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Tenha mais coragem diante das suas ideias

Ou o que separa os malucos dos heróis

4.out.2016

Quando uma ideia é realmente inovadora, ela sempre divide opiniões. Dentro das muitas chances de dar errado e das muitas chances de dar certo, ambas inerentes a condição disruptiva, você tem duas opções: estimular ou brecar. Ajudar ou se abster. Ser da torcida ou do contra. Mas a verdade é que a diferença entre o maluco e herói é só uma: o herói deu certo.

Vamos imaginar uma situação: Um conhecido seu dos tempos de escola decidiu, com 16 anos, disléxico e sem nenhuma experiência, largar os estudos e lançar uma revista estudantil. Todo dia você vai andando para a escola e vê ele, sem dinheiro, tentando vender anúncios pelo telefone público. O cenário econômico muda, ele precisa mudar de ramo e começa a investir em música. O sucesso começa a bater na porta e ele ganha clientes. Com o dinheiro, ao invés de expandir o negócio, ele decide começar a tentar quebrar recorde mundiais.



Na sua primeira tentativa, ele quer fazer a mais rápida travessia do Oceano Atlântico, mas o máximo que ele consegue é naufragar um barco. O acidente gera um repercussão midiática muito negativa quando repórteres exigem que o seu amigo reembolse os custos do resgate de helicóptero ao governo. Observando de longe, você imagina que ele tenha se arrependido e que irá voltar a investir só em música. Mas não, ele tenta bater o recorde de novo. Não só esse, mas diversos outros. Inclusive dar a volta ao mundo num balão, que da errado duas vezes.

Inovação legítima vem sempre acompanhada de “verdades” limitantes

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Se essa história tivesse um final triste e ele tivesse falido tentando quebrar recordes, ele seria um maluco qualquer que você contaria a história rindo (ou chorando) para a família no almoço de domingo. Mas, se as tentativas malucas tivessem feito o seu amigo observar oportunidades de negócio e diversificar de forma nunca antes feita a marca que ele criou com a música, esse seu amigo se chamaria Richard Branson, criador do grupo Virgin que detém 400 empresas, do mercado de aviação à bebidas.

Esse herói, que ainda é um maluco em potencial pelas suas últimas empreitadas com foguetes espaciais turísticos que explodiram no ar nos testes, é um exemplo extremos que, nas devidas proporções, pode nos ensinar a olhar de forma mais corajosa para as ideias.

Como ele, existem muitos outros. Sem entrar no mérito de sorte, dos astros e sem estimular atitudes ilegais, quero dizer que vivemos a era das possibilidades onde uma ideia vinda de qualquer lugar pode ter a capacidade de mudar um mercado, as pessoas, o mundo. E essas ideias sempre vão causar desconfiança pela característica empírica normal da inovação legítima. Elas sempre vem junto de ‘verdades’ limitantes: “Isso nunca vai dar certo”, “Isso sempre foi assim”, “As pessoas não vão querer mudar”. A verdade é que, quando algo é realmente novo, não vamos saber se vai dar certo sem tentar. Sempre vão precisar existir Saltos de Fé (conceito muito bem trabalhado no livro “A Startup Enxuta”, do Eric Ries).

Na nossa condição humana, imperfeita e egóica, é importante entendermos que nossa reação ao novo pode ser a resistência. Mas se a gente acredita no objetivo final, vale a reflexão sobre o quanto estamos apenas apontando problemas e até onde podemos ajudar e fazer parte da solução. No final das contas, você queria ter sido da equipe de criação da máquina digital ou da equipe da Kodak que disse que a nova tecnologia era uma moda passageira? E isso se aplica no nosso dia a dia em diferente níveis. Desde as ideias mais “malucas” às que não são tão inovadoras, mas tiram as pessoas da zona de conforto. Quando alguma coisa tem o potencial de trazer uma mudança que você acredita, você prefere correr o risco de errar e ser tachado de maluco ou nunca ter a chance de ser do time dos heróis?

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