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Não foi de propósito

Imagine que você tem o poder de ter ideias que tornam o mundo um lugar melhor

27.jan.2016

Não foi de propósito que fizemos aquela piada. Não foi de propósito que o comercial objetificou uma mulher. Não foi de propósito que aprovamos aquela peça racista ou reprovamos aquela peça que tinha um negro. Não foi de propósito que contratamos menos mulheres. Não foi de propósito.

Nunca é. É porque estamos desatentos. É porque não temos tempo para aprender as sutilezas do que é ofensivo e nocivo. É porque sempre foi de um jeito e de repente tudo mudou. Não acompanhamos. Não percebemos.

Mas e se a gente começasse a fazer as coisas de propósito? E se começássemos a fazer as coisas COM propósito?

Eu conheço bem poucos publicitários felizes com os seus trabalhos. Principalmente os que trabalham em agências. Todo mundo que eu conheço gostaria de largar tudo e ir morar numa fazenda, viver da sua música/fotografia/arte/comida, trabalhar viajando o mundo ou qualquer outra matéria descolada sobre coisas que ex-publicitários fazem.

Sabe o que parece que está faltando pra galera? Propósito.

E eu vou contar um segredo: você não precisa largar o emprego para encontrar o seu.

Imagine que você tem o poder de ter ideias que tornam o mundo um lugar melhor, a estrutura para fazê-las acontecer e o acesso a marcas ávidas por ideias que tornam o mundo um lugar melhor – porque é isso que os consumidores esperam das marcas hoje em dia.

Você não precisa largar o emprego para encontrar o seu propósito

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Se você trabalha em uma agência, seja ela grande ou pequena, seja você um diretor ou um estagiário, você tem esse poder na mão. Se trabalha no marketing de uma empresa, pode cobrar ideias com propósito da sua agência.

Claro, ter ideias com propósito envolve muitas vezes romper com códigos da categoria. Digamos que você trabalhe para produtos de limpeza e resolva nunca levar ou aprovar uma proposta que mostre a mulher como única responsável pela casa. Ou digamos que você trabalhe para uma marca de cerveja e resolva nunca apelar para a mulher-objeto. Pode ser também que o briefing já veio com uma ideia muito nociva para a sociedade e você se recuse a fazer o job e explique que isso vai contra os seus princípios.

Vai dar um certo trabalho convencer as pessoas ao seu redor. Vai gerar um atrito. Vai ter um desgaste, sim. Mas prometo que é bem menos desgastante do que largar tudo e ir morar no interior, montar um food truck ou viver em uma ilha deserta. A não ser que alguma dessas coisas seja realmente o seu propósito na vida. Se for, vai fundo!

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  • Luccas Forta Vassoler

    Me irrita mais uma pessoa que diz que fez sem querer do que uma que diz que fez de proposito.

    Torne o mundo pior, se essa for a sua intenção, mas faça-o conscientemente. Porque, ao menos, saberemos que você é capaz de produzir algo.
    Faça seguindo seus critérios e aguente a pancada depois.

    Uma pessoa que se esconde atrás do famoso “o mundo está ficando chato” é simplesmente covarde demais para aguentar o baque de uma reação mais que previsível. As marcas hoje, mais do que nunca, procuram identidade. Dê isso a ela.

    A marca quer ser lembrada como sexista homofóbica? Faça (se você concorda), mas entenda que isso gera reações. Não diga que fez sem querer.

    Ninguém é obrigado a trabalhar por um mundo melhor, mesmo que tenha esse poder em suas mãos. O que não dá para aguentar é essa onda de “mamãe fazem bullying comigo” do publicitário.

  • Ótimo post. Claro que em muitos casos é preciso decidir por largar do emprego quando o formato da empresa é sufocante ao ponto de não conseguir tocar o seu propósito adiante. Achei audacioso a ideia de recusar alguns jobs. Realmente isso geraria uma cultura diferente em respeito ao publicitário.

  • Jamperson Gentilezo

    Agora ser babaca é ser desatendo.
    Tô fora.

  • Rene Junior

    Nossa que post superficial, falaram falaram e não falaram porra nenhuma. Propósitos…
    Parece cartaz motivacional de empresas.
    Continue se fudendo com o B9 mas de propósito… <3