ANTICAST_POST-5

AntiCast 217 – Angoulême e 30 Mulheres Quadrinistas

A polêmica do Festival Francês de Quadrinhos

14.jan.2016

Olá, antidesigners e brainstormers!
Neste programa, Ivan Mizanzuk, Ana Luiza Koehler, Afonso Andrade (organizador do FIQ) e Natania Nogueira (pesquisadora de HQs) conversam sobre a recente polêmica gerada no dia 06 de Janeiro, quando o tradicional festival de quadrinhos de Angoulême lançou sua lista de 30 indicados para o Grande Prêmio da edição, e não havia uma mulher sequer entre eles. O desconforto gerado foi tanto que um terço dos autores indicados desistiu da premiação e os organizadores conseguiram piorar ainda mais a situação após uma série de declarações infelizes.

>> 0h04min45seg Pauta Principal

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Crédito da imagem: Aimee de Jongh

Comente

  • Weslley Tresdê

    ironicamente estava ouvindo o Anticast sobre o Hugo Awards…

  • Lorran Siqueira

    “ain, mas de novo feminismo? ‘tá ficando repetitivo”. pronto, já fui babaca por você pode descansar.

    • PsicoHélder Soúlima

      Concordo.É importante falar e tudo.

      Já se foi o que poderia ser discutido se não fosse tão repetitivo.

    • AllabamaMan

      Tenso, isso pq o último programa com temática “feminista” foi o 211.

    • Jesus Morningstar

      Boa. Daí os reaças não precisam despejar seu chorume aqui. Eles não têm nada relevante a dizer, mesmo.

    • Talvez essa seja a formula do sucesso

    • Cesar Kayanoki

      Eu não achei o podcast feminista.Se tivesse sido feminista ia ser aquela bosta que vimos o ano passado.Aquilo sim, foi uma grande cagada.

      Quando quero rir ouço aqueles podcasts(2015)das feministas que emporcalharam esse site.

    • Jesus_the_first_jedi

      Aguardando a chegada dos Bolsominions

  • Renato Jacques

    Comentei e ainda não escutei.

    • Albert Camus de Aquário

      ué, mas não é pra fazer isso sempre ?

      eu li em algum lugar que esse era o padrão…parei quando chegou numa parte lá sobre as mães alheias…aí eu não gostei e parei de ler, então nem adianta pedir spoiler

      • Renato Jacques

        Só os hereges comentam depois de escutar…

  • Renato Jacques

    Ívan, prepara os tanques para armazenar os litros de chorume que vão escorrer na área de comentários.

    • Renato Jacques

      Só curtiu porque “pronunciei” o nome corretamente!

      • olha.. acho q você tem razão.

        • Renato Jacques

          Eu não me iludo, Ani! Tirando isso, ele só teria curtido se tivesse sido um comentário seu ou do Jared Leto!

  • Malboro Vermelho

    Eita, jaja vem os escrotos reclamar.

    Não sei por que mas colando uma porrada de doido no B9, o comentários da propaganda do boticário tão foda.

  • Jabez Asafe

    Só faltou uma lista no post com as autoras mencionadas.

    • vim aqui procurar isso

      • Guilherme Henrique da Silva

        Também fiquei esperando

  • Fabrizio Tomasini

    Gosto mt dos casts com a Ana Luiza Koehler.

  • Maiara Lizandra

    BITCH PLANET PORRA <3

    • Rebel Rebel Crumbo

      SIIIIIIIM!

  • Adoro quando a Ana Luiza participa :)

  • lbrandz

    Ain, depois que a Sybilla começou a apresentar o Anticast só tem temas feministas? Que bosta!
    Volta Ivão, anticast de várzea.
    não, pera.

  • Albert Camus de Aquário

    Vixi…já teve treta e tá morrendo gente que antes nunca morria…chupa coreano,as coisa tão acontecendo tudo. 2016 Promete !

    nossa…que frase poética

    • Fabio Negro

      “tá morrendo gente que antes nunca morria”

      ..:::ESTÁ PASSANDO EM SEU DISQUS O TIOZÃO DO PAVÊ:::..

  • Albert Camus de Aquário

    Esse pessoal que trabalha no mercado editorial francês…

    Eu não confio neles não, não sei pq, mas não confio ¬¬

  • Rafael Andrade

    ANGU ANGULEM ANGULEME? isso lá é nome de cidade?

  • gostei do tchau carinhoso

  • Pedro Bouça

    Riad Sattouf teve uma obra só? Eu não ouvi isso!

    Ganhou o prêmio René Goscinny em 2003, já levou DOIS fauves d’or em Angoulême (2010 e 2015) e ganhou mais meia dúzia de outros prêmios.

    Isso nas HQs, nem falo dos prêmios César que ganhou pelo primeiro dos seus dois filmes…

    Ele pode ser (relativamente) novo, mas já fez um monte de coisas!

  • tiagocartum

    Infelizmente a única quadrinista q conheço a obra é a Marjane Satrapi ( Persépolis é FODA quadrinho e a animação).
    N tava sabendo dessa treta, mas já vou ouvir pra poder conhecer outros nomes de mulheres no meio, q, infelizmente, ainda é bem raro de ver.

    • tiagocartum

      Estou falando de quadrinistas q escrevem e desenham.
      Desenhistas como Jill Thompson e Pia Guerra também tão forte no merca. E são FODAS

  • Apareci porque tao me enchendo o saco pra obrigar o IIVAUM a voltar com a leitura de comentarios.

    • Malboro Vermelho

      Vamos protestar pela volta dos comentários!!

  • DrunkCharmander

    Fiquei feliz pelo camarada Brian Michael Bendis ter pulado fora como forma de protesto, feliz mesmo. Tenho três volumes aqui assinados por ele e fica a homenagem pela coragem. Precisamos de mais artistas assim.

    • Malboro Vermelho

      Caramba, quando disse assinado por um segundo eu entendi autografado, bateu até uma inveja.

      • DrunkCharmander

        Se ele colar aqui numa CCXP ou FIQ rola :)

  • Tony

    Passo aqui só pra reclamar dos que reclamam antecipadamente da reclamação eminente não concretizada…

  • tiagocartum

    Cade a lista das sugestões de autoras feita durante o cast?

  • Aqualad/Muleque-Piranha

    Milo Manara (este que já foi chamado de “desenhista de punheta” num episodio passado deste podcast) pulou fora

    parece que trabalhar com erotismo não é prerrogativa para ser babaca ou machista…

    http://www.italiaoggi.com.br/not01_0307/20070118Milo_Manara.jpg

    certa vez reclamei q não adiantava ficar reclamando das más representações femininas (ou outra minoria em pauta) e não apresentar as obras que servem como bom exemplo … então parabéns pela abordagem,
    de verdade
    = )

    • Aqualad/Muleque-Piranha

      notei que posso ter sido meio babaca em exaltar a atitude de um autor HOMEM (conhecido por retratar a sensualidade feminina) num tópico que tem por objetivo justamente reclamar a participação das mulheres neste meio.

      então perdão pelo vacilo. (é que eu realmente gosto do trabalho dele,e não entendo o desdém)

  • Panino, o Manino

    Você tem que contribuir com o que puder contribuir não é? Então…

    Rosa de Versailles é fácil de conseguir encontrar.
    A história é boa e o anime do final da década de 1970 foi dirigido pelo famoso Ozamu Dezaki com o traço dos personagens pelo Shingo Araki conhecido por aqui pela mesma função em Cavaleiros do Zodíaco. Quem quiser conhecer o estilo do Dezaki, Rosa serve, mas a série em si é excelente. Todos os episódios são super dramáticos e isso acaba sendo uma qualidade da série, repleta de momentos inesquecíveis.
    Assistam que vale muito a pena.
    Grande clássico.

    E Ivan, mesmo que assiste anime todo dia tem dificuldade em engolir alguns aspectos mais toscos e escrotos de animes e mangás. Não é porque um anime é bom e famoso que ele não tem esses “problemas”, mas tem alguns que são excelentes e dá para ver por qualquer um.
    Não vou citar nenhum que tenha sido feito em estilo mais ocidental porque é trapaça, vou aproveita para recomendar um que estreou esse mês, tem 2 episódios exibidos de um total de 12, “Boku dake ga Inai Machi” (Erased). A qualidade técnica, arte e cinematografia estão inacreditáveis para uma série de TV, estão todos surpresos.
    Dinheiro à parte, essa qualidade não é um acidente. Caso goste do que ver tente “Shin Sekai Yori” (From the New World) do mesmo diretor, uma ficção científica bastante boa para um anime.
    E claro, Shirobako, porque todo mundo tem que assistir Shirobako.

    • Marllbourou Ruéd

      Mesmo vendo muitos animes tenho este problema também, como no caso de Death Note sempre fica algum buraco seja subvalorizando personagens os estereotipando, principalmente as mulheres.

      Lembro do Monster que tem personagens femininas muito legais, ninguém é perfeito, todo mundo tem problemas e tal, mas como quase não existem personagens japoneses o fator cultural não deve marcar tanto e conseguem fugir um pouco.

      Ah, e obrigado pelas sugestões, to indo atrás.

      • Panino, o Manino

        Problemas que eu pensava não eram esses, eram “japonecises” mesmo, coisa esquista e aqueles estereótipos famosos de “animu”.
        É complicado, há barreiras culturais fortes com qualquer coisa vinda do Japão, não só animação. Tem coisas que mesmo depois que você acostumar de ser daquele jeito você ainda não consegue aceitar, mas… ainda dá para aproveitar.
        E esqueci de mencionar, final do anime de Rosa de Versailles tem uma polemiquinha com a Oscar.

  • Rafael Duarte

    Para muitos possivelmente meu comentário será tido como machista ou anti-feminista, e será desconsiderado ou criticado antes de ser analisado, mas ok. Talvez o Ivan e bancada de uns 3 anos atrás pudessem concordar (ao menos parcialmente).

    Aos 38 min entra um papo de que não há porquê dar prêmio pra Frank Miller e cia, que já estão cansados de ganhar prêmio, e que a premiação deve ser uma plataforma de promoção de “novas idéias, de novos autores e novos talentos”, que é um “reflexo do status quo da sociedade”.

    Em primeiro lugar, a adesão aos movimentos de inclusão (ou qualquer outra bandeira) não deveria ser obrigatória. Ideologias devem ser abraçadas voluntariamente.

    Se a instituição que fez o prêmio acha que não deve premiar mulheres, o prêmio é deles e eles fazem o que querem.

    Se terminou de ler a frase anterior sem começar a responder com duas pedras nas mãos, obrigado, e peço um pouco mais de paciência para explicar o meu ponto.

    Terem o direito de serem babacas não significa que eles devam ser babacas, só que fizeram uso desse direito do jeito que achavam mais apropriados. Assim como esse bate papo foi publicado em um canal que conversa com as idéias de feminismo, e divulgam a palavra entre os interessados em ouvir. A mesma coisa faz o nosso querido Charlie Hebdo ou o fofo do Danilo Gentili, algo parecido com o que disse o Sr. Ivan alguns programas atrás, não devem ser proibidos de existirem, e sim devem ser ignorados até que deixem de existir.

    A discussão de idéias é livre, e a compra do meio pela população devido às idéias defendidas, também. Criticar as idéias do outro é uma forma justa e válida (deixando de lado as falácias), e a partir do momento em que não tiver ninguém interessado em pódiums formados apenas por figurinhas repetidas, esse veículo cairá ou se adaptará. Minha aposta é que tem mercado para um prêmio tradicionalista, que nada questiona, como a bela Academia de Cinema Estadunidense que distribui estatuetas do C-3PO para gente branca e é referência na 7a arte, mas quem quiser criar um prêmio só para mulheres também pode.

    • Rafael Duarte

      Como o pessoal do 20 Centavos costuma defender, deixem o mercado se regular.
      As meninas do Mamilos já reconheceram que tem hora que quando tudo é teta, dá mais vontade de assumir um papel passivo e deixar de criticar tudo. Melhor assistir novela e desligar o senso crítico. Não me vejo nesse papel, mas reconheço que deve ser libertador.

      • Fala, Rafael!
        Como falamos no programa, o incômodo geral se deu por dois fatores principais.
        Primeiro, sem dúvida, a ausência de mulheres na lista dos 30 indicados ao GP. Felizmente, o mundo mudou e, hoje em dia, esse tipo de coisa salta aos olhos. Não há argumento que convença que, numa lista de 30 autores, não haveria nenhuma mulher apta a estar lá. De fato, o Ivan de 3 anos atrás talvez não pensasse assim, mas hoje ele entende que prêmios são políticos e que esse tipo de coisa é resultado direto de um modelo de pensamento parado. E ele mudou de opinião sobre o assunto porque aprendeu que “machismo” não é apenas situações em que o homem manda a mulher ficar em casa lavando a louça e dá porrada se ela não aceita. Há pequenas atitudes e pensamentos que já desqualificam uma mulher pelo simples fato de ser mulher. “Quadrinhos não são coisa de mulher”, e coisa do tipo.

        E mesmo que déssemos a carta do “vamos dar uma chance, os caras talvez realmente não estivessem com mindset machista”, vem o segundo fator principal: a resposta dos organizadores, ao dizerem que “não podemos reescrever as histórias dos quadrinhos”. Caramba, historiadores fazem isso o tempo todo, justamente buscando manifestações sociais que vão contra o status quo de uma época, de forma que isso demonstre uma diversidade de pensamento que só se tornaria mais clara com a “evolução” da sociedade. E por conta de termos hoje tantas mulheres reivindicando seu espaço nos diversos ramos da indústria do entretenimento é que não apenas podemos, mas devemos reescrever a história dos quadrinhos, buscando as pioneiras do ramo e atestando a importância das contemporâneas.

        E o fato de 1/3 dos indicados terem desistido do GP mostra que esse tipo de postura veio para ficar. Porque, numa boa, não há justificativa no mundo que convença que, numa lista de 30 autores, o Brian Michael Bendis deve estar presente e a Bechdel não. O impacto desta última no cenário de HQs, especialmente no campo crítico e no teor editorial autoral mais comum na Europa, é muito mais profundo.

        Por fim, vale lembrar o que comentamos ao final: uma premiação desse tamanho impacta diretamente o mercado editorial, especialmente o brasileiro, quando editoras procuram o que publicar no ano seguinte. E o momento em que você compra a HQ na loja é só a etapa final de todo um mercado que já começa praticamente de portas fechadas para mulheres – de novo, apenas pelo fato de serem mulheres. Sim, isso acontece mais frequentemente do que queremos imaginar, infelizmente. Por isso esse debate é sempre necessário.

        E se eles quiserem continuar sendo assim, que sejam. Mas isso não vai isentá-los de críticas (que virão, cada vez com mais força).

        Nos esbarramos pelos corredores da PUC em qualquer momento! =)
        Forte abraço!

        • Rafael Duarte

          Olá Ivan,

          Valeu pelo textão. Que uma honra hehe.

          O que eu quis com o comentário, e acho q falhei na mensagem (desculpe, sou de exatas), não era discordar do core das idéias defendidas, e sim adicionar uma outra vertente à discussão.

          Realmente concordo que de 30 autores, seria interessante haver alguma mulher, embora a única obra citada no cast que me era familiar era Persépolis, e nem sabia que a autoria era feminina. Quando consumia HQ só comprava títulos mainstream, e hoje nem isso, logo não sou o público dessa premiação, que só conheci devido à polêmica. Estou voltando agora a comprar turma da Mônica, para minha filha, o que me fez pensar que para os anti feministas creio que o fato de as próprias garotas não conhecerem a letrista do MSP já pudesse dar uma meia hora de assunto, em ataques às pessoas e à causa defendidas.

          Querer politizar brigando com uma entidade que está querendo ficar fora dessa empreitada é direito de todos (enquanto não houver agressão), afinal a discussão é livre. Assim como também é direito desta entidade ignorar a briga. A partir disso, pode ser que a entidade 1) perceba estar ultrapassada, e mudar, 1.1)repentina ou 1.2)gradualmente, ou 2)se manter como está, e ser mal vista por quem se importe com esses valores, deixando de ser referência, o que abre espaço para a criação e crescimento de instituições que vêm na inclusão como um de seus valores essenciais, tornando o mercado mais heterogêneo.

          Uma ilustração disso pôde ser vista no ano passado, na ocasião da Brazilian Podcasts Battle, que será estudada no futuro, tendo como marco o rompimento de relações diplomáticas entre o mais pop dos Podcasts e a Krakóvia Brasileira, quando o ditador desta abraçou publicamente a causa feminista e de inclusão de minorias, causa até então enxovalhada pelos nos integrantes mais conhecidos da podosfera. Atualmente quem quer desligar o cérebro para questionamentos de gênero, etnia ou classe social pode baixar seu programa favorito dos gordinhos, e quem quer passar raiva com esses assuntos, têm vocês (sim, muitas vezes passo raiva ouvindo vocês, mas isso não é uma crítica… é simplesmente por me forçar a me movimentar para fora de minha zona da conforto). Uma coisa que não vi discutida em nenhum momento é o fato de, embora o pessoal lá não abrace a estas causas, já faz alguns anos que vêm promovendo doação de sangue, cabelo, apreço à ciência e tecnologia e empreendedorismo, o que também são ações e valores que favoreçam à sociedade. Poderiam fazer mais? Certamente. São obrigados a isto? Não.

          Vocês terem cedido o espaço para a Sibila e companhia teve seu mérito para espalhar a palavra? Certamente. Todos têm que fazer igual? Negativo, a não ser que queiram.

          Apenas para deixar claro, caso não tenha sido isso que o texto acima tenha passado: se “A” quer mudança e “B” que continuar igual, “B” pode continuar como está ainda que “A” discorde. “A” pode criar concorrência contra “B” e ambos terão público. Se “B” perceber que fez cagada e perdeu público, ou pode insistir em não mudar até atingir a falência e ostracismo, ou pode mudar tardiamente, perdendo o timing e deixando de ser uma referência e tornando-se um seguidor de tendências. Ou então “A” percebeu que embora acredite ter razão (ou tenha mesmo a razão), o mundo não está nem aí para isso e ninguém dá atenção às suas idéias.

          E finalmente, parece que discordando de tudo o que eu disse, mas apenas complementando, se não tiver essas conversas incômodas ao status quo, não tem mudança ou esta é muito mais lenta. Esperar que quem tem o poder resolva dividí-lo só porque é o certo, não vai acontecer, então por mais ranço que muitas vezes cause as abordagens adotadas, estas são sim fortes agentes de mudança. Talvez seja interessante apenas pensar no “design da mensagem”, se é que isso existe. Consigo escutar por dias às garotas do Mamilos, que fazem uma ponte entre as idéias de diferentes níveis de engajamento, mas os últimos programas da Sibila parei pela metade. Você não consegue ensinar para índios na selva sobre física quântica, se eles não entendem sem que eles conheçam nem matemática básica. O aprendizado gradual é uma forma mais efetiva de criar o conhecimento e reconhecimento da informação.
          Mais uma vez devo ter sido confuso na construção dos argumentos… desculpa mas ainda tenho 31 artigos para resenhar hoje e já tomou bastante tempo.
          Depois te pago um café no Bloco Azul… Abraço.

        • Rafael Duarte

          Ahh, mais pontual:
          1.) Ter falado do Ivan de 3 anos atrás não foi uma forma de agressão. Apenas que aquele cara tinha uma proximidade maior da sociedade do que o Ivan de hoje. Você mudou por opção, mas grande parte da sociedade prefere a outra opção, de ficar na zona de conforto onde nada muda.
          2.) Sobre o quadrinhos coisa de homem, mercadologicamente talvez seja mesmo. Certamente está mudando, mas duvido que uma editora de mercado faça algo diferente antes de ter demanda. Me espanta que os pequenos, que têm menor resistência às mudanças, não o façam. Uma vez que um fanzine feminista estiver vendendo 20k unidades ou 100k acessos, certamente a Marvel vai fazer a Capitã Frida Kahlo. Eu tb sou de 82, e tb era o nerdão que lia X-Men e Homem-Aranha, e nunca nenhuma garota achou isso sexy. Se está mudando hoje, essa discussão talvez seja um passo importante, mas se eu fosse o editor da bagaça, e meu emprego dependesse disso, com pressão de acionista e tal, eu ia apostar no garantido.
          3.) A parte do reescrever as história, acreditam que se forem olhar lá atras vão descobrir alguma quadrinista que criou muito e vendeu pra caramba? Não é minha área (nem história, nem contabilidade do mercado de publicações HQ), mas se não estamos falando do mainstream, devemos estar falando de nicho ou dos ripsters, o que para os grandes pouco importa.
          4.) Eles estavam sim com o mindset machista, mas esse é o mindset da maioria da sociedade, e que eles acreditam ser o do público deles. Os artistas que saíram da premiação têm um mindset claramente diferente (o que é normal para artistas) e creio que esses foram os maiores agentes para a mudança nessa peça. Esta ação sim será percebida pela audiência, que pode começar a se questionar. Quem diria que o Manara, tão criticado pela sua obra em geral e mais recentemente pela capa da Mulher Aranha, seria um agente do feminismo.
          5.) Sou engenheiro de produção, e minhas colegas de turma têm menos conhecimento e apreço às idéias do feminismo do que eu. Não falando que eu sou demais, mas sim destacando que elas, que brigam no mercado da industria, não enxergam as dificuldades que costumam ser discutidas por aqui. Talvez por falta de questionamento (difícil discutir a realidade que nos cerca e que aparentemente sempre existiu), talvez porque a industria não é tão malvada assim, possivelmente pela influência das ações do passado.
          6.) Eu estar discutindo a discussão, e por vezes incomodado com esta, não significa que eu ache que esta não deva existir. Pelo contrário, zona de conforto é das 12:00 as 7:00, dormindo, de resto vamos questionar. Apenas que tem horas que possa ser contra producente pesar demais a mão. Ninguém assiste TV Cultura, milhões assistem ao Big Brother.

          Falhei tentando ser pontual… Mal aê.

  • Jonatas Fróes Pereira

    Programa sensacional!

    Gostaria de contribuir aqui com indicações de três mangás de mulheres mangakás que foram publicados no Brasil recentemente, todos pela Editora JBC.

    O primeiro é Vitamin, da Keiko Suenobu, um volume único indispensável. Ele conta a história de uma colegial que está em um relacionamento abusivo com seu namorado e é flagrada sendo estuprada por ele dentro da escola. Não bastasse a situação horrorosa, vira chacota entre os colegas e é humilhada constantemente até que entra em depressão profunda. A história é pesadíssima e extremamente realista, sendo fundamental para discussões sobre o tema. Inclusive, ainda está nas bancas!

    O segundo chama-se Limit, e também é da Keiko Suenobu, uma série curta em 6 volumes que aborda o relacionamento humano de 5 colegiais que sobrevivem à um severo acidente de ônibus durante uma excursão escolar que mata toda a sala. A construção dos personagens é muito boa e a história conta com boas doses de plot twists.

    O último, e não menos importante, é Thermae Romae da Mari Yamazaki, também publicado em 6 volumes. É uma comédia histórica que se passa na Roma antiga, na qual um arquiteto falido e desolado afunda em uma piscina termal para refrescar sua cabeça, mas quando submerge se encontra no Japão atual. O roteiro é muito louco e viciante!

    Fora isso, não podemos esquecer da Naoko Takeuchi, criadora de Sailor Moon, que é uma das grandes responsáveis pela popularização dos mangás fora do Japão.

  • Wylma Rocha

    Preparei uma lista com algumas autoras cujo trabalho já conheço há um um tempo e que possuem obras publicadas por editas brasileiras (Nemo, Cia dos quadrinhos, Intrínseca e Zaraba). Espero que curtam a leitura.

    Céline Fraipont – O Muro / Bianca Pinheiro – Bear/ Fefê Torquato – Gata Garota/
    Belle Yang – Adeus Tristeza / Marjani Satrapi – Persepolis / Carol Cunha – Dandelion / Ana Flávia – We Pet / Cynthia B., Samanta Flôor, Germana Viana, Cátia Ana e Camila Torrano – Spam.

  • Steph

    Me dói só de pensar que coisas assim ainda acontecem. Nos últimos anos, as pesquisas mostram que o número de mulheres no mercado de trabalho vem aumentando, mas a verdade é que elas sempre estivera, lá, nas mais diversas áreas. Como um grande festival pode simplesmente ignorar uma coisa dessas? Acho louvável que alguns quadrinistas indicados na lista citada tenham retirado seus nomes, porque acho que não há mérito nenhum numa “competição” que é claramente tão desigual.

    Por último, só pra citar nomes, gostaria de indicar as obras da quadrinista japonesa Ai Yazawa. Acho que, no geral, ela trabalha muito bem seus personagens. Ela escreve mulheres fortes, mulheres frágeis, homens frios, homens sensíveis, todos de maneira não estereotipada, na minha opinião. :)

    Muito obrigada pelo ótimo programa.

  • Felipe Fiorito Mancini

    Um dos mangas mais populares e obrigatório para qualquer amante de anime/manga é da autora Hiromu Arakawa. Seu mangá de renome é o Fullmetal Alchemist,