Pesquisadores apostam em auto-lubrificação para melhorar camisinhas

Novo polímero descoberto por grupo de pesquisa cria uma fina camada de água quando em contato com a pele, o que aumentaria a resistência e melhoraria o manuseio do preservativo

por Pedro Strazza

A camisinha já deixou de ser uma grande novidade do mercado e há tempos está presente no cotidiano das pessoas (ou, pelo menos, daquelas que estão vendo alguma ação), mas isso não quer dizer que ele seja 100% perfeito para todos. Tanto que pesquisadores da Universidade de Boston estão desenvolvendo uma atualização do preservativo que vá resolver alguns problemas menores do preservativo, como diminuir as já baixas chances do aparato ser rompido ou, bem, a aparente dificuldade de se colocar uma camisinha no membro sexual.

A solução encontrada pelo grupo, afinal, passa por uma mudança do tecido usado para a fabricação da camisinha. Financiados com uma bolsa de cem mil dólares oferecida pela Bill & Melinda Gates Foundation, o time desenvolveu um polímero de revestimento capaz de se auto-lubrificar à partir da umidade oferecida pela pele, uma característica que complementaria o látex para resolver todas as suas deficiências. De acordo com o chefe de pesquisa Mark Grinstaff, o tecido quando em contato com a epiderme “cria uma camada fina de água com a superfície, o que o torna lubrificado”.

Soa como algo bobo, mas estes materiais intitulados hidrofílicos de fato podem mudar tudo no mercado. Além de oferecer maior resistência – o grupo declara que o preservativo aguenta quase 1000 “estocadas” antes de secar e arrebentar, um número que facilita com tranquilidade os 500 movimentos de ida e volta de uma sessão de sexo -, uma camisinha com melhor lubrificação pode ajudar a disseminar ainda mais o uso do item de prevenção contra DSTs por oferecer uma maior facilidade de manuseio – algo que inclusive é o principal interesse da fundação dos Gates no projeto. E uma bateria de testes realizada pelos pesquisadores comprova que o tecido tem a preferência do público, conforme 73% dos participantes preferiram o polímero ao aparato normal ou versões sem qualquer lubrificação.

De acordo com o grupo de pesquisa ao Co.Design, o objetivo é lançar o polímero no mercado em algum momento dos próximos dois anos por meio de uma empresa fundada por Grinstaff e a doutora Stacy Chin (que participou do estudo) intitulada HydroGlyde Coatings. Enquanto isso não acontece, o plano é continuar a melhorar e aumentar a resistência do produto que eles já tem, além de testar o uso do polímero para outros tipos de produto.

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