clássico da franquia. Foi um quê de classe que serviu de fecho de ouro tanto à empresa quanto ao evento: se a Universal fez as pazes com o público em uma cerimônia que cumpriu com o que prometeu, a CCXP começou a sua série de apresentações dos estúdios com um verdadeiro pé na porta.

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