Medium irá remunerar autores baseado em quantas “palmas” ele recebe

Se você está feliz bata palmas. De preferência, muitas.

por Gessica Borges

Quando anunciou a substituição do coração (recommend) para palmas (claps) há alguns dias, a plataforma de publicações Medium disse que o motivo era simples: não dava para medir o quanto uma pessoa realmente tinha gostado de um texto com o clique único no coração. Agora, ao avaliar uma publicação, os usuários podem escolher “bater” uma, duas… vinte palmas, de acordo com o grau de apreciação.  

O nível de palmas que o artigo recebe vai determinar como os autores ganham dinheiro. Anteriormente, o Medium remunerava um autor dividindo igualmente a taxa de assinatura mensal do assinante entre os artigos que ele leu no mês. A partir de agora, em vez de uma distribuição uniforme, a plataforma pagará mais aos autores com artigos mais populares, ou seja, que tenha recebido mais palmas. Ainda não se sabe quanto cada palma irá pesar como incremento ao pagamento final, mas definitivamente podemos esperar dos autores algo como “se você gostou do texto, deixa aqui a(s) sua(s) palma(s)”. Seria o exemplo prático da famigerada “Indústria da Lacração”?

Por enquanto, o Medium está dividindo entre autores a mensalidade cobrada dos assinantes no valor de US$ 5. Eventualmente, a empresa planeja “começar a cobrir os próprios custos”, mas por enquanto não está pegando parte da receita com assinaturas para si, pois tenta atrair mais escritores.

Parece uma forma um tanto inconsistente de implementar pagamentos. Uma métrica mais útil e menos arbitrária seria possivelmente o tempo que uma pessoa ficou na página ou o número de compartilhamentos. Mas se levarmos em consideração uma declaração recente do próprio CEO do Medium, Ev Williams, se dizendo contra o modelo de negócios baseado em pageviews e a favor de um modelo que financie histórias e ideias (assinaturas), até faz sentido que as palmas tenham sido implementadas, como uma forma de manter em evidência os textos mais relevantes, a fim de disseminar bom conteúdo. Fica a questão: no Brasil essa é uma boa ideia?

As mudanças do Medium também acompanham um novo logotipo. Já podemos ver em vez do “M” verde habitual, leve e contemporâneo, uma nova marca com astral de grande jornal americano:

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