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Reagir a tudo nas redes sociais atrapalha experiência do cinema, afirma David Lynch

“A não ser que você seja um poeta, as palavras falharão com você” disse o cineasta sobre a tentação constante do público em escrever o mais rápido possível sobre aquilo que acabou de ver

por Pedro Strazza

Ainda que sempre esteja promovendo revoluções dentro de seu cinema, David Lynch nunca foi exatamente uma pessoa “contemporânea” no que diz a abraçar as redes sociais e outros ambientes e rituais tecnológicos dos dias de hoje. O diretor de obras magníficas como “Cidade dos Sonhos” e “Twin Peaks” já afirmou em entrevistas recentes não ter assistido um filme em cinco anos e que os trailers atuais prejudicam as produções divulgadas, mas esta semana dirigiu suas atenções à relação atual de plataformas virtuais como o Facebook e o Twitter com o cinema durante o Festival da Disrupção, tradicional evento de música, cinema, artes e meditação que o cineasta  organiza junto de sua David Lynch Foundation.

De acordo com o Indiewire, Lynch criticou a necessidade constante das pessoas de expor seus pensamentos nas redes sociais como algo que está atrapalhando a forma pela qual se prestigia a sétima arte. “Você termina um filme estes dias e imediatamente tem esta pressão de escrever sobre ele em suas próprias palavras.” afirmou o diretor, que também comentou sobre como é importante explorar as sensações promovidas por uma obra nos momentos posteriores ao seu fim. Neste sentido, tudo que o ambiente virtual faz é prejudicar esta experiência ao encurta-la, algo que ele resumiu ao afirmar que “A não ser que você seja um poeta, as palavras falharão com você”.

Estas declarações se deram durante uma conversa do diretor com o público promovida pelo festival, uma discussão mediada pelo cineasta Paul Holdengräber onde o próprio Lynch pediu aos espectadores que guardassem seus celulares até que a sessão de perguntas e respostas terminasse. O cineasta também comentou sobre como estes aparelhos impedem que seus usuários experimentem o momento que passam, estando muito mais preocupados em registrar os acontecimentos que exatamente vivê-los – segundo ele, as câmeras “não fotografam o seu interior”, então é melhor relembrar a emoção que assistir depois o vídeo da situação.

Além dos temas contemporâneos, Lynch também discutiu sua relação com o tabaco e voltou a afirmar que seu interesse artístico no momento está na pintura. Entre suas atividades de lazer, o diretor disse que tem assistido alguns programas na TV com certa regularidade: “Eu assisto séries sobre crimes e o canal da Velocity. Eu amo ver pessoas construindo e customizando seus carros” ele declarou no evento. O cineasta não fez nenhum comentário sobre o futuro de “Twin Peaks”, série cujo revival no ano passado foi um grande sucesso de crítica e rendeu até colocação nas listas de melhores filmes do ano de veículos importantes como a Sight & Sound.

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